quarta-feira, 21 de abril de 2010

A Queda do Livre-Arbítrio

Josivaldo de França Pereira


A queda de Adão e Eva significou a perda do livre-arbítrio, ou seja, a liberdade de escolher entre o bem e o mal. De acordo com o Breve Catecismo de Westminster, “Nossos primeiros pais, sendo deixados à liberdade da sua própria vontade, caíram do estado em que foram criados, pecando contra Deus”.
Note que os nossos primeiros pais caíram do estado em que foram criados, pecando contra Deus, ao serem deixados à “liberdade da sua própria vontade”. A melhor interpretação da queda do livre-arbítrio é dada pela mesma Assembléia de Westminster, no capítulo IX da Confissão de Fé: “O homem, caindo em um estado de pecado, perdeu totalmente todo o poder de vontade quanto a qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação, de sorte que um homem natural, inteiramente adverso a esse bem e morto no pecado, é incapaz de, pelo seu próprio poder, converter-se ou mesmo preparar-se para isso”.
É de fundamental importância que se fique claro o sentido da expressão “liberdade da vontade” do Breve Catecismo, na interpretação da Confissão de Fé. A “liberdade da vontade”, ou simplesmente “livre-arbítrio” do homem, acabou definitivamente por ocasião do primeiro pecado. Agostinho dizia que antes do pecado o homem podia afirmar “posso não pecar”; depois do pecado passou a dizer “não posso não pecar”. Antes de pecar Adão podia escolher entre o bem e o mal. Após o pecado a escolha do homem, concernente às coisas espirituais, é somente para o mal; daí a necessidade de uma atuação sobrenatural do Espírito Santo para convertê-lo. “Ora, o homem natural não aceita as cousas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1Co 2.14).
Pode-se dizer, então, que atualmente o ser humano tem liberdade da vontade ou livre-arbítrio somente num sentido secundário do termo, isto é, o homem pode querer ou não usar um determinado tipo de roupa; escolher ir ou não a algum lugar, e assim por diante. Alguns teólogos preferem o termo “livre-agência” para se referir ao sentido secundário, ou não espiritual, de livre-arbítrio. Seja como for, a terminologia “livre-arbítrio” não deve ser entendida no sentido de que o homem natural ainda possa buscar o bem espiritual por livre e espontânea vontade. Isso seria estranho ao ensino bíblico. Consulte João 6.44,65; 15.5; Romanos 3.9,10,12,23; 5.6; 8.7,8; 1Coríntios 2.14; 2Coríntios 3.5; Efésios 2.1,5; Filipenses 2.13; Colossenses 2.13; Tito 3.3-5, etc.

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