segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Os Impedimentos de Deus e do Diabo na Missão de Paulo

Josivaldo de França Pereira


Não é segredo para ninguém que a missão de Paulo foi realizada em meio a muitas lutas e provações, conforme os relatos de Lucas no livro de Atos e do próprio Paulo em 2Coríntios 11.16-12.10. Ao profeta Ananias o Senhor Jesus resumiu o ministério de Paulo assim: “... Vai, porque este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome” (At 9.15,16).
Entretanto, chamam-nos a atenção duas passagens bíblicas. Em Atos 16.6,7 é dito: “E, percorrendo a região frígio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na Ásia, defrontando Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu”. A outra passagem é 1Tessalonicenses 2.17,18: “Ora, nós, irmãos, orfanados, por breve tempo, de vossa presença, não, porém, do coração, com tanto mais empenho diligenciamos, com grande desejo, ir ver-vos pessoalmente. Por isso, quisemos ir até vós (pelo menos eu, Paulo, não somente uma vez, mas duas); contudo, Satanás nos barrou o caminho”.
Em Atos é relatado que Paulo, durante sua segunda viagem missionária, foi impedido pelo Espírito Santo de ir à província da Ásia e Bitínia. Aos tessalonicenses o apóstolo fala dos impedimentos de Satanás quando tentou visitá-los por duas vezes, logo após sua segunda viagem missionária. Como Paulo sabia que um impedimento vinha de Deus e o outro do Diabo? Por que o Espírito Santo impediu que Paulo e seus companheiros pregassem na Ásia e fossem também para Bitínia? Como e por que Satanás conseguiu frustrar os planos de Paulo de visitar os crentes de Tessalônica?
A maioria dos comentaristas bíblicos admite não saber ao certo como foi que Paulo e seus companheiros entenderam que os impedimentos de Atos 16.6,7 indicavam que o Espírito santo possuía outro plano de viagem. É provável que Paulo e seus companheiros só compreenderam o significado dos impedimentos do Espírito após analisarem os fatos ocorridos. Aquele duplo impedimento (vv6,7), a visão de Paulo (v9) e a declaração de Lucas no verso 10 parecem lançar luz sobre essa possibilidade. Quanto ao por que daqueles impedimentos não há necessidade de se especular. A soberania do Espírito Santo na obra missionária é inquestionável. É ele quem dirige e coordena a missão, determinando quem vai, como se vai e para quem se vai pregar o evangelho.
Paulo desejava muito re-visitar os crentes de Tessalônica. Ele tentou “não somente uma vez, mas duas” e, como o próprio apóstolo diz, “Satanás nos barrou o caminho”. Não se sabe ao certo a natureza dos impedimentos de Satanás em 1Tessalonicenses 2.18. Os estudiosos sugerem várias possibilidades, embora reconheçam a dificuldade em precisar o que realmente aconteceu. É provável que os obstáculos para retornar a Tessalônica fossem as investidas maldosas, sutis e explicitas dos inimigos de Paulo (cf. 1Ts 2.13-16). Por isso, ele não teve dificuldade em atribui-las ao Maligno. Quanto ao porquê de Satanás ter barrado o caminho de Paulo e ter conseguido tal feito, é porque Deus permitiu que ele chegasse até esse ponto. O Diabo não vai além do que Deus quer. Deus o tem sob controle. Contudo, Satanás é vivo, sagaz  e causador de grandes estragos. 
Enquanto os impedimentos do Espírito Santo edificam, os de Satanás destroem os mais belos sonhos.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Zaqueu, o publicano: a mensagem de Lucas 19.1-10

