quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Atitudes para com o próximo

(A mensagem de Lucas 10.30-35)

Josivaldo de França Pereira

Um intérprete da lei se levantou com o intuito de por Jesus à prova, perguntando o que devia fazer para herdar a vida eterna. Jesus respondeu com duas outras perguntas: “Que está escrito na lei? Como interpretas?”. O homem respondeu citando os dois grandes mandamentos, ou seja: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Jesus disse que a resposta estava correta, e completou: “faze isto e viverás”. Não satisfeito com a objetividade do Mestre, querendo justificar-se, o intérprete da lei indagou: “Quem é o meu próximo?”. Jesus prosseguiu contando a famosa história de Lucas 10.30-35, na qual se destacam três atitudes distintas em relação ao próximo.

1. Uma atitude inaceitável: O que é seu é meu.

A atitude inaceitável foi executada pelos salteadores. Eles fizeram simplesmente um estrago no homem que seguia tranquilamente seu caminho, porque “depois de tudo lhe roubarem e lhe causarem muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o semimorto”. Uma atitude sádica, covarde e bandida é o mínimo que se pode esperar de gente assim. O ladrão nunca aparece para trazer boas-novas ou fazer o bem a quem quer que seja. Parece surgir do nada, de repente, sem aviso prévio, causando terror e tragédia na vida das pessoas. Jesus sintetizou muito bem a ação de um salteador quando disse no evangelho de João: “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir...” (Jo 10.10). A atitude inaceitável de um meliante resume-se nisto: “O que é seu é meu”.

2. Uma atitude não recomendável: O que é meu é meu.

A atitude não recomendável foi praticada pelo sacerdote e o levita. Ambos iam de Jerusalém para Jericó quando se depararam com um homem despido, ensanguentado e semimorto no meio do caminho. Note que o homem espancado pelos salteadores fazia o mesmo trajeto do sacerdote e o levita. Ele também “descia de Jerusalém para Jericó”. Isso indica que, no mínimo, ele era judeu e vizinho do sacerdote e do levita. Jericó era conhecida como a cidade dos sacerdotes e levitas. Provavelmente o sacerdote acabara de ministrar num culto e o levita de cantar no coral da Cidade Santa. Mas eles não praticaram o que fizeram lá. Adoração e louvor que não produzem compaixão para com o próximo não têm sentido para Deus. Religioso que não pratica o evangelho vai sempre “passar de largo” diante de quem precisa de ajuda. A atitude não recomendável de uma pessoa hipócrita e egoísta resume-se nisto: “O que é meu é meu”.

3. Uma atitude louvável: O que é meu é seu.

A atitude louvável foi realizada pelo samaritano. O homem que por natureza é odiado pelos judeus socorre um judeu. Ele fez o bem sem olhar a quem. É provável que ele tivesse um compromisso urgente, mas abriu mão de sua agenda para assistir ao necessitado. Socorrer uma vida vale mais que qualquer outra coisa. E foi o que o bom samaritano fez. Ele se aproximou do ferido, realizou os primeiros-socorros, transportou-o em seu próprio animal (indicando que ele mesmo seguiu a pé), levou-o para uma hospedaria e tratou pessoalmente dele. Não podendo ficar por mais tempo, no dia seguinte pediu que o hospedeiro cuidasse do homem ferido, pagando por isso. Contudo, retornaria para ver o próximo e indenizar o hospedeiro, caso este tivesse gastado alguma coisa a mais com o enfermo. A atitude louvável de uma pessoa bondosa e altruísta resume-se nisto: “O que é meu é seu”.

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