quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

"Assim como nós perdoamos..."

Josivaldo de França Pereira


Uma das petições mais desafiadoras da Oração Dominical (ou Oração do Pai Nosso, ou do Senhor, como queira), e ao mesmo tempo a que exige de nós maior reflexão quando pronunciada, é a quinta petição que diz: "Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores" (Mt 6.12). Lucas 11.4 fala: "Perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo o que nos deve".

Nosso Senhor Jesus Cristo explica a importância dessa oração assim: "Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas" (Mt 6.14,15).

Até onde temos compreendido essa oração?

Observe que o texto sagrado não diz: "Perdoa-nos as nossas dívidas porque vamos perdoar aos nossos devedores". Pelo contrário, o que a Palavra de Deus nos ensina é: "Perdoa-nos as nossas dívidas (pecados) assim como nós temos perdoado (já perdoamos) aos nossos devedores (aqueles que nos tem prejudicado, seja por palavras ou ações)". Não fazemos essa observação por acaso. Precisamos sentir o peso da responsabilidade de uma oração que muitas vezes é feita de forma leviana. O significado das palavras "assim como" nesta petição é tremendamente desafiador, pois significa que só podemos ser perdoados por Deus se perdoamos os outros, ou, como disse acertadamente o professor R. V. G. Tasker, "se não mostrarmos espírito perdoador, não podemos esperar perdão para nós".

O Dr. David Martin Lloyd-Jones, em seus Estudos no Sermão do Monte, faz uma explanação interessante da quinta petição. Vale a pena transcrevê-la:

“Se pensarmos que os nossos pecados são perdoados por Deus, mas nos recusarmos a perdoar aos nossos semelhantes, estaremos praticando um grave erro; e isso será prova de que jamais fomos perdoados. O homem que sabe que foi perdoado em virtude do sangue vertido por Cristo, e nada mais, é o indivíduo que sente a compulsão de perdoar a outros. Não pode mesmo evitá-lo. Se realmente conhecemos a Cristo como nosso Salvador, então nossos corações serão quebrantados e não poderão mostrar-se duros, e nós não poderemos recusar o perdão a quem nos tiver ofendido. Se você está recusando a perdoar a quem quer que seja, então quero sugerir-lhe que você nunca foi perdoado por Deus. ‘E perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós temos perdoado aos nossos devedores’. Afirmo para a glória de Deus, e com a mais completa humildade, que sempre que eu me vejo perante Deus e percebo ao menos alguma coisa daquilo que meu bendito Senhor fez por mim, então me disponho a perdoar qualquer coisa que outrem tenha feito contra mim. Não posso reter o perdão, e nem ao menos quero retê-lo”.

Espantosa declaração, não é mesmo?

Mas em que consiste perdoar os nossos devedores? Perdoar os nossos devedores "consiste em lançar voluntariamente de nosso coração toda ira, ódio e desejo de vingança, e esquecer definitivamente toda injúria e ofensa que nos tenham feito, sem guardar rancor algum contra alguém" (João Calvino).

Perdoar é algo de tamanha importância para a nossa perfeita comunhão com Deus que Jesus achou por bem falar mais sobre esse assunto. Veja, por exemplo, Mt 5.23,24; 18.21-35 (principalmente o verso 35); Lc 6.37; 17.3,4.

Será que quando fazemos a Oração do Pai Nosso estamos sempre cientes do que pedimos na quinta petição?

Deus nos perdoou em Cristo apesar de nossos muitos e grandes pecados. Nossos pecados mataram o Rei da Glória. E até hoje pecamos. Por amor Àquele que tanto nos perdoou e ainda continua nos perdoando, perdoemos aqueles que pecam contra nós (cf. Mt 18.23-35). Pois não tem sentido fazermos a oração do Senhor, ou qualquer outra oração, se não perdoamos ao próximo. Será uma oração vã e, consequentemente, condenatória, porque Jesus condenou aqueles que oravam em vão (Mt 6.7).

O Senhor nos dê da sua graça para que sejamos verdadeiramente sinceros quando orarmos: "Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores". Portanto, quando orarmos o Pai Nosso, oremos neste espírito: "Perdoa-nos, ó Deus, assim como temos perdoado aos outros, por aquilo que tens feito por nós. Tudo quanto te pedimos é que nos perdoes da mesma maneira; não com o mesmo grau, porquanto tudo quanto fazemos é imperfeito. Por assim dizer, da mesma maneira que nos tens perdoado, nós temos perdoado aos outros. Perdoa-nos como nós os temos perdoado, por causa daquilo que a cruz de Cristo tem realizado em nosso coração".

2 comentários:

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