segunda-feira, 16 de agosto de 2010

CONSIDERAÇÕES GERAIS ACERCA DOS DESAFIOS SOCIOECLESIAIS DA IGREJA EVANGÉLICA BRASILEIRA

Josivaldo de França Pereira

Nosso objetivo neste pequeno artigo é mostrar que a igreja evangélica brasileira só pode ser verdadeiramente missionária quando no desempenho de sua missão integral. E isso pode ser visto através de alguns desafios importantes.

A. Os desafios sociais da igreja

Não são poucos e nem pequenos os problemas sociais brasileiros. A igreja evangélica brasileira tem diante de si desafios enormes nessa área. Porém, de início, é preciso que encaremos com maturidade o dilema de até onde podemos e devemos nos envolver nestes desafios. Que a igreja evangélica brasileira não deve se esquivar de sua missão holística é o nosso comum acordo com a Declaração de Lausanne:
Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem a ação social evangelização, nem a libertação política salvação, afirmamos que evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão.[1]
É preciso, sim, que a igreja seja a consciência da sociedade e a voz profética que denuncia os desmandos desta mesma sociedade. A igreja deve encarar os desafios sociais brasileiros com seriedade e coragem. E até onde podemos e devemos ir nesta questão toda? Até onde os direitos sejam verdadeiramente assegurados, o amor ao próximo evidenciado, a moral dignificada, o evangelho e o bom testemunho não sejam prejudicados e, sobretudo, o nome de Jesus Cristo seja glorificado.

B. Os desafios eclesiais da igreja

Certamente um dos maiores desafios da igreja brasileira na atualidade é vencer seus próprios desafios. Uma lição é preciso aprender com a igreja de Jerusalém. A igreja de Jerusalém estava consciente de sua missão no mundo. Era uma igreja unida em seus propósitos e se amava de verdade. Internamente ela estava pegando fogo, desejosa de pregar o evangelho, em obediência ao mandado de Cristo. Porém, externamente os desafios eram humanamente insuperáveis. Pilatos, Herodes e muita gente se levantaram contra a igreja de Deus. Então a igreja orou: "Agora, Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra, enquanto estendes as mãos para fazer curas, sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus" (At 4.29,30). E Deus atendeu ao clamor de sua igreja (At 4.31). Atendeu porque a igreja deixou de lado seus próprios interesses para servir a Deus no mundo.
Hoje, o que muito se vê, em nível de igreja local, é a própria igreja criando obstáculos para não fazer a obra do Senhor. Externamente, desfruta-se de uma liberdade religiosa como nunca se viu aqui no Brasil, mas, internamente, muitas de nossas igrejas estão presas e enfermas quando na verdade são elas que deveriam estar libertando e curando.[2]

CONCLUINDO: A igreja evangélica precisa resgatar sua missão terapêutica na sociedade de hoje, olhando para as pessoas não como seres divididos em compartimentos, mas como quem necessita de assistência na totalidade do seu ser.


[1] O Pacto de Lausanne. Série Lausanne. São Paulo: ABU Editora, 1984, iv.
[2] Cf. Dr. Ricardo ZANDRINO, Curar também é tarefa da igreja. São Paulo: Nascente, 1986, p. 51-87; Esly Regina CARVALHO, A igreja: comunidade terapêutica. In: STEUERNAGEL, Valdir R. (ed.). A missão da igreja. Belo Horizonte: Missão Editora, 1994, p. 373-382. Segundo David J. BOSCH (Missão transformadora: mudanças de paradigma na teologia da missão. São Leopoldo: Sinodal, 2002, p. 477), "A salvação em Cristo é salvação no contexto da sociedade humana rumo a um mundo íntegro e curado".

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