quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Implicações da Missão Integral da Igreja

Josivaldo de França Pereira


O ponto de partida para as implicações da missão integral da igreja são o parâmetro bíblico e o contexto da igreja local. Tais implicações podem ser resumidas em dois princípios básicos:

1. A revisão de estruturas não-funcionais

O que muitas vezes tem contribuído, internamente falando, para um mau desempenho da igreja local em sua missão integral é a falta de estruturas que funcionem bem. Estruturas enrijecidas pelo tradicionalismo matam ou impedem a visão de uma igreja. A quebra de paradigmas, por exemplo, às vezes se faz necessária para que uma estrutura se torne funcional. Paradigma é uma palavra de origem grega que significa "modelo" ou "padrão". Os paradigmas podem ser definidos como "verdades" que se fixaram na mente, indicando um jeito de ser, viver ou fazer as coisas. Contudo, por uma questão de prudência e respeito àqueles que não pensam como você, é preciso que os paradigmas sejam quebrados aos poucos. As ideias devem ser amadurecidas no meio da comunidade, sem atropelos, mas progressivamente.[1]

As estruturas de uma igreja devem ser constantemente testadas por sua liderança, a fim de serem revitalizadas e, desse modo, servirem melhor o organismo. Tudo que não contribui para esse objetivo precisa ser mudado ou eliminado. Algumas coisas podem ser citadas como exemplos do que não devem passar pelo teste de qualidade de uma igreja local: liderança inibidora, horário e duração do culto inadequados, conceitos desmotivadores de administração das finanças, etc. Por meio de um processo constante de avaliação e renovação o surgimento de estruturas enrijecidas é evitado em grande parte.

2. A reafirmação do compromisso missionário

Por um descuido qualquer uma igreja pode esquecer-se de seu compromisso missionário. Para que isso seja evitado é necessário que os seus membros sejam constantemente lembrados do papel da igreja local na tarefa missionária. Uma igreja consciente de seu compromisso missionário jamais o esquece. E como revitalizar uma igreja que começou com tanto entusiasmo em missões e de repente esfriou? É preciso detectar a causa do esfriamento, trabalhar a visão missionária da igreja e o seu propósito no mundo como igreja de Cristo.

Se a igreja chegou a se empolgar com missões um dia é sinal que ela tem potencial para fazer de novo, com a graça de Deus, o que fez antes. Sermões e estudos bíblicos missionários, indicação de literatura sobre história das missões[2], livros que desafiem a igreja à prática da oração e contribuição missionárias[3], filmes evangelísticos e missionários como As primícias, Ee-taow, As listras da zebra, Mais forte que as armas, etc., além do auxílio de associações evangélicas e agências missionárias, certamente produzirão nela um novo alento.



[1] Cf. Paulo Solonca, Inovando uma igreja tradicional: Esquentando um povo querido sem queimar a casa. In: Ultrapassando Barreiras. São Paulo: Vida Nova, 1994, p. 119-136.

[2] Sugiro a leitura dos livros História das missões de Stephen Neill e Até aos confins da terra de Ruth A. Tucker (ambos da Editora Vida Nova).

[3] Recomendo pelo menos dois: A missão de interceder: oração na obra missionária de Durvalina Bezerra (Editora Descoberta) e O clamor do mundo de Oswald Smith (Editora Vida).

Nenhum comentário:

Postar um comentário