terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A Espiritualidade de Deus

Josivaldo de França Pereira


A Bíblia exclui toda e qualquer redução da pessoa de Deus a um nível humano ao descrevê-lo como espírito (Jo 4.24). Uma vez que a palavra "espírito" tem a ideia básica de poder e atividade, a natureza espiritual de Deus refere-se à superioridade infinita da sua natureza sobre toda a vida criada. A fraqueza dos poderes deste mundo, incluindo os seres humanos e os animais, que são carne, é contrastada com Deus, que é espírito (Cf. Is 31.3; 40.6,7,25).

Como espírito, Deus é vivo. Ele possui em si mesmo uma vida infinita (Sl 36.9; Jo 5.26). A matéria é ativada pelo espírito, mas Deus é puro espírito. Ele é plenamente vida. Como tal, é a fonte da qual todos derivam a sua existência (Jó 33.4; Sl 104.30; At 17.28).

A natureza espiritual de Deus também proíbe quaisquer limitações dele, derivadas de um conceito materialista. Por esta razão, são proibidos todos os tipos de representações perceptíveis de Deus, quer sejam no âmbito físico ou mental (Ex 20.4; Dt 4.12,15-18). Ele não pode ser limitado pelo ser humano (1Rs 8.27; Jo 4.20,21; At 7.48; 17.25) e, portanto, todo aquele que o adora deve fazê-lo "em espírito e em verdade" (Jo 4.23).

Deus deve ser adorado como sendo distinto do lugar, da cerimônia ou de qualquer outra limitação sensorial e sensual do paganismo. Na verdade, Deus tem que ser separado dessas falsas concepções, porque são resultados de um conhecimento imperfeito acerca dele.

Mas se Deus é espírito, por que a Bíblia fala dele como tendo ouvidos, mãos, pés, boca, olhos e indo e vindo? Cada uma dessas expressões deve ser entendida apenas no sentido da compreensão humana. São expressões antropomórficas, isto é, o uso dessas palavras é para nos auxiliar na maneira de relacionar o finito com o Infinito. Como poderíamos entender e conhecer a Deus por meio de palavras, expressões e figuras que nunca compreendêssemos por nos serem desconhecidas? Além disso, essas expressões nos ajudam a entender ainda que Deus podia ser visto por meio de teofanias (manifestações externas, cf. Nm 12.8), mas jamais em sua essência espiritual (cf. Jo 1.18). "Deus tomou forma de homem (Gn 18.1-15), de fogo (Ex 3.2-4) e de fumaça (Ex 20.18-21) para revelar-se aos homens, mas essas teofanias não pertencem à sua natureza, pois ele é um espírito puríssimo e infinito" (H. C. Campos).

E o que a nós é revelado acerca de Deus o é na pessoa de seu Filho. A maior revelação visível de Deus é o Cristo vivo (Jo 14.8-10; Hb 1.3). Se Jesus não se encarnasse nunca conheceríamos, de fato e de verdade, o Pai celestial.

Que a espiritualidade de Deus não seja vista como estando ele distante de nós. O nosso Deus é o Deus presente (Sl 46.1); invisível mas real. Ele se importa com você e comigo. Em Isaías 57.15 está escrito: "Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e vivificar o coração dos contritos".

A invisibilidade de Deus é mais real e atuante do que a visibilidade de nossa existência e de nossos problemas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário