quarta-feira, 22 de março de 2017

A LIÇÃO DO AMOR

Mensagem de João 21.15-17

Josivaldo de França Pereira

Certamente, uma das perguntas mais intrigantes que o Cristo ressurreto fez a um reles mortal foi esta: “Tu me amas?”. E no caso de Pedro uma inquietação ainda maior surgiria porque este discípulo, a pouco, havia negado o Mestre três vezes. No entanto, a tripla indagação não veio em forma de revanche ou acusação. Ela está repleta da ternura daquele que busca a ovelha perdida para restaurá-la – Jesus.
Nos Evangelhos o amor que devemos ter para com os irmãos e os inimigos aparece sempre no modo imperativo (cf. Mt 5.44; Lc 6.27,45; Jo 15.12,17). Jesus ordena: “Amai”! Ele nunca diz que o amor é algo que devemos simplesmente sentir pelo nosso semelhante. Amai é um mandamento imperativo. O amor cristão é algo que deve ser buscado, desejado, perseguido!
Entretanto, quando Jesus fala do amor que devemos ter para com ele, o verbo amar aparece no presente do indicativo (cf. Jo 14.15) e, em João 21.15-17, na forma da indagação que espera um “sim” definitivo. E mesmo que a resposta não venha de imediato na primeira ou segunda vez, Jesus, que conhece o nosso íntimo, insiste novamente, e, de novo, sem usar o imperativo “amai-me!”. Aquele que ternamente pergunta: “Tu me amas?”, aguarda um sincero: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”, no presente do indicativo também!
Alguns estudiosos têm-se limitado a examinar o texto de João 21.15-17 em torno das palavras gregas “agapáo” e “filéo”. Dois verbos para “amar”. Hendriksen, por exemplo, assegura que em João 21.15-17 existe uma semântica diferente entre os dois termos. Segundo ele, agapáo é o verbo da classe mais elevada de amor, enquanto filéo é o verbo do amor subjetivo de afeto.[1] Carson discorda do ponto de vista de Hendriksen e conclui: “Talvez eu devesse acrescentar que não estou sugerindo que não há nada distinto sobre o amor de Deus. As Escrituras insistem que há. Mas o conteúdo do amor de Deus não está relacionado em termos diretos com o campo semântico de qualquer palavra ou grupo de palavras. O que a Bíblia tem a dizer sobre o amor de Deus é transmitido por meio de frases, parágrafos, discursos, e assim por diante; isto é, por meio de unidades semânticas maiores que a palavra”.[2]
Bruce segue a mesma linha de Carson quando diz que “aqui [em Jo 21.15-17] a base é precária para sustentar uma distinção entre os dois sinônimos”.[3] Calvino, embora não diga de forma explícita, parece considerar os dois verbos igualmente idênticos em seu significado.[4]
“A variação é um aspecto do estilo de João: nos mesmos três versículos [Jo 21.15-17], foram empregadas duas palavras diferentes para ‘saber’, duas para ‘apascentar’ [ou ‘pastorear’], e duas para ‘ovelhas’ [ou ‘cordeiros’]”.[5] De modo que a ênfase de João 21.15-17 não está na disputa dos verbos agapáo e filéo, mas no diálogo em si, ou seja, Jesus quer saber se Pedro o ama, o quanto Pedro o ama e como Pedro deve amá-lo. A primeira pergunta talvez seja a mais difícil das três porque está acompanhada de um complemento crucial: “Amas-me mais do que estes outros?”.
 A expressão “estes outros” sugere os outros discípulos (cf. Jo 21.1-14). Em outras palavras Jesus estaria perguntando a Pedro: “Você me ama mais do que estes outros discípulos me amam?”. Naturalmente Pedro não tinha como saber. Então, por qual razão Jesus fez essa pergunta? Justamente para colocar o impulsivo Pedro em seu devido lugar. Há pouco tempo Pedro achava que amava a Jesus mais que todo mundo. “Disse-lhe Pedro: Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim” (Mt 26.33). Agora, em resposta à pergunta de Jesus, Pedro reafirma seu amor, porém, recusa-se a fazer qualquer comparação com os outros. Ele simplesmente diz: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. E para por aí.
Pedro se nega a dizer o tamanho do seu amor em comparação com os outros discípulos. Jesus não insiste na comparação. Apenas diz a Pedro como esse amor deve ser demonstrado: “Apascenta os meus cordeiros”. Jesus não desiste de Pedro. Nas outras vezes em que o Mestre pergunta: “Tu me amas?” e Pedro diz que sim, o Senhor de novo ensina como Pedro deve amá-lo: “Apascenta, pastoreia as minhas ovelhas”. É o processo de restauração daquele que seria o grande líder da Igreja de Jesus (cf. Mt 16.18,19).
Pedro aprendeu tão bem a lição do amor que mais adiante diria em uma de suas cartas: “pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho” (1Pe 5.2,3).




