sexta-feira, 3 de junho de 2011

A Grande Tribulação


Josivaldo de França Pereira

Uma das principais perguntas que se levantam em relação a esse tema é: Passará a Igreja de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo pela Grande Tribulação? Já ouvi dizer que a Grande Tribulação é “a ausência do Espírito Santo e que, portanto, o Espírito jamais se ausentaria da Igreja”. Que o Espírito Santo nunca deixaria a Igreja é certo. Agora, baseado em quê alguém diria que a Grande Tribulação é a ausência do Espírito? O fato de existir tribulação não quer dizer que Deus não esteja com os atribulados. A Bíblia é muito clara quanto a isso. O Salmo 46.1 diz: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações”.
Não há nenhuma evidência bíblica de que a Igreja não passará pela Grande Tribulação. Muito pelo contrário! A Bíblia parece ser muito objetiva ao afirmar que a Igreja do fim dos tempos passará, sim, pela Grande Tribulação. Comentando Mateus 24, Hoekema observa: “Não há indicação nas palavras de Jesus que façam pensar que a grande tribulação que ele predisse se limitará aos judeus, e que os cristãos gentios ou a igreja, diferentemente dos judeus, não terão que passar por ela. Este ponto de vista, que os dispensacionalistas costumam ensinar, não tem base nas Escrituras. Porque se a tribulação, como acabamos de ver, deve ser sofrida pelos cristãos ao longo de toda era, que razão existe para limitar a tribulação final aos judeus? Que razão há para limitar os escolhidos, por cuja causa os dias da tribulação final serão abreviados (Mt 24.22), aos escolhidos entre os judeus? Não sugere, por acaso, a referência posterior que Jesus fez à reunião de escolhidos ‘dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus’ (v31) que ele está pensando aqui em todo o verdadeiro povo de Deus, e não somente nos escolhidos entre os judeus?”.[1] 
Temos ainda, em Apocalipse 7.9-17, a visão que João teve dos glorificados. Uma multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas que, diante do trono e do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas e com palmas nas mãos, louvavam em alta voz ao nosso Deus e ao Cordeiro. O mesmo fizeram todos os anjos, os anciãos e os quatro seres viventes que, prostrados, adoravam a Deus. Diz o apóstolo: “Um dos anciãos tomou a palavra, dizendo: Estes, que se vestem de vestiduras brancas, quem são e donde vieram? Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro” (Ap 7.13,14). Hendriksen explica: “É preciso ter-se constantemente em mente que esta seção [do Apocalipse] tem como tema: a Igreja em meio à tribulação. (...). Não obstante, torna-se-nos claro que a Igreja não permanece na tribulação. A multidão incontável é composta de indivíduos que ‘saem da’ grande tribulação”.[2]
Por que a Grande Tribulação é chamada de “grande”? É porque todas as outras que a antecedem são “menores”. A Grande Tribulação “não será basicamente diferente das tribulações anteriores que o povo de Deus tem sofrido, porém, será uma forma intensificada dessas tribulações prévias”.[3] Hoekema diz que embora as palavras de Jesus em Mateus 24 “tenham um característico sabor judeu em caráter e ambiente (‘Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno, nem no sábado’, v20), as palavras ‘nem haverá jamais’ [v21] e a referência ao encurtamento dos dias por causa dos escolhidos, indicam que Jesus está predizendo uma tribulação tão grande que superará qualquer tribulação similar que a tenha precedido. Em outras palavras, Jesus está aqui olhando adiante da tribulação que espera os judeus no tempo da destruição de Jerusalém, para a tribulação final que ocorrerá no fim desta era. Isto se vê nos versículos 29 e 30 onde Jesus passa a indicar que esta ‘grande tribulação’ precederá imediatamente a sua Segunda Vinda”.[4]
Se compararmos a Grande Tribulação com os sofrimentos da vida presente, podemos dizer com Paulo que estes ainda são uma “leve e momentânea tribulação” (2Co 4.17). Quantos, com base no livro de Atos e 2Coríntios 11 e 12, poderiam afirmar com toda a segurança que sofreram tanto como o apóstolo Paulo? É verdade que até hoje muitos cristãos têm experimentado perseguições por sua fé em países controlados por governos anticristãos, mas a Grande Tribulação ainda está por vir.[5]





[1] A. A. Hoekema. La Bíblia y el Futuro. Grand Rapids: SLC, 1984, p. 174.
[2] William Hendriksen. Mais que vencedores: interpretação do livro do Apocalipse. São Paulo: Cultura Cristã, 1987, p. 139,40. Negritos do autor.
[3] Hoekema, op. cit., p. 174. Veja também W. Hendriksen, op. cit., p. 140.
[4] Hoekema, op. cit., p. 173,74. V. t. Louis Berkhof. Teologia Sistemática. 7ª ed. Espanhola. Grand Rapids: T.E.L.L., 1987, p. 838,39.
[5] Nesse ponto discordo de Antony A. Hoekema e William Hendriksen quando sugerem que alguns cristãos já estão passando pela Grande Tribulação. Cf. Hoekema, op. cit., p. 174; W. Hendriksen. A vida futura segundo a Bíblia. 2ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p. 154.   

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