sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Da Falibilidade dos Sínodos e Concílios

Considerações Gerais do Capítulo XXXI,iii da Confissão de Fé de Westminster
Josivaldo de França Pereira


A Confissão de Fé de Westminster declara: “Todos os sínodos e concílios, desde os tempos dos apóstolos, quer gerais quer particulares, podem errar, e muitos têm errado; eles, portanto, não devem constituir regra de fé e prática, mas podem ser usados como auxílio em uma e outra coisa” (XXXI, 3). Todos os sínodos e concílios podem errar, e muitos têm errado no decorrer da história porque são formados por homens que podem e têm errado [1]. Isso, porém, explica, mas não justifica uma decisão conciliar equivocada.
Uma decisão conciliar equivocada é aquela que resulta em algum prejuízo para a igreja. O concílio não é a igreja, mas o seu representante. Uma igreja pode ser bem ou mal representada. Qualquer resolução do concílio, seja ela boa ou má, vai refletir primeiramente na igreja representada por ele. A igreja é o termômetro das resoluções de um concílio. O Novo Testamento é muito claro nisso. Após a decisão do primeiro concílio da Igreja – que se reuniu com o propósito de opor-se aos esforços judaizantes – os que foram enviados à Jerusalém desceram logo para Antioquia e, tendo reunido a comunidade, entregaram a epístola. “Quando a leram, sobremaneira se alegraram pelo conforto recebido” (At 15.31). Percebe-se que a igreja de Antioquia foi ricamente abençoada pela decisão daquele Concílio. E não podia ser diferente porque o que foi resolvido ali “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (At 15.28). “O Espírito revelou o que os líderes da igreja deveriam dizer e fazer” [2].
Quando um concílio se submete verdadeiramente ao Espírito de Deus, o resultado são decisões positivas e salutares para a vida da igreja. Mas quando o Espírito Santo (assim como a Bíblia) não passa de inocente útil para satisfazer a carnalidade humana, o resultado pode ser terrivelmente desastroso para a igreja.
Embora os sínodos e concílios não devam constituir regra de fé e prática, eles podem e devem ser usados como auxílio em uma (fé) e outra coisa (prática). Se as decisões deles forem pouco sábias, mas não se opõem diretamente à vontade de Deus, recomenda-se a submissão a elas por amor à paz. Contudo, se as decisões são contrárias à Palavra de Deus, então devemos rejeitá-las e sofrer as consequências [3].


Notas
[1] Cf. Calvino, Institución, IV,ix,10,11.
[2] Kistemaker, Acts, p. 562.
[3] Cf. A. A. Hodge, Comentário, p. 350,51.


Bibliografia
A Confissão de Fé de Westminster. 3a ed. São Paulo: Cultura Cristã, 1997.
BERKHOF, L. Manual de Doutrina Cristã. Campinas/Patrocínio: LPC/Ceibel, 1985.
___________ Teologia Sistemática. 2a ed. Grand Rapids: T.E.L.L., 1987.
CALVINO, J. Institución de la Religión Cristiana. Vol. II. Países Bajos: Felire, 1986.
HALL, J. H. Concílios Eclesiásticos. In: EHTIC. Vol. I. São Paulo: Vida Nova, 1988.
HODGE, A. A. Comentário de la Confesión de Fé de Westminster. Barcelona: CLIE, 1987.
KISTEMAKER, S. J. Exposition of the Acts of the Apostles. New Testament Commentary. Grand Rapids: Baker Book House, 1990.
WHEATON, D. H. Sínodo. In: EHTIC. Vol. III. São Paulo: Vida Nova, 1990.

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