quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Breve reflexão sobre a paternidade de Deus e a nossa filiação

Josivaldo de França Pereira

Em sua exposição sobre O Pai Nosso, Lutero diz algo que pode ser perfeitamente aplicado aqui. Segundo ele, “pode existir entre todos os nomes um que nos relacione melhor com Deus que o nome de PAI? Como é carinhosa, suave, sentida e cordial esta palavra!”.[1] E ainda: O nome Pai “agrada a Deus mais que qualquer outro, e o comove também mais profundamente do que qualquer outra palavra, quando ele ouve que assim o invocamos”.[2]
R. B. Kuiper, lembrando que o natural segue o modelo do espiritual, salientou: “A razão pela qual a Escritura fala de Deus como Pai não é que ele de algum modo lembra os pais humanos, mas os pais humanos são assim chamados porque remotamente se assemelham a Deus. A paternidade de Deus é desde a eternidade. Antes que existisse a paternidade humana, Deus é Pai”.[3] De acordo com J. I. Packer, a adoção (por meio da qual nos tornamos filhos de Deus em Cristo Jesus), é o mais alto privilégio que o Evangelho oferece, maior ainda que a justificação.[4] “A adoção é maior por causa da riqueza do relacionamento com Deus que ela envolve”.[5]
O conceito de paternidade de Deus é revolucionário no Novo Testamento. O judeu não tinha costume de chamar a Deus de Pai e nem de se denominar filho de Deus. O Senhor Jesus ensinou aos seus discípulos e a nós que “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1.12,13; cf. Gl 3.26).
Em sua primeira epístola o apóstolo João declara: "Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus..." (1Jo 3.1). E Paulo complementa: "O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados" (Rm 8.16,17).
“Ser filho de Deus, portanto, não é um estado universal que todos adquirem pelo nascimento, mas um dom sobrenatural que se recebe através de Jesus. ‘Ninguém vem ao Pai’ – em outras palavras, é reconhecido por Deus como filho – ‘senão por mim’ (Jo 14.6). O dom da filiação a Deus se torna nosso, não por termos nascido, mas através do novo nascimento”.[6]
Na cruz Cristo pagou um alto preço para que você e eu fôssemos salvos gratuitamente. Isso nos leva a uma reflexão séria, no sentido que precisamos viver a vida cristã em compromisso diante de Deus e da sociedade; no relacionamento familiar e eclesiástico; numa vida de fé e obediência; de amor e adoração ao Senhor, de amor e serviço ao próximo; no testemunho cristão, conscientes do fato de que agora somos filhos de Deus.




[1] Martinho Lutero, O Pai Nosso. São Paulo: Editora Fittipaldi, 1965, p. 21.
[2] Ibidem.
[3] R. B. Kuiper, Evangelização Teocêntrica. São Paulo: PES, 1976, p. 107.
[4] J. I. Packer, O Conhecimento de Deus. 2ª ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1984, p. 188. (Itálicos do autor).
[5] Idem, p. 189.
[6] Idem, p. 183. 

2 comentários:

  1. Paz do Senhor, Pr. Josivaldo

    A paternidade de Deus é uma forma maravilhosa de entender e compreender o amor de Deus. Muitos têm dificuldade para aproximar-se de Deus e para vê-lo como Pai. Quando simplesmente abrimos nosso coração e entendimento, aceitamos que Deus é nosso Pai maravihoso, e como tal, ama seus filhos.

    Abraços
    Alex

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  2. Paz do Senhor, Pr. Josivaldo

    A paternidade de Deus é uma forma maravilhosa de entender e compreender o amor de Deus. Muitos têm dificuldade para aproximar-se de Deus e para vê-lo como Pai. Quando simplesmente abrimos nosso coração e entendimento, aceitamos que Deus é nosso Pai maravihoso, e como tal, ama seus filhos.

    Abraços
    Alex

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