quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Por que sofremos?

Josivaldo de França Pereira

No início de meu pastorado (lembro-me como se fosse hoje!) fui indagado por uma jovem irmã sobre o porquê do sofrimento dos crentes. "Pastor, por que os crentes sofrem?", foi a pergunta sem titubear.
Na verdade, essa é uma pergunta antiga. Desde os tempos bíblicos encontramos uma ou outra pessoa se deparando com o dilema existencial do sofrimento. O Salmo 73, por exemplo, é um clássico dessa indagação. Nele encontramos Asafe se debatendo com a questão da prosperidade dos ímpios, uma vez que ele, sendo um homem temente a Deus, passava por provações que nem de longe os incrédulos experimentavam. A resposta de Deus a Asafe é simplesmente magnífica. Eu recomendo a você a leitura do Salmo 73, com calma, sem pressa, meditando e digerindo cada um de seus versículos. E para uma compreensão e aproveitamento ainda maiores, sugiro a você ainda a leitura do excelente livro Por que prosperam os ímpios? Estudos no Salmo 73 (Editora PES) de autoria do Dr. Martin Lloyd-Jones.
Voltando à indagação do porquê do sofrimento dos crentes, respondi à querida irmã que a Bíblia não diz em nenhum lugar que os crentes não deveriam sofrer ou que nunca sofrerão. Dentre as passagens bíblicas que lhe apresentei, mencionei o Salmo 41.3, que diz assim acerca daquele que teme a Deus: "O Senhor o assiste no leito da enfermidade, na doença, tu lhe afofas a cama". Repito: A Bíblia não promete em hipótese alguma ausência de sofrimento para o crente enquanto ele vive neste mundo, porém, ela nos garante a presença de Deus e de sua assistência em meio às nossas tribulações (cf. Sl 46.1). Deus nem sempre tirará o espinho de nossa carne conforme gostaríamos que ele o fizesse, mas com certeza ele sempre nos providenciará um santo remédio: o bálsamo de sua graça (cf. 2Co 12.9).
Em João 16.33 o Senhor Jesus diz: "...No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo". O apóstolo Paulo também nos ensina que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8.28). O que ele quer dizer com “todas as coisas” em Romanos 8.28 é que, tanto as coisas boas como as coisas ruins, têm um propósito definido na vida daqueles que pertencem a Deus. Talvez não compreendamos de imediato tudo que nos acontece nesta vida (cf. Jo 13.7), mas com certeza nada nos acontece por acaso. “Nas tuas mãos estão os meus dias”, diz o salmista (Sl 31.15). Deus nos ama e por isso sempre nos fará bem, mesmo quando aquilo que recebemos dele pareça-nos mal.
Precisamos aprender com os heróis da fé e, principalmente, com o Senhor Jesus Cristo, a ver o propósito de Deus em todos os acontecimentos de nossa vida. Talvez você, meu irmão, minha irmã, esteja vivendo dias de profunda angústia e dor. Saiba, porém, que o seu Deus nunca o desamparará. Aguente firme! Não desista de Deus, porque ele jamais desistirá de você. “Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando, pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti” (Is 43.2), diz o Senhor.
Seus sofrimentos podem ser agudos e intensos, no entanto, eles não têm o propósito de arruiná-lo. O propósito do sofrimento na sua vida é aproximá-lo de Deus e não afastá-lo dele. É para você conhecê-lo melhor, assim como dele você é conhecido. Deus tudo pode e nenhum dos planos que ele reservou para a sua vida poderá ser frustrado (cf. Jó 42.2).
Lembre-se: Deus não promete um caminho suave, mas a garantia da chegada; Deus não promete ausência de luta, mas a certeza da vitória. Siga em frente porque nada poderá separar você do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (cf. Rm 8.31-39).
“Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8.18).


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