terça-feira, 10 de agosto de 2010

Por que falar de predestinação?

Josivaldo de França Pereira


Não tenho a menor dúvida que a doutrina da predestinação pode ser ensinada a todos. Aos crentes e não-crentes; aos novos e velhos; aos adultos e também às crianças (respeitando-se, evidentemente, a faixa etária e o nível de compreensão de cada um). Pode ser falada tanto numa igreja antiga e tradicional, como numa igreja jovem e pentecostal, por razões que veremos logo adiante. No entanto, reconheço que nem todos estão aptos para ensiná-la ou até mesmo para ouvi-la. Os primeiros por não se disporem a estudá-la com o interesse e diligência que a doutrina da predestinação exige; os segundos, no caso dos maiores (talvez por terem sido instruídos de forma equivocada), por estarem cheios de preconceito e desconfiança não justificada acerca dessa doutrina. A ignorância leva ao erro.
Por que esta doutrina bíblica deve ser divulgada? Principalmente por causa disso mesmo, por ser uma “doutrina bíblica”. A doutrina da predestinação não é uma invenção humana. Ela é 100% bíblica e uma grande benção na vida de quem abre o coração para ela.
Qual deve ser nossa postura diante de tão sublime verdade? Os teólogos de Westminster foram precisos quando disseram: “A doutrina deste alto mistério de predestinação deve ser tratada com especial prudência e cuidado, a fim de que os homens, atendendo à vontade de Deus, revelada em sua Palavra, e prestando obediência a ela, possam, pela evidência de sua vocação eficaz, certificar-se de sua eterna eleição. Assim, a todos os que sinceramente obedecem ao Evangelho, esta doutrina fornece motivo de louvor, reverência e admiração para com Deus, bem como de humildade, diligência e abundante consolação” (CFW III,8).
Quando os teólogos de Westminster dizem que “a doutrina da predestinação deve ser tratada com especial prudência e cuidado”, não estão querendo dizer: “Atenção! Essa doutrina da predestinação é perigosa! Cuidado com ela!”. Muito pelo contrário, a continuação do artigo mostra que eles, na verdade, a incentivavam, pois o que eles estavam dizendo era exatamente isto: A doutrina da predestinação é um “alto mistério” que, por isso mesmo, não deve ser ignorada e, muito menos, banalizada, visto que uma de suas finalidades é levar o ser humano, salvo em Cristo Jesus, a “certificar-se de sua eterna eleição”, fornecendo-lhe “motivo de louvor, reverência e admiração para com Deus, bem como de humildade, diligência e abundante consolação”.
Além disso, o estudo da predestinação nos mostra que não devemos cair no erro da soberba e nem da falsa modéstia. Não podemos, por um lado, pensar que é possível ter domínio completo sobre esse assunto. A doutrina da predestinação é um “alto mistério”, mas, por outro lado, não devemos achar que ela não deve ser estudada de modo algum, com o argumento de que seu entendimento está além da nossa compreensão. O que dela estiver ao nosso alcance deve ser estudado sim, do contrário, pecaríamos contra Deus que nos deu a sua Palavra com a inspirada doutrina da predestinação. A Bíblia é clara: “As coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus; porém, as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Dt 29.29). “Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, assim não tropeçareis em tempo algum” (2Pe 1.10).

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