quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O reformador do mundo

Josivaldo de França Pereira


Certo homem tinha o hábito de pôr defeito em todas as coisas. O mundo para ele estava errado e a natureza equivocada.
“Aqui mesmo, neste pomar”, disse ele a um amigo, “você tem a prova disso”. “Ali está uma jabuticabeira enorme sustendo frutas pequeninas, e lá adiante vejo uma colossal abóbora presa ao caule duma planta rasteira. Não era lógico que fosse justamente o contrário? Se as coisas tivessem de ser reorganizadas por mim, eu trocaria as bolas, passando as jabuticabas para a aboboreira e as abóboras para a jabuticabeira.”
Assim discorrendo o homem dizia que tudo estava errado e só ele era capaz de dispor com inteligência o mundo. “Mas o melhor” – concluiu – “não é pensar nisto e tirar uma soneca à sombra destas árvores”. E estirou-se de papo para cima à sombra da jabuticabeira. Dormiu e sonhou com um mundo novo, reformado inteirinho pelas suas mãos.
De repente, no melhor da festa, plaf! uma jabuticaba caiu do galho e lhe acertou em cheio no nariz. O homem despertou de um pulo. Meditou sobre o caso e reconheceu, afinal, que o mundo não era tão mal feito assim. E seguiu para casa refletindo: “Pois não é que se o mundo fosse arrumado por mim a primeira vítima teria sido eu? Eu, eu mesmo, morto pela abóbora por mim posta no lugar da jabuticabeira? Hum! Deixemo-nos de reformas. Fique tudo como está, que está tudo muito bem”.
Aplicação:
Muitos princípios poderiam ser extraídos deste conto, mas penso que nada se compara ao fato de que às vezes agimos como “o reformador do mundo” quando nos achamos mais sábios que Deus e, portanto, as coisas podiam ser bem diferentes do que são. Quando temos um problema murmuramos: “Deus podia fazer assim ou assado”, até que no final aprendemos que Deus realmente sabe o que faz e nós não sabemos o que dizemos, pois se todas as coisas fossem feitas do nosso jeito os primeiros a serem acertados pelas “abóboras” da vida seríamos nós mesmos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário