domingo, 4 de julho de 2010

A tirania das circunstâncias

ou
As coisas que nos acontecem
Josivaldo de França Pereira


“Sabemos que todas as cousas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28)


Estou plenamente convicto de que, se não houvesse nenhuma outra passagem bíblica que confortasse tanto o nosso coração, Romanos 8.28 seria suficiente, como podemos perceber numa simples leitura do texto. Além disso, conforme observa William Hendriksen, “A presente passagem é uma espécie de sumário de 8.1-27. Ela prepara para o grande clímax que se encontra nos versículos 37-39 e até certo ponto é semelhante a ele”.[1] Geoffrey Wilson é preciso em seu destaque: “Este versículo é o ponto culminante do capítulo”.[2]
Se dividirmos Romanos 8.28 em três partes, podemos considerá-lo do seguinte modo:

1) “Sabemos que...”.

Existem, pelo menos, duas maneiras de alguém saber alguma coisa. A primeira delas é através da experiência. Paulo tem em mente que não somente ele, mas também os cristãos de Roma sabiam, por experiência própria, que todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus; ou seja, experiência do efeito sobre eles de saber como Deus trata com eles e com outros no passado. Essa experiência de vida com Deus deve nortear o nosso coração hoje também. Sabemos quem é Deus e o quanto ele tem feito, fez e fará por nós? Ter experiência com Deus significa andar com ele e experimentar dele o que disse o salmista: “... na tua presença há plenitude de alegria...” (Sl 16.11).
O segundo motivo que leva alguém a saber algo é a familiaridade. No caso do crente, seria a familiaridade com aqueles textos bíblicos específicos que ensinam que na providência de Deus todas as coisas resultam em bênçãos para os filhos e filhas de Deus. Quando lemos passagens que falam de José do Egito, Ana, Jó, etc., notamos como o nosso Deus reverte graciosamente o mal em bem. A Bíblia é o bálsamo da alma. Nela encontramos o conforto e refrigério nas horas difíceis. Deus fala hoje através de sua Palavra. Devemos lê-la e estudá-la diariamente, a fim de renovarmos as nossas forças e esperanças com alentadores exemplos bíblicos da bondade e providência de Deus.

2) “... todas as cousas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus,...”.

Veja que declaração preciosa. Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Todas as coisas, e nada menos que isso! Todas as coisas que estejam nos céus ou na terra. Todas as coisas boas ou ruins que nos aconteçam. Tudo que nos faz rir ou chorar. José, quando foi vendido por seus irmãos, certamente não compreendeu, a princípio, o porquê daquilo tudo. Não entendeu o porquê de ser injustiçado e lançado no cárcere por Potifar. Não conseguia entender e discernir os desígnios de Deus. Mas o Senhor, que nos faz enxergar e aceitar sua vontade após o temporal da vida, mostrou a José que tudo o que ele passou foi uma preparação para torná-lo governador do Egito e, muito mais que isso, ser o instrumento de Deus para salvar muita gente e, em especial, o povo de Israel. Deus reverteu o mal em bem.
Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. E com você, meu irmão, minha irmã, não é diferente. Portanto, fique firme. Aquilo que, porventura, você não está entendendo agora, você vai compreender logo, logo. Tenha fé em Deus. Ele é fiel em suas ricas promessas. Leia Filipenses 4.19.

3) “... daqueles que são chamados segundo o seu propósito.”.

Nem todas as coisas cooperam para o bem de todas as pessoas. O apóstolo Paulo deixa claro que é para aqueles que amam a Deus. Daqueles que amam ao Senhor porque ele os amou primeiro (cf. 1Jo 4.19). Em outras palavras, “daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Deus tem um propósito de vida para todos aqueles que o amam de coração. Esses são os chamados, ou, como se diz teologicamente, são os eficazmente chamados ou vocacionados por Deus. São aquelas pessoas “cujo coração e mente foram tão plenamente influenciados pelo Espírito Santo que se tornaram cônscias de sua pecaminosidade, começaram a discernir sua necessidade de Cristo e o abraçaram como seu Senhor e Salvador”.[3] De acordo com o Breve Catecismo de Westminster, “Vocação eficaz é a obra do Espírito Santo, pela qual, convencendo-nos de nosso pecado e de nossa miséria, iluminando nosso entendimento pelo conhecimento de Cristo, e renovando a nossa vontade, nos persuade e habilita a abraçar Jesus Cristo, que nos é oferecido de graça no Evangelho”.[4]
Vocês, meu irmão e minha irmã, são vidas preciosas que pertencem ao Senhor. Nada neste mundo ou fora dele é capaz de separá-los do amor de Deus, em Cristo Jesus. Creiam nisso.
Deus os abençoe.


[1] William Hendriksen, Comentário do Novo Testamento: Romanos. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, p. 370.
[2] Geoffrey B. Wilson, Romanos: um resumo do pensamento reformado. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1981, p. 126.
[3] Hendriksen, op. cit., p. 374.
[4] O Breve Catecismo de Westminster. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, p. 34.

2 comentários:

  1. Que msg renovadora...
    Inspirou-me bastante.
    Obrigada Pastor!
    Tenha uma ótima semana.
    Elaine Costa.

    ResponderExcluir
  2. Oi Elaine, tudo bem? Que bom que você gostou da mensagem. Continue conosco. Um grande abraço.

    ResponderExcluir