quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A graça contra-ataca

Josivaldo de França Pereira

A graça divina é o favor imerecido de Deus para quem está ou estava em débito com ele, ou seja, todo mundo, por causa do pecado da desobediência de nossos primeiros pais no jardim do Éden. O pecado causou uma desgraça monumental!
Embora a graça seja inerente à essência de Deus, ela se torna evidente e manifesta por ocasião do pecado. E mesmo que a entrada do pecado no mundo tenha sido uma tragédia de proporção gigantesca, não é ele, o pecado, que tem a última palavra em questões espirituais. Segundo Abraham Booth, graça “É o livre, absoluto e eterno favor de Deus, manifesto na concessão de bênçãos espirituais e eternas a culpados e indignos.” [1]
Após a queda dos nossos primeiros pais, a promessa de Deus veio logo em seguida como socorro divino para a humanidade, expresso no que Lutero chamou de protoevangelho (o primeiro evangelho): “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3.15). De acordo com Heber Carlos de Campos, “Deus não toma providências quando os problemas aparecem. Tudo já foi planejado devidamente, de tal modo que Deus não é apanhado de surpresa em nada do que acontece no mundo. A sua graça fez a eterna provisão para os nossos pecados.” [2]
A mesma graça é percebida ainda quando Deus expulsou Adão e Eva do paraíso, a fim de que não comessem da árvore da vida e vivessem eternamente (Gn 3.22-24). Viver eternamente, nesse caso, não seria a vida eterna abençoada, porém, significaria viver eternamente sob a maldição de Deus. Imagine se mesmo com a entrada do pecado no mundo não morrêssemos jamais!? Viveríamos o inferno na terra com nossas dores e doenças; angústias e tristezas sem fim. A velhice seria terrível e insuportável.
Em Cristo recebemos a verdadeira vida eterna, expressão da graça de Deus para conosco. “Porque todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça. Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo” (Jo 1.16,17). O Evangelho de Jesus Cristo, pela sua natureza, é chamado de “evangelho da graça de Deus” (At 20.24). Dos lábios de Jesus saíam “palavras de graça” (Lc 4.22). É ele quem confirma “a palavra da sua graça” (At 14.3). Como bem observou James Moffatt, “não havendo graça, não há evangelho”.[3]
A graça é um dos atributos de Deus que Paulo mais gosta. “Quando Paulo fala da graça de Deus ele não poupa elogios a ela. Ele usa expressões majestosas para qualificá-la.” [4] Ele diz, por exemplo, que a graça de Deus reina, é rica e abundante (Rm 5.17,21; 2Co 4.15; 9.8,14; Ef 1.7; 2.7). Na verdade o apóstolo chega a declarar que a graça é mais que abundante. Ela é superabundante! Diz ele: “... onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5.20). Segundo Calvino, “Depois que o pecado afundou e afogou os seres humanos, a graça é mais conhecida, evidente e magnífica que o pecado. Como uma correnteza transbordante, ela cresceu em abundância e não somente sobrepujou, mas também desfez este dilúvio de pecado.” [5]
O pecado é grande e forte, contudo, não mais que a graça de Deus. O pecado é grande e forte em relação a nós, mas ínfimo e impotente diante da graça de Deus. Por isso, o pecado sempre será contra-atacado pela graça em nosso favor. A graça nunca perde para o pecado.


[1]Citado por A. W. Pink em Os atributos de Deus. São Paulo: PES, 1985, p. 68,69. Veja também Abraham Booth, Somente pela graça. São Paulo: PES, 1986, p. 13-15.
[2] Heber Carlos de Campos, O ser de Deus e os seus atributos. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999, p. 290.
[3] James Moffatt, Grace in the New Testament. New York: Ray Long & Richard R. Smith, 1932, p. 15.
[4] Campos, op. cit., p. 290.
[5] Juan Calvino, Epistola a los Romanos. Grand Rapids: SLC, 1988, p. 151.

2 comentários:

  1. Muito edificante e confortador este post!
    Quando penso em graça não consigo de me lembrar as palavras de John Newton no seu hino "Amazing Grace": Quão maravilhosa graça (que doce som), que salvou um pobre miserável como eu..."

    Deus o abençoe!

    Daniel

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  2. Louvado seja o Deus Pai por nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e pelo divino Espírito Santo que testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.

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