sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A Oração do Pai Nosso: Considerações Gerais

Josivaldo de França Pereira


A Oração do Pai Nosso, conhecida também como Oração do Senhor e Oração Dominical, foi considerada por Agostinho, Lutero e outros gigantes do passado como “a coisa mais maravilhosa de toda a Bíblia”.

O presente estudo trata-se de uma pequena introdução à oração que o Senhor Jesus ensinou. Nosso propósito é verificar porque ela é o modelo ideal para todas as outras orações e quais são os seus principais objetivos.

· O modelo perfeito de oração

De acordo com o Catecismo Maior de Westminster (CMW), resposta 186, “Toda a Palavra de Deus é útil para nos dirigir na prática da oração; mas a regra especial é aquela forma de oração que nosso Senhor Jesus Cristo ensinou aos seus discípulos, geralmente chamada “Oração do Senhor” (ou “Dominical”, conforme o Breve Catecismo).

Segundo Mateus, Jesus ensinou a Oração do Pai Nosso como um modelo a ser copiado (“Portanto, vós orareis assim...”); de acordo com Lucas, uma forma para ser usada (“Quando orardes, dizei...”). Assim, podemos utilizar a Oração do Senhor como ela é, e também como modelo para as nossas próprias orações. “Tudo o que é necessário para a alma e para o corpo, nosso Senhor Jesus Cristo incluiu na oração que ele mesmo nos ensinou”, declararam Zacarias Ursino e Gaspar Oleviano no Catecismo de Heidelberg.

A Oração Dominical é o modelo perfeito para as nossas orações por duas razões principais: (1) Foi dada aos discípulos (e por extensão a todos os filhos de Deus) pelo próprio Deus. O que a distinguia, sobremaneira, da oração hipócrita e mecânica dos fariseus e pagãos, respectivamente (Mt 6.5-7). “A economia de palavras, a maneira de sumariar aquilo que realmente importa, reduzindo tudo a algumas poucas sentenças, é algo que verdadeiramente proclama o fato que quem ensinou essa oração não foi outro senão o próprio Filho de Deus” (D. M. Lloyd-Jones). Enfim, é uma oração celestial que jamais foi ensinada por homem algum (Lc 11.1). (2) Nela encontramos os princípios fundamentais para todas as outras orações. Ou se preferir, essa oração é uma espécie de esboço no qual todas as outras orações devem seguir a estrutura estabelecida, isto é, sendo curta ou longa toda oração deve conter os mesmos princípios centrais da Oração do Pai Nosso. Na Oração Dominical “encontramos uma perfeita sinopse das instruções de nosso Senhor sobre como se deve orar e sobre o que se deve orar” (Jones).

· As partes integrantes da Oração do Pai Nosso

“A Oração do Senhor consiste de três partes: prefácio, petições e conclusão” (CMW, resposta 188). A oração segue o mesmo esquema em Mateus 6.9-13 e Lucas 11.1-4, embora seja mais condensada neste último.

Prefácio: “Pai nosso que estás nos céus”.

1. Primeira petição: “Santificado seja o teu nome”.

2. Segunda petição: “Venha o teu reino”.

3. Terceira petição: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”.

4. Quarta petição: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje”.

5. Quinta petição: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores”.

6. Sexta petição: “Não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal”.

Conclusão: “Teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém.”

· Os objetivos da Oração do Pai Nosso

Oração ao Pai, visando a sua glória. O prefácio, as três primeiras petições e a conclusão tratam de Deus e sua glória; ou seja, a glória de seu nome, reino e vontade. Oração ao Pai, visando as necessidades de seus filhos. As três últimas petições contemplam os filhos de Deus e suas necessidades materiais, morais e espirituais.

Como vimos, a Oração do Pai Nosso é o padrão por excelência para todas as nossas orações. Contudo, nada impede que ela seja repetida com freqüência, desde que sejamos cuidadosos em fazê-la com entendimento e coração, para que não se torne uma oração meramente formal e friamente mecânica; pecados que o Senhor Jesus tanto condenou. Sendo assim, amados, não somente a Oração Dominical, mas todas as nossas orações sejam verdadeiras expressões de glorificação a Deus e de nossas necessidades.


Literatura recomendada

BARTH, Karl. O Pai Nosso: a oração que Jesus ensinou aos discípulos. São Paulo: Novo Século, 2003.

LUTERO, Martinho. O Pai Nosso. São Paulo: Editora Fittipaldi, 1965.

PACKER, J. I. A Oração do Senhor. São Paulo: Cultura Cristã, 2009.

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