terça-feira, 17 de agosto de 2010

O Orgulhoso, fábula de Monteiro Lobato

Josivaldo de França Pereira


Monteiro Lobato (1882-1948) é um dos principais nomes da literatura brasileira. Escreveu prosas geniais, histórias infantis magníficas e contos que nos remetem ao ensinamento bíblico, como é o caso da fábula “o orgulhoso”. Vamos conferir?
“Era um jequitibá enorme, o mais imponente da floresta. Mas orgulhoso e gabola. Fazia pouco das árvores menores e ria-se com desprezo das plantinhas humildes. Vendo a seus pés uma pequena planta de haste fina e flexível, disse:
--- Que triste vida levas, tão pequenina, sempre à beira d’água, vivendo entre saracuras e rãs... Qualquer ventinho te dobra. Um tisio que pouse em tua haste já te verga que nem bodoque. Que diferença entre nós! A minha copada chega às nuvens e as minhas folhas tapam o sol. Quando ronca a tempestade, rio-me dos ventos e divirto-me cá do alto a ver os teus apuros.
--- Muito obrigada! – respondeu a plantinha ironicamente. – Mas fique sabendo que não me queixo e cá à beira d’água vou vivendo como posso. Se o vento me dobra, em compensação não me quebra e, cessado o temporal, ergo-me direitinha como antes. Você, entretanto...
--- Eu, quê?
--- Você, jequitibá, tem resistido aos vendavais de até aqui: mas resistirá sempre? Não revirará um dia de pernas para o ar?
--- Rio-me dos ventos como me rio de ti – murmurou com ar de desprezo a orgulhosa árvore.
Meses depois, na estação das chuvas, sobreveio certa noite uma tremenda tempestade. Raios coriscavam um atrás do outro e o ribombo dos trovões estremecia a terra. O vento infernal foi destruindo tudo quanto se opunha à sua passagem.
A plantinha, apavorada, fechou os olhos e curvou-se rente ao chão. E ficou assim encolhidinha até que o furor dos elementos se acalmasse e uma fresca manhã de céu limpo sucedesse àquela noite de horrores. Ergueu, então, a haste flexível e pôde ver os estragos da tormenta. Inúmeras árvores por terra, despedaçadas e, entre as vítimas, o jequitibá orgulhoso, com a raizama colossal à mostra.”
Esta belíssima fábula nos leva, pelo menos, a uma passagem bíblica: Ezequiel 31. Nessa passagem Faraó, o rei do Egito, é comparado a uma árvore frondosa e soberba, mas prestes a ser derrubada e destruída pela ira do Senhor, como ele fez com a poderosa Assíria. “Todas as aves do céu habitarão na sua ruína, e todos os animais do campo se acolherão sob os seus ramos, para que todas as árvores junto às águas não se exaltem na sua estatura, nem levantem o seu topo no meio dos ramos espessos, nem as que bebem as águas venham a confiar em si, por causa da sua altura; porque todos os orgulhosos estão entregues à morte e se abismarão às profundezas da terra, no meio dos filhos dos homens, com os que descem à cova” (Ez 31.13,14).
A soberba está entre os pecados que Deus mais detesta (Pv 8.13). “Olhar altivo e coração orgulhoso, a lâmpada dos perversos, são pecado” (Pv 21.4). A consequência para um coração elevado e um ego exaltado é a ruína. “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda” (Pv 16.18). “A soberba do homem o abaterá, mas o humilde de espírito obterá honra” (Pv 29.23). Daí a recomendação urgente e necessária do apóstolo Paulo: “Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos” (Rm 12.16).

Lembre-se: Quanto maior a altura, maior o tombo...

2 comentários:

  1. Graça e paz, pastor Josivaldo!!!

    Muito bom o texto: didático e explicativo!
    É bom sempre lembrar que para chegar a ser uma árvore frondosa de grande porte passamos por fazes delicadas que devem nos deixar bons exemplos de aprendizado, além de ter em mente que para crescer demora e, às vezes muito tempo, mas para cair é rapidinho, basta um minuto sem vigir!!!

    Um abraço!

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  2. É isso mesmo minha irmã. Agradeço pelo seu comentário. Agora só falta seguir meu blog, ok?
    Um grande abraço.

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