[1] Cf. Guillermo Hendriksen, Comentário del Nuevo Testamento: El Evangelio Según San Juan. Grand Rapids: SLC, 1987, p. 761-765,771-775.
[2] D. A. Carson, Os Perigos da Interpretação Bíblica: A Exegese e Suas Falácias. 2ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 50. Nota 64.
[3] F. F. Bruce, João: Introdução e Comentário. Série Cultura Bíblica. São Paulo: Vida Nova/Mundo Cristão, 1987, p. 345.
[4] John Calvin, Commentary on the Gospel According to John. Vol. 2. Grand Rapids: Baker Books, 2003, p. 287-92.
[5] W. Günther, H.-G Link, Amor. In: DITNT. Vol. 1. São Paulo: Vida Nova, 1984, p. 197.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Natanael

Josivaldo de França Pereira
 
Natanael aparece nos evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) como Bartolomeu (Mt 10.3; Mc 3.18; Lc 6.14). João nunca menciona Bartolomeu; os sinóticos nunca mencionam Natanael. Como sabemos que se trata da mesma pessoa? Primeiro, porque Natanael seria seu nome próprio e Bartolomeu indicaria sua filiação hebraica, significando filho de Tolomeu em português. Essa era uma maneira comum das pessoas se identificarem na cultura judaica (cf. Mt 16.17; Mc 10.46; Lc 23.18; At 13.6).
Segundo, na lista dos doze apóstolos (que ocorre somente em Mateus, Marcos e Lucas) os nomes de Filipe e Bartolomeu estão sempre juntos. Natanael/Bartolomeu era o companheiro mais chegado de Filipe. Além disso, nos relatos mais antigos da história da Igreja primitiva e em muitas lendas da antiguidade sobre os apóstolos, os dois nomes também aparecem associados com frequência.
Os três primeiros Evangelhos e o livro de Atos não contêm detalhes acerca das origens, caráter ou personalidade de Natanael. Na verdade, cada um deles o menciona uma única vez, ou seja, somente na listagem dos doze discípulos. O apóstolo João cita Natanael em apenas duas passagens: João 1, texto em que descreve seu chamado, e João 21.2, quando mostra que ele foi um daqueles que voltaram para a Galileia e foi pescar com Pedro depois da ressurreição de Jesus.
De acordo com João 21.2, Natanael era da pequena cidade de Caná da Galileia, lugar onde Jesus fizera seu primeiro milagre ao transformar água em vinho (Jo 2.11). Caná ficava bem próxima de Nazaré, a cidade de Jesus.
Ainda segundo João, dos doze discípulos de Jesus, somente Pedro e Natanael não foram chamados diretamente pelo Mestre, por assim dizer. André levou seu irmão a Jesus (Jo 1.40-42) e Filipe convidou o amigo Natanael. O encontro entre Jesus e Natanael é um dos mais notáveis da Bíblia, conforme descreve João 1.45-51:
45Filipe encontrou a Natanael e disse-lhe: Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se referiram os profetas: Jesus, o Nazareno, filho de José.
46Perguntou-lhe Natanael: De Nazaré pode sair alguma coisa boa? Respondeu-lhe Filipe: Vem e vê.
47Jesus viu Natanael aproximar-se e disse a seu respeito: Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo!
48Perguntou-lhe Natanael: Donde me conheces? Respondeu-lhe Jesus: Antes de Filipe te chamar, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira.
49Então, exclamou Natanael: Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!
50Ao que Jesus lhe respondeu: Porque te disse que te vi debaixo da figueira, crês? Pois maiores coisas do que estas verás.
51E acrescentou: Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.

