segunda-feira, 2 de maio de 2011

Quem são os "lhes" de Lucas 23.34?

Josivaldo de França Pereira


Na cruz do Calvário Jesus orou: “... Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem...” (Lc 23.34). Quem são os lhes para os quais Jesus pede ao Pai que perdoe?

Segundo Robertson, "Jesus evidentemente está orando pelos soldados romanos, que estavam apenas cumprindo ordens, mas não pelo Sinédrio".[1] Hendriksen discorda de Robertson quanto à exclusão do Sinédrio.[2] Kevan entende que essa é "uma oração não só para os soldados romanos, mas também para os judeus".[3] Morris argumenta que a oração de Jesus "Não define restritamente aqueles em prol dos quais ele ora, e seu lhes provavelmente inclua tanto os judeus que eram responsáveis pela crucificação quanto os romanos que a levaram a efeito (cf. At 2.23; 3.17; 13.27,28; 1Co 2.8)".[4]

Barnes diz que não fica claro se Jesus está se referindo "aos judeus ou aos soldados romanos. Talvez se refira a ambos".[5] Champlin inclui a todos nessa oração: "Os intérpretes se equivocam quando tentam limitar as aplicações dessa declaração, dizendo 'não Pilatos', e nem os 'escribas e fariseus', etc., por terem pecado contra o conhecimento e a luz".[6] Lenski é cauteloso ao responder a pergunta que ele mesmo faz, Estavam Caifás e Pilatos incluídos? "Nós preferimos não fazer julgamentos individuais, pois somente Deus conhece os corações e o grau de pecado deles por falta de melhor conhecimento".[7]

O Sinédrio, enquanto instituição e organização, realmente não estava incluído nessa oração; porém, indivíduos, membros do Sinédrio, não podem ser descartados dela. Nicodemos, Paulo e outros, são exemplos disso. Os judeus também foram lembrados. Não o povo como um todo, mas muitas famílias e indivíduos foram salvos por causa dessa oração. Do mesmo modo, todos aqueles que posteriormente viriam a crer em Jesus, sendo judeus ou gentios.[8]

Por causa dessa oração o Pai reteve sua ira ao deixar de derramar de imediato sua fúria sobre os pecadores. Haja vista que a queda de Jerusalém não ocorreu imediatamente. Por um período de cerca de quarenta anos o evangelho da salvação foi amplamente proclamado aos judeus. No dia de Pentecostes quase três mil foram salvos (At 2.41); pouco mais tarde "Muitos, porém, dos que ouviram a palavra a aceitaram, subindo o número de homens a quase cinco mil" (At 4.4). E "também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé" (At 6.7). Paulo, outrora perseguidor da Igreja e principal dos pecadores, também foi salvo (At 9.1-19; 1Tm 1.12-17).

Nós estávamos lá, representados por aqueles que crucificaram o Senhor da glória. No entanto, em razão daquela oração, também fomos alcançados e perdoados.[9]

Glória a Deus! Louvado seja o Senhor!



[1] A. T. Robertson, Word pictures in the New Testament: the gospel according to Luke, Vol. II. Grand Rapids: Baker Book House, 1930, p. 285.

[2] William Hendriksen, New Testament commentary: exposition of the gospel according to Luke. Grand Rapids: Baker Book House, 1981, p. 1029.

[3] E. F. Kevan, O evangelho segundo S. Lucas. In: O Novo Comentário da Bíblia, Vol. II. São Paulo: Vida Nova, 1987, p. 1056.

[4] Leon L. Morris, Lucas: introdução e comentário. Série Cultura Bíblica. São Paulo: Vida Nova/Mundo Cristão, 1986, p. 306,7.

[5] Albert Barnes, Notes on the New Testament: the gospels. Grand Rapids: Baker Book House, S/d, p. 156. (Itálicos do autor).

[6] R. N. Champlin, O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. Vol. 2. São Paulo: Hagnos, 2002, p. 229.

[7] R. C. H. Lenski, The interpretation of St. Luke's gospel. Minneapolis: Augsburg Publishing House, 1946, p. 1134.

[8] Cf. Hendriksen, op. cit., p. 1029.

[9] Veja mais sobre Lucas 23.34 em meu texto “A última oração de Jesus” no site www.ejesus.com.br.

2 comentários:

  1. Linda postagem, belo conteúdo, boa conexão contextual e sobretudo uma esplêndida exposição da Palavra. Deus lhe acrescente sabedoria a cada dia e teu ministério seja cada vez mais profícuo. Fica na paz amado!!!

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  2. Obrigado querido. Um forte abraço e que Deus o abençoe grandemente.

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