quinta-feira, 15 de julho de 2010

Provação

Josivaldo de França Pereira


Provação é receber o “mal” no lugar do bem. Lembra-se da resposta de Jó à sua esposa? “... temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal?” (Jó 2.10). Contudo, o mal de Deus não é o mal de Satanás. Na provação Deus está testando a gente para um fim proveitoso (cf. Tg 1.2-4,12). Na tentação Satanás procura matar, roubar e destruir.
Enquanto Satanás nos tenta em nossas fraquezas, Deus nos prova em nossas forças. Na provação Deus tira de nós para acrescentar-nos depois. Na tentação Satanás nos dá para mais tarde nos tirar. Na provação Deus se aproxima de nós para nos afastar de Satanás. Na tentação Satanás se aproxima de nós para nos afastar de Deus. Na tentação Satanás nos “acolhe” para depois nos desamparar. Na provação Deus nos “desampara” para em seguida nos acolher.
Ezequias foi um dos maiores reis de Judá. Acerca dele é dito: “Confiou no SENHOR, Deus de Israel, de maneira que depois dele não houve seu semelhante entre todos os reis de Judá, nem entre os que foram antes dele. Porque se apegou ao SENHOR, não deixou de segui-lo e guardou os mandamentos que o SENHOR ordenara a Moisés” (2Rs18.5,6). E após realizar as maiores e mais gloriosas reformas de Judá, a Bíblia relata: “Depois destas cousas e desta fidelidade, veio Senaqueribe, rei da Assíria, entrou em Judá, acampou-se contra as cidades fortificadas e intentou apoderar-se delas” (2Cr 32.1).
Notou a expressão “e desta fidelidade”? Deus nos prova quando estamos espiritualmente bem. Para quê? Para ficarmos ainda melhores! Deus se agrada daqueles que lhe são fiéis e deseja estar ainda mais perto deles. A provação não nos sobrevém para fugirmos de Deus, mas para seguirmos em direção a Deus.
Porém, ainda não dissemos tudo sobre o rei Ezequias. Depois de ver a destruição do exército dos assírios e vencer uma doença mortal, “... Ezequias prosperou em toda a sua obra. Contudo, quando os embaixadores dos príncipes da Babilônia lhe foram enviados para se informarem do prodígio que se dera naquela terra, Deus o desamparou, para prová-lo e fazê-lo conhecer tudo o que lhe estava no coração” (2Cr32.30,31). É claro que Deus não precisa nos provar para conhecer os mistérios e segredos do nosso coração. Deus nos prova para conhecermos melhor a ele e a nós mesmos. No caso de Jó, sua provação o fez confessar: “... Na verdade, falei do que não entendia; cousas maravilhosas demais para mim, cousas que eu não conhecia... Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42.3,5,6).[1]
Nesta vida presente nada é absolutamente bom ou absolutamente mau. O mal absoluto está preparado para os ímpios. O bem absoluto está reservado aos filhos e filhas de Deus na vida futura. Assim, Paulo pôde dizer: “Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas cousas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas” (2Co 4.16-18).
“Não há portador de coroa nos céus que não tenha carregado uma cruz na terra” (Charles H. Spurgeon).



[1] Leia também as postagens intituladas “A última prova de Jó” .

Nenhum comentário:

Postar um comentário