Filipe faz um relato perfeito da pessoa de Jesus a Natanael: “Filipe encontrou a Natanael e disse-lhe: Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se referiram os profetas: Jesus, o Nazareno, filho de José” (Jo 1.45). Sua citação das Escrituras relembra o que Jesus, ressurreto, diria a dois seguidores dele no caminho de Emaús: “E, começando por Moisés, discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras” (Lc 24.27). E também aos seus discípulos: “... São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos” (Lc 24.44).
Contudo, Natanael se declara francamente incrédulo no fato de que alguma coisa boa, muito menos o Messias, proceda de Nazaré. Nazaré era uma cidade pequena, inexpressiva e insignificante aos olhos de muitos. Ela não é citada uma única vez no Antigo Testamento, nos apócrifos, nos escritos de Josefo ou no Talmude judaico. O povo da Judeia considerava os galileus inferiores, porém, até mesmo os galileus desprezavam os nazarenos. Apesar de ser de uma vila ainda mais humilde (Caná da Galileia), Natanael só estava repetindo o desdém geral dos galileus pelos nazarenos. [1]
Filipe convida Natanael a vir e ver com os próprios olhos o Messias. Mas quem o vê primeiro é Cristo. “Jesus viu Natanael aproximar-se e disse a seu respeito: Eis um verdadeiro israelita, em que não há dolo” (Jo 1.47). Nosso Senhor conhece perfeitamente a natureza humana (Jo 2.23-25). Portanto, ele pôde dizer com precisa exatidão que Natanael é “um verdadeiro israelita, em quem não há dolo”. O adjetivo grego para verdadeiro (alethós) em João 1.47 significa “autêntico, genuíno”. Natanael era um israelita de verdade.
Não se trata de uma referência à sua descendência física de Abraão. Jesus não estava falando de genética. Estava associando a condição de Natanael como verdadeiro israelita ao fato de não haver nele nenhum dolo. Sua sinceridade era o que o definia como autêntico israelita. Grande parte dos israelitas do tempo de Jesus não eram pessoas autênticas e sim hipócritas. Eram falsos. A vida que levavam era recoberta de um verniz de espiritualidade, mas não era real e, portanto, não podiam ser considerados verdadeiros filhos espirituais de Abraão. Natanael, porém, era verdadeiro.[2]

Em Romanos 9.6,7 o apóstolo Paulo diz: “Nem todos os de Israel são, de fato, israelitas; nem por serem descendentes de Abraão são todos seus filhos”. Em Romanos 2.28,29 ele escreve: “... não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus”.
Natanael era um israelita autêntico, um dos verdadeiros filhos espirituais de Abraão. Não havia nele dolo ou engano, isto é, qualquer hipocrisia. Algo bastante incomum e particularmente raro no Israel do primeiro século (cf. Mt 6.1-8; 23.13-33). Por sinal, as palavras de Jesus “eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo”, recordam o que Deus disse sobre Jó no Antigo Testamento: “... Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal” (Jó 1.8; cf. 1.1; 2.3).
A revelação de Jesus deixou o amigo de Filipe surpreso: “Perguntou-lhe Natanael: Donde me conheces? Respondeu-lhe Jesus: Antes de Filipe te chamar, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira” (Jo 1.48). Jesus não está dizendo que passou por aquele local e viu Natanael debaixo da figueira. Não se refere à sua presença física ali, pois onde Natanael estava, humanamente falando, ninguém poderia vê-lo. Jesus falava de sua onisciência divina, de um atributo idêntico ao do Salmo 139.1-4, e Natanael percebeu isso (cf. Jo 1.49).
Com certeza, o Senhor Jesus não diria o que disse a Natanael se este estivesse simplesmente dormindo debaixo da figueira, ou comendo figos. Por conseguinte, qual o significado da figueira nessa passagem bíblica? MacArthur explica:
É bem provável que fosse o lugar em que Natanael ia para estudar e meditar nas Escrituras. As casas dos israelitas normalmente eram construções pequenas, com um só cômodo. Cozinhava-se quase tudo ali dentro, de modo que sempre havia um fogo aceso, mesmo no verão. Com isso, o cômodo podia ficar cheio de fumaça e abafado. Costumava-se plantar árvores ao redor da casa para mantê-la fresca e à sombra. Uma das melhores árvores para se plantar era a figueira, pois dava frutos maravilhosos e boa sombra. As figueiras só crescem até ficar com cerca de quatro metros e meio. Têm um tronco relativamente curto e retorcido e seus galhos são baixos e se espalham por até sete a nove metros. Uma figueira perto de uma casa oferecia uma grande área externa protegida e com sombra. Se alguém queria escapar do barulho e do ambiente abafado da casa, podia sair e descansar sob a sombra da figueira. Era uma espécie de recanto particular ao ar livre, perfeito para meditar, refletir e ficar só. Sem dúvida era para lá que Natanael ia a fim de estudar as Escrituras e orar.[3]

