segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O Papel do Espírito Santo no Livro de Atos

Josivaldo de França Pereira


O livro de Atos é um exemplo fabuloso de prática cristã autêntica sob o comando do Espírito Santo. Eis que o Livro está aí, diante de nós, para ser conferido, lido e relido pelo povo evangélico ou não, sob uma nova (ou velha?) ótica: a ótica do Espírito missionário. Em Atos o Espírito Santo faz a diferença. O livro de Atos se torna único no Novo Testamento porque nele o Espírito Santo se revela como um Espírito missionário. Por isso, abordar o segundo tratado de Lucas numa perspectiva missiológica é fazer verdadeira justiça ao seu autor. Há teologia em Atos? É claro que sim. Mas apresentá-lo missiologicamente é a maneira mais natural de fazê-lo.

Sendo o Espírito Santo missionário, o que segue é consequência natural, isto é, a igreja neotestamentária formada a partir do Pentecostes passa a ser naturalmente uma igreja missionária. A relação Espírito-igreja é a chave do sucesso em Atos. No entanto, do começo ao fim de seu segundo livro, Lucas deixa claro que o Espírito Santo é quem comanda a igreja em sua missão. O Espírito Santo é Deus, e Deus soberano. Ele conduziu em triunfo a Igreja Primitiva em sua missão evangelística, sendo o mesmo Espírito a conduzir nos dias de hoje a igreja brasileira em sua tarefa missionária. Num estudo sistemático, podemos observar que o Espírito Santo é quem vocaciona, capacita e dirige soberanamente seus obreiros e a igreja na missão. Além disso, é ele quem vai adiante, abrindo portas e preparando o caminho para o sucesso da obra missionária. E o mesmo Espírito que vocaciona, capacita e dirige os missionários e a igreja na missão, além de preparar o campo, é quem transforma esse mesmo campo em base missionária.

A visão missionária é uma dádiva do Espírito para a igreja do Senhor Jesus. Praticar essa visão, como o fez a igreja de Antioquia, é entender o verdadeiro propósito para o qual a igreja de Jesus existe. Tudo que o Espírito Santo fez em Atos visava a ação missionária da igreja. O Pentecostes, por exemplo, não aconteceu para que a igreja vivesse em torno de si mesma, comodamente, degustando tão somente aquela experiência sobrenatural. No Pentecostes o Espírito Santo capacitou a igreja e continuaria capacitando-a para ser testemunha de Jesus em todo o mundo. Concedeu o que a igreja esperava e o que ela buscava: poder para testemunhar. Poder para proclamar as boas novas de Deus em Cristo Jesus, mas também poder para vencer o medo, a covardia e a timidez por Cristo Jesus. Os dons ou manifestações do Espírito (línguas, curas, profecias, etc.) foram dados pelo Espírito Santo com o objetivo de que a igreja testemunhasse de Jesus ao redor do mundo. Nada do que a igreja recebe do Espírito tem nela um fim em si mesmo.

No passado o Espírito Santo e a Igreja Primitiva deram continuidade ao que Jesus começou a fazer e a ensinar. Hoje, é possível que nosso maior desafio seja o de jamais esquecer que a missão do Espírito e da igreja cristã não terminou com Atos 28.

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