terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O Espírito Santo e a Bíblia

Josivaldo de França Pereira


"Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra" (2Tm 3.16,17).

"Sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana, entretanto homens [santos] falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo" (2Pe 1.20,21).

As passagens bíblicas que transcrevemos acima, assim como tantas outras que poderiam ser acrescentadas, mostram que a Bíblia tem um autor principal. "Ela é, em todas as suas partes, produção do Espírito Santo".[1]

Durante a História da Igreja surgiram conceitos diversos quanto à relação existente entre o Espírito Santo e a Bíblia. Os pelagianos e racionalistas sustentavam que a operação intelectual e moral da Bíblia era suficiente para produzir a salvação, independentemente do Espírito Santo. Os antinomianos, por outro lado, ensinavam que o Espírito Santo fazia tudo, independente da Palavra de Deus.

A igreja evangélica, por sua vez, sempre sustentou o seguinte: A Bíblia sozinha não é suficiente para salvar, e embora o Espírito Santo possa, geralmente ele não atua sem ela. Isso não significa que o Espírito seja subserviente à Palavra de Deus, e sim, que a soberania divina estabeleceu a livre atuação do Espírito mediante a Palavra. "Na aplicação da obra da redenção os dois trabalham juntos, o Espírito usando a Palavra como seu instrumento. A prédica da Palavra não produz o fruto desejado até que se torne eficaz pelo Espírito Santo".[2] A verdade é que o Espírito Santo honra a Bíblia, fala pela Bíblia e é reconhecido pela sua harmonia com ela. Por isso, os reformadores frequentemente se referiam às Escrituras como "a imagem do Espírito".[3]



[1] Louis Berkhof, Princípios de interpretação bíblica. 3a ed. Rio de Janeiro: Juerp, 1985, p. 56.

[2] Louis Berkhof, Manual de doutrina cristã. Campinas/Patrocínio: LPC/CEIBEL, 1985, p. 276.

[3] Juan Calvino, Institución de la religión cristiana. 3a ed. Países Bajos: Feliré, 1986, I.ix,2,3.

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