Debaixo da figueira Natanael estava com a mente e o espírito sintonizados em Deus. À semelhança de Simeão, Natanael também era um homem justo e piedoso que esperava pela Consolação e Salvação de Israel: o Messias prometido. O Verbo encarnado que agora se encontrava diante dele era a resposta viva às orações de Natanael. Deus atendeu as preces dele!
A primeira confissão de fé de um discípulo feita a Jesus vem cheia de emoção: “Então, exclamou Natanael: Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!” (Jo 1.49).
A resposta do Senhor foi ainda mais surpreendente: “Ao que Jesus lhe respondeu: Porque te disse que te vi debaixo da figueira, crês? Pois maiores cousas do que estas verás. E acrescentou: Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem” (Jo 1.50,51).[4]
Quem crê nas menores coisas que Jesus diz haverá de ver as maiores também. Talvez você esteja debaixo de sua “figueira” hoje – meditando na Palavra, orando, clamando e chorando na presença de Deus. Saiba que ele vê. Deus é o Deus que vê (cf. Gn 16.13) e virá ao seu encontro. Creia nisso.



[1] Atualmente Nazaré é uma próspera cidade de cem mil habitantes (relativamente grande para os padrões de Israel), com belas casas e carrões importados.
[2] John MacArthur, Doze Homens Comuns. 2ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 139.
[3] Idem, p. 141.
[4] João 1.51 conduze-nos a Gênesis 28.12. A escada é o Cristo Mediador. Consulte João Calvino, Institutas I.xiv.12.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Aprendendo com o Mestre

Josivaldo de França Pereira
 
Jesus estava orando em certo lugar; quando terminou, um dos seus discípulos lhe pediu: “Senhor, ensina-nos a orar como também João ensinou aos seus discípulos” (Lc 11.1). Os rabinos tinham formulado “modelos” breves de orações para seus discípulos como meios de instrução, a fim de ajudá-los no exercício da fé religiosa. João Batista ensinou seus discípulos a orar e, tempos depois, um dos seguidores de Cristo, tão impressionado pela maneira como o Mestre orava, pediu que o Senhor também os ensinasse.
Quem pediu esta lição ao Mestre não pensou somente em si mesmo, pois notou que o aprendizado da oração era uma necessidade coletiva dos seguidores de Jesus. Não sabemos quem era esse discípulo. Poderia ser um membro daquele grupo mais numeroso de seguidores de Cristo que não pertencia ao grupo dos doze. Algumas passagens bíblicas, como Lucas 6.13, revelam claramente a existência deste grupo mais numeroso. Ainda poderia ser um dos 70 missionários especialmente designados (cf. Lc 10.1-12,17-20). Entretanto, a possibilidade de que fosse um dos doze não deve ser descartada; nem mesmo a possibilidade de ter sido João ou André, ex-discípulos de João Batista (Jo 1.35-40).
A oração ensinada por Jesus é a do Pai Nosso, que em Mateus encontra-se mais extensa no Sermão do Monte (Mt 6.9-15), e em Lucas de maneira condensada (Lc 11.2-4). Em Mateus a oração é pronunciada no decurso de um sermão no início do ministério terreno de Cristo. Posteriormente (Lc 11.1), ela vem como resposta de Jesus ao pedido de um discípulo que possivelmente não estivera presente na ocasião anterior. Com o pedido “Senhor, ensina-nos a orar”, o discípulo talvez quisesse dizer que ansiava por uma forma de palavras que pudesse empregar, ou um padrão segundo o qual pudesse modelar suas orações, ou algumas instruções gerais sobre o assunto.
Jesus amava orar. Ele não apenas falava de oração. Ele praticava a oração. O Mestre orava sempre que algo muito importante estava para acontecer. Por exemplo: (1) Antes de iniciar seu ministério terreno, permaneceu no deserto por quarenta dias, jejuando e orando (Mt 4.1-11). (2) Antes de escolher e chamar os doze para ser apóstolos, “retirou-se para o monte, a fim de orar, e passou a noite orando a Deus” (Lc 6.12). (3) Antes de se transfigurar diante de Pedro, Tiago e João, para lhes mostrar como seria a glória do reino de Deus (Lc 9.27), ele permaneceu em oração (Lc 9.28). (4) Antes de andar por sobre o mar, “subiu ao monte, a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde, lá estava ele, só” (Mt 14.23). (5) Antes de ser preso, julgado, açoitado e crucificado, orava com muita intensidade no Getsêmani (Lc 22.44).
E você, já orou hoje?


