segunda-feira, 2 de agosto de 2010

As Bênçãos do Presente e do Porvir no Breve Catecismo de Westminster – II

Josivaldo de França Pereira


Elaborado no século XVII pela famosa Assembléia de Westminster (Inglaterra), o Breve Catecismo forma, juntamente com o Catecismo Maior e a Confissão de Fé de Westminster, a tríade teológica dos símbolos de fé ou padrões doutrinários das igrejas presbiterianas de origem reformada.
O tema proposto divide-se em duas partes distintas. A primeira parte trata das bênçãos nesta vida; a segunda, das bênçãos referentes ao momento da morte e à vida no além.

II. AS BENÇÃOS DO PORVIR

Vimos na parte anterior que, de acordo com o Breve Catecismo, as bênçãos nesta vida são: a certeza do amor de Deus, a paz de consciência, a alegria no Espírito Santo e o aumento e perseverança na graça. Agora veremos, no mesmo Breve Catecismo, “Quais são as bênçãos que os fiéis recebem de Cristo na hora da morte?” (Pergunta 37) e também “Quais são as bênçãos que os fiéis recebem de Cristo na ressurreição?” (Pergunta 38).
1.   Na hora da morte
“Quais são as bênçãos que os fiéis recebem de Cristo na hora da morte?” (Pergunta 37). A morte do crente é, em si mesma, uma bênção (Sl 116.15; Ap 14.13). As bênçãos que aqui estudaremos estão diretamente relacionadas ao corpo e à alma dos crentes.
a)  Quanto às almas dos crentes
É dito que “As almas dos fiéis na hora da morte são aperfeiçoadas em santidade, e imediatamente entram na glória...” (Resposta 37). Compare essa afirmação com a confirmação de Lucas 23.43; Atos 7.55, 59; Filipenses 1.23; Apocalipse 14.13.
Ninguém é recebido na glória eterna sem que antes seja “aperfeiçoado em santidade”. Se Deus nos levasse para o céu como nos encontramos atualmente, o céu se transformaria num inferno, com certeza. A importância deste “aperfeiçoamento” se faz necessária devido ao fato que, nesta vida, a santificação não alcançou e nunca alcançaria a perfeição que convém aos santos. Os crentes ainda precisam lutar muito contra o pecado, enquanto viverem no mundo (1Rs 8.46; PV 20.9; Ec 7.20; Tg 3.2; 1Jo 1.8). Há uma luta constante entre a carne e o espírito na vida dos filhos de Deus, e até o melhor deles é pecador (cf. Rm 7.7-25). Mas alguém poderia perguntar: “Se não alcançamos a perfeição nesta vida terrena, por que devemos nos esforçar para conquistá-la?” (cf. Mt 5.48). A resposta é: Deus recompensará o nosso esforço (Fp 3.12-14). A santificação é e deve ser sempre progressiva em nossa vida. Subindo um degrau por dia, chegaremos ao topo da escada celestial!
No entanto, ainda resta-nos uma coisa. O que o Breve Catecismo pretende dizer quando afirma que por ocasião da morte as almas dos crentes (que nem morrem nem dormem), aperfeiçoadas em santidade, “imediatamente entram na glória”? O significado disso é que: Após a morte e antes da ressurreição dos corpos, as almas dos crentes já estão com o Senhor, desfrutando da bênção de sua presença.
b)  Quanto aos corpos dos crentes
O Breve Catecismo nos ensina que “... os corpos que continuam unidos a Cristo, descansam na sepultura até a ressurreição” (Resposta 37, cf. Jo 5.28, 29; 14.2, 3; 1Ts 4.14; Hb 12.22, 23).
É consoladora a verdade de que os corpos dos crentes “descansam na sepultura até a ressurreição”. A Bíblia nos ensina que “Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos” (Sl 116.15). E também: “Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham” (Ap 14.13). Não devemos entender que os corpos dos crentes que “descansam na sepultura” estão divinamente protegidos da decomposição. Muitos corpos já desapareceram por completo nas sepulturas, e aqueles que foram lançados ao mar ou cremados são ossos e cinzas, respectivamente. Com a expressão ”descansam na sepultura” o Breve Catecismo sugere que todos aqueles que morreram, independente de como morreram e como se encontram seus corpos atualmente, estão sob os cuidados do Senhor, aguardando o dia da ressurreição.
A mensagem da esperança cristã nos tempos apostólicos era a da ressurreição após a morte (Rm 8.19-25; 1Co 15; 1Ts 4.13-18). Ressuscitar e estar com Cristo tem sido realmente a sua maior esperança?
2. No dia da ressurreição
“Quais são as bênçãos que os fiéis recebem de Cristo na ressurreição?” (Pergunta 38).
a)  Na ocasião do juízo final
Diz o Breve Catecismo: “Na ressurreição, os fiéis, sendo ressuscitados em glória, serão publicamente reconhecidos e absolvidos no dia do juízo...” (Resposta 38, cf. Mt 10.32; 25.34; 1Co 15.43).
A ressurreição dos crentes é uma bênção porque eles ressuscitarão “em glória”. Não temos palavras para descrever essa “glória”. Haverá isenção de pecados e defeitos, sem dúvida. Mas como será, propriamente, o corpo glorificado dos salvos em Cristo Jesus, não sabemos ao certo. Semelhantemente não sabemos o que é o corpo de “desonra” que os ímpios terão. Creio que é o bastante sabermos isto: “Os corpos dos injustos serão pelo poder de Cristo ressuscitados para a desonra, os corpos dos justos serão pelo seu Espírito ressuscitados para a honra e para serem semelhante ao próprio corpo glorioso dele” (Confissão de Fé de Westminster, XXXII, 3; cf. At 24.15; Jo 5.28, 29; Fp 3.21).
Aprendemos ainda que seremos “publicamente reconhecidos e absolvidos no dia do juízo”. É quando ouviremos a doce e suave voz de Jesus dizendo: “... Vinde, benditos de meu Pai: entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt 25.34). É o dia em que estaremos diante do tribunal de Cristo (Rm 14.10; 1Co 5.10), não para sermos julgados e condenados, porém, para recebermos a nossa coroa, símbolo da justiça (2Tm 4.8) e da vida gloriosas (Ap 2.10).
b)  Resultará em felicidade sem fim
A conclusão da resposta 38 do Breve Catecismo é que no último dia os crentes serão “... tornados perfeitamente felizes no pleno deleite de Deus, por toda a eternidade” (cf. Sl 16.11). E não é essa a promessa do Senhor Jesus ao servo bom e fiel, subentendida na parábola dos talentos? “Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mt 25.21).
Não há coisa mais desejada na vida do que a felicidade. Só o fato de sabermos que estaremos para sempre com o Senhor, já nos enche o coração de grande alegria. Pois por melhor que seja a vida do crente aqui neste mundo, não podemos dizer sinceramente que nossa vida é céu. Somos constantemente alvejados por problemas e angústias em nosso viver. É impossível ser plena e ininterruptamente feliz neste mundo. Mas louvado seja o Senhor porque os crentes um dia serão “perfeitamente felizes no pleno deleite de Deus, por toda a eternidade”. O apóstolo João nos recorda dessa verdade quando diz: “Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras cousas passaram” (Ap 21.3, 4).

Em breve os mortos ressurgirão,
Todos os crentes se encontrarão.
Juntos, alegres, ao céu subirão
Quando Jesus regressar!
                                                                                           (A. D.)

                                                                                                                   Amém.


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