quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

DOUTRINA E PRÁTICA

"Ora, se sabeis estas cousas, bem-aventurados sois se as praticardes" (João 13.17)

Josivaldo de França Pereira


Disse um erudito pregador que as palavras de Jesus em João 13.17 eram, na sua opinião, uma das palavras mais terríveis de toda a Bíblia. E é verdade, principalmente quando analisamos a questão dentro do princípio de que o crente precisa viver a vida cristã em seus detalhes. "Se a nossa vida cristã não está sendo vivida em minúcias, estamos negando a própria verdade que procuramos crer" (D. M. Lloyd-Jones). A doutrina, ou aquilo que afirmamos ser verdade de Deus, não terá valor prático em nós se não praticamos o que é bíblico. E quando não praticamos o que falamos acerca da Bíblia é porque não cremos naquilo que dizemos. E assim, nosso discurso não passa de retórica evangélica.

Doutrina e prática devem estar intimamente relacionadas e interligadas em nossa vida. A bem-aventurança, segundo Jesus, não consiste em apenas saber a doutrina, mas sim, em praticá-la. A doutrina é fundamental para que se tenha uma vida diária bem conduzida. Não é possível tratar de questões práticas, exceto à luz da doutrina. E o que é doutrina? Doutrina não são usos e costumes. "Aquela igreja não tem doutrina porque lá as mulheres não deixam os pêlo das perna crescer", dizem alguns. Doutrina também não é disciplina. "Fulano foi doutrinado porque fez o que não devia". A Doutrina é a Bíblia. A palavra de Deus inspirada, inerrante e infalível, aceita e ensinada de Gênesis a Apocalipse (Veja 2Tm 3.15-17).

A vida cristã deve ser determinada pela compreensão doutrinária, isto é, se falhamos em algum ponto da conduta e do comportamento, é porque não entendemos a doutrina. Escrevendo aos coríntios Paulo salientou: "Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes" (1Co 15.33). Por que Paulo falou isso num capítulo que trata da ressurreição dos mortos? É porque o entendimento equivocado ou a falta de compreensão bíblica da doutrina da ressurreição por parte dos coríntios estava levando aquelas pessoas a uma vida dissoluta. Por "más conversações" Paulo não estava se referindo a boatos e fofocas (o que também é diabólico), mas ao ensinamento distorcido da doutrina da ressurreição. Cedo ou tarde as consequências dessa má formação haveria de aparecer no comportamento daquela igreja. "As más conversações corrompem os bons costumes".

Por que em muitas igrejas existe falta de amor, de perdão, etc.? É porque muitos ainda não abriram a mente e o coração para compreenderem as verdades da lei do Senhor. Se não se arrependerem, certamente pagarão um alto preço por isso. Se existe em nós ira, maldade, ódio, amargor e um espírito não perdoador, é porque não damos conta de que o Espírito Santo habita em nós, e que o estamos entristecendo com os nossos pecados. Porém, não é possível continuar assim quando compreendemos a sã doutrina. Se falharmos na doutrina, consequentemente vamos falhar na prática também. Um dos maiores pecados que se comete atualmente é separar o Espírito Santo da doutrina, justamente porque a doutrina é o instrumento do Espírito para a nossa edificação. Por exemplo: se falharmos em amar o próximo é porque, infelizmente, ainda não entendemos a doutrina ensinada pelo Espírito que diz: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo".

Gostaria de concluir esta breve mensagem com as palavras oportunas de D. M. Lloyd-Jones: " (...) não há nada pior do que ignorar a doutrina e falar em ser prático. Os maiores fracassos na vida cristã que conheço são as pessoas que desvalorizam a doutrina e dizem: ‘Não estou interessado em sua teologia; comigo a prática é tudo’. De todas as pessoas essas são as que falham mais, como tem que ser, porque a conduta é determinada pela doutrina e pelo entendimento (da doutrina). Não há nada, repito, que seja mais fatal do que dizer que se deve contrastar o doutrinário com o prático".

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