terça-feira, 29 de novembro de 2016

A pessoa que Deus justifica

Lucas 18.9-14

Josivaldo de França Pereira

Jesus propôs uma parábola (história do dia-a-dia que ilustrava realidades espirituais) a alguns (provavelmente uma plateia de fariseus) que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros.
Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar. Um era fariseu (partido religioso da época) e o outro publicano (cobrador de impostos). Tanto um quanto o outro eram judeus. Os fariseus odiavam os publicanos porque estes trabalhavam para o governo romano, portanto, eram tidos como traidores pela maioria dos judeus.
Ambos foram ao templo orar. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, dizendo: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho”.
As realizações externas deste fariseu eram dignas de admiração e imitação. O problema é que aos seus olhos ele se achava melhor que as outras pessoas. O fariseu (como aqueles a quem Jesus se dirigia) confiava em si mesmo, por se considerar justo, e desprezava os outros acreditando que era mais íntegro do que eles. Preconceituosamente, ele via como roubadores, injustos e adúlteros qualquer um que não fosse fariseu como ele (cf. Mt 5.46,47; 23.23). Isso não lembra alguns religiosos dos nossos dias que pensam que somente eles devem ir para o céu?
Contudo, o fariseu foi longe demais em seu preconceito ao se voltar para o publicano, afirmando que não era como o coletor de impostos, visto que jejuava duas vezes por semana e dava o dízimo de tudo quanto ganhava. Como dissemos, as ações deste fariseu eram boas por si só. O problema, como já dissemos também, era a arrogância dele. De acordo com a Bíblia, o ego exaltado é a primeira das seis coisas que Deus aborrece (Pv 6.16-19).
O fariseu pensou que estivesse realmente orando a Deus, mas Jesus observa que esse homem orava de si para si mesmo. A oração que não é proveniente de um coração contrito e sincero não é feita a Deus. Bem diferente foi a atitude do publicano. Estando em pé, ao longe, ele não ousava nem ainda levantar os olhos para o céu, porém, batia no peito, dizendo: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador!”.
Jesus finaliza a parábola destacando que o publicano voltou para casa justificado por Deus, pois sua oração foi ouvida, e não o arrogante e impiedoso fariseu; porque todo o que se exalta será humilhado, e todo o que se humilha será exaltado.
Conta-se, em uma antiga ilustração, que um jovem pregador subiu ao púlpito cheio de confiança. Todavia, ele pregou mal, e voltou para o seu lugar bastante constrangido. Logo depois, o zelador da igreja, vendo-o abatido, comentou: “Meu jovem, se você tivesse subido ao púlpito como desceu, certamente você teria descido como subiu”. De fato, todo aquele que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.

sábado, 26 de novembro de 2016

Morre Russell Shedd

Morreu, na madrugada deste sábado (26/11/2016), o Dr. Russell P. Shedd.
O planeta perde um grande homem de Deus. 
Tive o privilégio de ter dois livros prefaciados por ele (Personagens Esquecidos da Bíblia e Paulo). 
Em julho deste ano, quando falei com o Dr. Shedd se prefaciaria o livro Paulo, ele aceitou de bom grado, apesar de estar bastante gripado. 
Meu livro, publicado em agosto deste ano, foi a última obra prefaciada por ele. Descanse em paz grande guerreiro!

