quarta-feira, 2 de março de 2011

Cristo e a Salvação no Antigo Testamento

Josivaldo de França Pereira


De que maneira as pessoas do Antigo Testamento eram salvas em Cristo Jesus, se ele ainda não havia se tornado homem? E como o Espírito Santo as regenerava e as salvava em Jesus? Simplesmente aplicando a obra redentora do Messias no qual eles criam (cf. Jó 19.25). A explicação desta aplicação no Antigo Testamento é entendida quando vamos ao Novo e lemos sobre o "Cordeiro que foi morto, desde a fundação do mundo" (Ap 13.8).

Desta maravilhosa declaração aprendemos que:

1. A expiação de Cristo é referida como algo determinado por Deus;

2. O princípio de sacrifício e redenção por parte de Cristo é mais antigo que o mundo;

3. Os decretos e propósitos de Deus são tão concretos e reais como o próprio acontecimento.

Quando a Trindade vivia na solidão da eternidade, a morte de Cristo já estava declarada como ocorrida desde a fundação do mundo. Portanto, a ausência do fato histórico da expiação de Cristo no Antigo Testamento não anula, de forma alguma, seu valor e significado para os crentes daquela época. Isso é fácil de ser entendido quando vemos os santos do Antigo Testamento oferecendo sacrifícios de animais a Deus e sendo perdoados e salvos. Não por causa dos sacrifícios em si, "porque é impossível que sangue de touros e bodes remova pecado" (Hb 10.4), mas eram perdoados e salvos porque criam na promessa simbolizada no sistema sacrificial.

O Novo Testamento nos dá claras indicações, e declarações explícitas, que os sacrifícios de animais no Velho Testamento foram símbolos do mais excelente sacrifício de Cristo (Cl 2.17; Hb 9.23,24; 10.1; 13.11,12). Donald Guthrie é verdadeiro quando diz que o "sistema sacrificial do Antigo Testamento tinha validez somente porque prenunciava o sacrifício supremo e definitivo de Cristo" (D. Guthrie, Hebreus: Introdução e Comentário, p. 191). Martin Lloyd-Jones é ainda mais preciso quando declara que eles "faziam essas ofertas pela fé. Criam na palavra de Deus, que ele um dia no porvir proveria um sacrifício, e pela fé se mantiveram firmes nisso. Foi a fé em Cristo que os salvou..." (D. M. Lloyd-Jones, A Cruz: A Justificação de Deus, p. 10).

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