quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Três homens que marcaram a minha vida

Josivaldo de França Pereira

Nem sempre conseguimos expressar com palavras a riqueza do exemplo bíblico e estilo de vida cristã que alguns homens de Deus nos legaram. No entanto, é o que tentarei fazer, embora resumidamente, com as três pessoas que me marcaram profundamente.
· Reverendo Daniel Mariano da Silveira
Eu era adolescente quando conheci o Rev. Daniel. Lembro-me como se fosse hoje. Eu o vi pela primeira vez no salão social de nossa igreja. Confesso que à primeira vista não me impressionou muito. Todavia, aquele homem de estatura mediana, aparentando muita calma e de fala mansa, certamente não fazia ideia do quanto influenciaria a minha vida. A primeira vez que o vi pregar fiquei boquiaberto. Sua oratória era impressionante. As mensagens do Rev. Daniel, suas aulas na escola dominical e seus estudos bíblicos semanais eram muito bons. Eu me recordo de uma série de lições sobre os reis de Judá que ele ministrou em nossa igreja. Ele falava fácil, com muita clareza e propriedade.
O Rev. Daniel foi meu pai na fé. Com ele eu fiz a minha pública profissão de fé e batismo. Foi meu tutor eclesiástico, conselheiro e amigo; exemplo de pastor e referência para o meu ministério. Faleceu em 2005 aos 80 anos de idade.
· Presbítero Jorge Pereira Cabral
Presbítero Jorge Pereira Cabral, ou Jorginho para os íntimos, era simplesmente o Presbítero. Homem de Deus; homem de oração, grande exemplo de vida cristã. Gostava muito de pregar e lecionar. E para onde quer que o convidassem, lá estava ele, cheio de alegria e entusiasmo.
Eu tinha uns dezessete anos de idade quando participava com ele, nas tardes de domingo, dos cultos no ponto de pregação da igreja. Insistia comigo para que no próximo domingo trouxesse uma palavra aos irmãos que ali congregavam. E eu sempre protelava dizendo “ainda não”. Eu nunca tinha pregado antes. Morria de medo e vergonha. Mas um dia eu disse a ele que ia aceitar tão honroso convite. Hoje sou pastor. O presbítero Jorge faleceu em 1984, aos 83 anos de idade. Costumava dizer: “Tenho oitenta e três anos de idade, se Deus me der mais oitenta e três eu peço mais cinco de caixinha”. Ele amava viver. Morreu trabalhando, enquanto consertava o telhado de uma residência. Uma semana antes de se encontrar com o Senhor da Glória ele me disse que estava chegando a hora de cruzar os braços e que era bom saber que eu podia ficar no lugar dele, lá no ponto de pregação. O que de fato aconteceu.
· Presbítero Lau Veríssimo da Silva
O presbítero Lau foi quem me ensinou, através de seu exemplo, amor e zelo, como se deve pastorear uma igreja. De fato, era um presbítero-pastor. Gostava de visitar os irmãos, se preocupando com cada um deles. Fazia questão de estar todos os dias no templo, para manter a documentação da igreja e o rol de membros em dia, e acompanhar de perto alguma reforma. Sua filosofia de vida era se colocar ao lado dos pastores para servir. Foi meu braço direito durante os cinco anos que pastoreei a I. P. Ribeirão Pires. Era um homem incansável, sábio e muito crente. O tipo de pessoa que surge mais ou menos a cada cem anos na face da terra. Não foram poucas as vezes que o vi chorar pela igreja. Pouco antes dele falecer em 2002, aos setenta e três anos de idade, minha esposa e eu fomos visitá-lo, pois estava doente. Chorou por não poder trabalhar na igreja que ele tanto amava.
Quando cheguei em Ribeirão Pires eu era um jovem pastor recém-formado. O presbítero Lau, por toda vida, sempre foi muito educado e respeitoso comigo, chamando-me de “reverendo” e “senhor”. Eu não seria metade do que fui em Ribeirão e, até hoje, as minhas deficiências pastorais seriam ainda maiores e mais evidentes se Deus não tivesse colocado o presbítero Lau no meu caminho.
Concluindo: Penso que não seria exagero de minha parte dizer que esses homens se enquadram perfeitamente naquela declaração do autor aos Hebreus, ou seja, “homens dos quais o mundo não era digno”. E do que é dito acerca de Abel, é que eles também, mesmo depois de mortos, ainda falam.

Um comentário:

  1. Prezado Rev. Josivaldo, concordo quando diz que a "Sua oratório era impressionante.". Ele também foi um grande amigo e excelente pastor. Da mesma forma, influenciou muito positivamente minha vida. Forte abraço e que o Senhor abençoe tua vida e da família. Presb. Wagner Mesquita

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