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Deus é Fiel

Josivaldo de França Pereira

É comum ver a expressão “Deus é fiel” em vidro de automóvel, parachoque de caminhão, porta de residência, etc. Contudo, no que as pessoas estão realmente pensando quando se deparam com essas palavras? A expressão “Deus é fiel” em si mesma está correta, porque Deus é fiel de verdade! O problema é o entendimento equivocado que se tem dela.
 Para a maioria das pessoas (muitas das quais influenciadas pela teologia da prosperidade), a fidelidade de Deus não passa de um conceito mal empregado para atender seus desejos materialistas imediatos. Ou seja, Deus é fiel sim, mas para nos dar carro, casa, dinheiro, etc.
Na Bíblia, a fidelidade de Deus é um dos atributos ou qualidades mais nobres do seu Ser. "Saberás, pois, que o Senhor teu Deus é Deus, o Deus fiel..." (Dt 7.9). Essa qualidade é essencial ao seu Ser; sem ela ele não seria Deus. Pois, ser Deus infiel seria agir contrariamente à sua natureza, o que é impossível. "Se formos infiéis, ele permanece fiel: não pode negar-se a si mesmo" (2Tm 2.15). A fidelidade é uma das gloriosas perfeições do seu Ser, é como se ele estivesse vestido com esta perfeição. “Ó Senhor, Deus dos Exércitos, quem é forte como tu, Senhor, com a tua fidelidade ao redor de ti?!" (Sl 89.8).
Fidelidade pressupõe aliança e suas promessas; um pacto ou acordo entre as partes. Por conseguinte, toda aliança tem suas condições. No caso da aliança entre Deus e o ser humano há bênçãos para os que a cumprem e consequências terríveis para quem a deixam. Desse modo, a fidelidade de Deus tanto nos ajuda quanto nos afeta.
Se obedecemos a Palavra do Senhor somos abençoados pelo Deus fiel, porém, se a desobedecemos sofremos as consequências do mesmo Deus fiel. “Sua Palavra não contém somente numerosas ilustrações de sua fidelidade no cumprimento de suas promessas, mas também registra numerosos exemplos de sua fidelidade em fazer valer as suas ameaças” (A. W. Pink).
Deus é fiel não somente quando afasta as aflições, mas também é fiel quando as envia. “A mente dos servos de Deus se tranquilizaria bastante se eles se lembrassem de que a aliança de Deus o obriga a lhes aplicar correção oportuna” (Pink).
O Eterno não deve ser imaginado por ninguém como se fosse uma fada madrinha, ou como um produto à disposição na prateleira de um supermercado, a fim de satisfazer nossos mesquinhos interesses consumistas. Ele é Deus. Senhor soberano que deve ser servido, temido e reverenciado por nós.
Se todos soubessem o que significa de fato a expressão “Deus é fiel”, veriam quão longe estão da natureza e caráter do Deus fiel.  O nosso Deus é fiel a ele próprio, à sua Palavra e promessas. Bendito seja o Deus fiel!

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Livro "Paulo" - Prefácio de Russell Shedd

Meu novo livro chamado "Paulo" com prefácio de Dr. Russel Shedd.
Adquira o seu ainda hoje. A despesa de correio é por minha conta. Veja abaixo os assuntos tratados no livro:
1. Paulo
2. Na estrada de Damasco
3. A visita de Ananias
4. As primeiras pregações de Paulo
5. A igreja de Antioquia
6. Chamados e enviados
7. As defesas de Paulo
8. Paulo, apóstolo de Cristo Jesus
9. Conceitos antipaulinos de apostolado
10. Princípios paulinos de liderança
11. Paulo, prisioneiro de Cristo Jesus
12. A canonicidade, cronologia e mensagem das epístolas paulinas
13. As viagens missionárias de Paulo
14. Paulo e Silas em Filipos
15. O discurso de Paulo em Atenas
16. O evangelho de Paulo
17. A missiologia de Paulo
18. A teologia paulina do sofrimento
19. A trajetória da graça em Paulo
20. Eleição e evangelização em Paulo
21. A vida futura segundo Paulo
22. Os últimos dias de Paulo

Leia abaixo o capítulo 1 do livro.