Josivaldo de França Pereira



Esta é a história de um pequeno grande homem chamado Zaqueu. Um judeu morador de Jericó, a cidade mais importante da Palestina depois de Jerusalém. Zaqueu era maioral dos publicanos (chefe dos coletores de impostos a serviço de Roma) e rico. Por serem judeus a serviço de Roma, os publicanos eram tidos por seus compatriotas como traidores. Muitos publicanos ficavam ricos extorquindo seu próprio povo, razão pela qual eram chamados também de ladrões. Contudo, o nome “Zaqueu” significa “aquele que é justo”. Um motivo a mais para ele não ser benquisto pelo povo. Em suma, os publicanos eram personas non gratas, classificados pelos judeus como os maiores pecadores do mundo. Normalmente quando se falava em pecadores, os publicanos encabeçavam a lista (cf. Mt 9.10,11; 11.19; Mc 2.15,16; Lc 5.30; 7.34; 15.1). 
Enquanto Jesus atravessava a cidade de Jericó, Zaqueu procurou desesperadamente vê-lo. Mas não podia por causa da multidão. Sendo ele de pequena estatura subiu a um sicômoro. Uma árvore semelhante à amoreira, conhecida também como figueira brava. A despeito de sua posição social, Zaqueu não se importou nem um pouco em ser ridicularizado pelas pessoas, pois, afinal de contas, ele já estava acostumado com os insultos e afrontas dos outros. Todavia, Zaqueu não queria apenas ver Jesus, ele queria ver quem era Jesus. Tanto se ouvia falar de Jesus de Nazaré, líder de grandes multidões, poderoso em palavra e obras, que Zaqueu almejou conhecê-lo também. Zaqueu era muito esperto. Diante da dificuldade em ver Jesus, por causa da multidão que vinha em sua direção e de sua baixa estatura, ele não desistiu. Correu adiante dela, colocou-se estrategicamente no lugar onde Jesus passaria, subindo numa árvore e, assim, acabou ficando mais alto que todo mundo. Quando se tem determinação e força de vontade o impossível torna-se possível, o problema vira solução e a dificuldade uma porta para as maiores conquistas.
O esforço de Zaqueu valeu a pena. Ao se aproximar da árvore o Mestre parou, olhou para cima e disse: “Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa”. Que cena gloriosa! Jesus chamou o publicano pelo nome e lhe fez um convite inesperado. Nada indica na Escritura que Jesus foi informado por alguém da multidão que havia um publicano de nome Zaqueu em cima de uma árvore. Nosso Senhor não foi a Jericó por acaso. Do modo como um dia foi-lhe necessário passar por Samaria e evangelizar uma mulher junto ao poço de Jacó, certamente foi necessário que ele passasse por Jericó e nos presenteasse com uma das mais belas histórias da Bíblia, contada de geração em geração a adultos e crianças.
Jesus chamou Zaqueu pelo nome, e o fez com amor e ternura. Não foi o chamado da reprimenda e da crítica; não foi o chamado do juízo e da condenação. Foi o chamado de quem queria ser conhecido pelo pecador. Jesus chamou Zaqueu com urgência. A hora era aquela. O momento era agora. A oportunidade de salvação chegou e estava ali, bem diante de seus olhos. “Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa”. Zaqueu viu quem era Jesus, ouviu a sua voz chamando-o pelo nome e dizendo, ainda, que lhe convinha ficar hoje em sua casa. Que alegria! Quanta bênção na vida de um homem só!
Bastou Jesus falar uma única vez e Zaqueu desceu rapidamente da árvore. Tão importante quanto subir (ou mais) foi para ele a descida da árvore. Quando eu era criança gostava de subir em árvore. Eu me lembro que muitas vezes era mais fácil subir numa árvore do que descer dela. Era mais fácil subir depressa do que descer depressa. Para descer com segurança de uma árvore é preciso olhar constantemente para baixo, vendo onde pisa, sem pressa de alcançar o chão. Entretanto, Zaqueu desceu a toda a pressa, como um fruto maduro caindo em solo fértil. A alegria de Zaqueu foi indescritível e não era para menos. Jesus amou o homem mais odiado de Jericó. O Mestre se lembrou daquele que era esquecido por todos e trouxe para junto de si alguém desprezado pelos seus, pois todos os que viram aquela cena murmuravam, dizendo que Jesus se hospedara com homem pecador. O que dizer desses murmuradores? Eram pessoas que não conheciam a Deus. Não compreendiam o grande amor de Deus em Cristo Jesus que veio buscar e salvar o perdido. Não entendiam que Deus ergue do pó o desvalido e do monturo o necessitado. Ainda que Zaqueu fosse, materialmente, riquíssimo, espiritualmente ele era paupérrimo. Jesus trouxe para Zaqueu a razão do viver que o publicano nunca havia experimentado antes. Zaqueu teria paz, alegria e vida de verdade. Coisas que os murmuradores não têm.
O encontro de Jesus com Zaqueu resultou numa mudança profunda e permanente do publicano. Zaqueu se prontificou a fazer duas coisas. A primeira seria dar aos pobres metade de sua riqueza. A segunda atitude seria a de restituir quatro vezes mais alguém que, porventura, ele tivesse defraudado. Isso é o que teologicamente se denomina de conversão. A mudança de mente e de atitude quando somos alcançados pela graça maravilhosa do bondoso Deus. Só Jesus pode transformar uma vida. Quando ele alcança o nosso coração, mediante o chamado eficaz do Espírito Santo, nós nos tornamos (ou antes somos tornados) novas criaturas. A confissão de Zaqueu foi sincera. E Jesus, que conhece o íntimo do ser humano, pôde dizer: “Hoje, houve salvação nesta casa”.
Hoje é o dia aceitável para você também. Hoje é o dia da salvação! Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.