segunda-feira, 26 de julho de 2010

A lei do amor

Josivaldo de França Pereira

Um intérprete da lei perguntou a Jesus: "Mestre, qual é o grande mandamento? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas" (Mt 22.36-40).
O coração, a alma e a mente devem cooperar no amor a Deus. O "coração" é o centro da existência do ser humano, o manancial de todos os seus pensamentos, palavras e ações (cf. Pv 4.23). A "alma" é o centro da atividade emocional do ser humano; a "mente" não somente é o centro do intelecto, mas também de sua disposição e atitude. O que se quer dizer nessa passagem (Mt 22.36-40) é que devemos amar a Deus com todas as "faculdades" com as quais o Senhor nos capacitou.
Devemos usar todos estes poderes ao máximo. Observe-se o tríplice "todo... toda... toda...". O amor de Deus para conosco não deve receber de nossa parte uma resposta pela metade. Quando Deus ama, ama ao mundo; quando entrega, entrega seu Filho, ou seja, a si mesmo (cf. Jo 3.16). Um amor maior é impossível (Jo 15.13; Rm 5.6-10; 2Co 8.9). Certamente a resposta a esse amor não deve ser menos que a indicada em Romanos 11.33-36; 1Coríntios 6.20; 2Coríntios 9.15; Efésios 5.1,2; Filipenses 2.1-18 e Colossenses 3.12-17.
O segundo mandamento é semelhante ao primeiro porque também requer o amor. Amar ao próximo é o resultado natural do amor a Deus. Mas quem é este "próximo" que deve ser amado com o mesmo amor que eu amo a mim mesmo? A resposta é: Qualquer um que pela providência de Deus entre em contato comigo; qualquer um que eu possa ajudar, ainda que me odeie e nesse sentido seja meu inimigo (Mt 5.43-48). Além disso, a parábola do bom samaritano (Lc 10.25-37) prova que, em lugar de perguntar, "quem é o meu próximo?", cada um deve "fazer-se próximo" daquele a quem possa ajudar de alguma maneira. Em suma, “o próximo” é todo aquele com quem devemos usar de misericórdia.[1]
"Este mandamento duplo (amar a Deus e amar ao próximo) é a coluna que sustenta toda 'lei e os profetas'. Tire-se a coluna e tudo se perde, porque o Antigo Testamento, com seus mandamentos e pactos, profecias e promessas, tipos e testemunhos, convites e exortações, aponta para o amor de Deus que exige a resposta de amor em troca".[2]



[1] Veja meu artigo "Quem é o meu próximo?" em www.ejesus.com.br.
[2] Guillermo Hendriksen. Comentário del Nuevo Testamento: El Evangelio Según San Mateo. Grand Rapids: SLC, 1986, p. 850.

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