terça-feira, 5 de outubro de 2010

Verdadeira Adoração

Josivaldo de França Pereira
Jesus declarou à mulher samaritana: “Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores” (Jo 4.22,23). Hoje, quase dois mil anos após aquela declaração, Deus continua buscando adoradores que o adorem em espírito e em verdade. E quem são esses adoradores? Nosso Senhor deixou claro que Deus não vive numa busca desenfreada e desesperada por qualquer adorador. Ele não quer ser adorado por qualquer “tipo” de pessoa, por assim dizer, e muito menos de qualquer maneira. Ele é e sempre será adorado de verdade por aqueles que verdadeiramente lhe pertencem. O verbo grego zetéo (procurar, buscar) de João 4.23 sugere exatamente isso. O Pai busca seus eleitos com o intuito de torná-los seus adoradores.
Lembremos da história do profeta Elias e de seu lamento. Por duas vezes Elias se queixou a Deus: “Tenho sido zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida” (1Rs 19.10,14). A situação política, social e religiosa de Israel estava um caos nos tempos de Elias. O profeta se encontrava desanimado e abatido. Venceu triunfalmente os profetas de Baal, mas agora estava assustado com as ameaças da terrível rainha Jezabel. Elias sentia-se só e como único adorador do verdadeiro Deus na face da terra.
A resposta de Deus ao profeta foi: “Conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que não o beijou” (1Rs 19.18). Mais tarde o apóstolo Paulo citaria esse episódio para falar do futuro de Israel: “Pergunto, pois: terá Deus, porventura, rejeitado o seu povo? De modo nenhum! Porque eu também sou israelita da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Deus não rejeitou o seu povo, a quem de antemão conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura refere a respeito de Elias, como insta perante Deus contra Israel, dizendo: Senhor, mataram os teus profetas, arrasaram os teus altares, e só eu fiquei, e procuram tirar-me a vida. Que lhe disse, porém, a resposta divina? Reservei para mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos diante de Baal. Assim, pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça. E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça” (Rm 11.1-6). No texto grego o verbo “reservei” utilizado por Paulo está no aoristo, significando que o Senhor escolheu e conhece definitiva e profundamente seus adoradores. É importante e fundamental conhecer a Deus para que ele seja verdadeiramente adorado (cf. Jr 9.23,24; Os 6.3,6; Jo 17.3; 1Jo 2.4; 3.6), porém, mais importante do que conhecer a Deus é ser conhecido por Deus (cf. Ex 33.17; Jr 1.5; Jo 10.14,27; Rm 8.29; Gl 4.9; 2Tm 2.19).
“Conhecer a Deus é mais do que saber sobre ele; é entrar em contato com ele enquanto se revela a você e ser dirigido por ele à medida que toma conhecimento de você.”[1]                            


[1] J. I. Packer, O conhecimento de Deus. 2a ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1984, p. 31.

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