quarta-feira, 1 de junho de 2011

O Deus Pai segundo o Deus Filho

Josivaldo de França Pereira

Quanto afeto a palavra “Pai” expressa quando proferida pelo Filho Unigênito, percebe-se na ênfase que Jesus dá à paternidade de Deus. O número de vezes em que a palavra “Pai” é aplicada a Deus nos evangelhos é mais do que o dobro do número de ocorrências nos demais livros do Novo Testamento.
Jesus falava constantemente de Deus como "meu Pai" porque entre eles há um vínculo familiar no mais absoluto e perfeito sentido que o termo "família" possa significar. O relacionamento entre o Pai e o Filho em sua plenitude está além da compreensão humana. Jesus nunca liga seus discípulos a si mesmo nas alusões ao seu relacionamento filial com o Pai, de tal maneira que sugira que eles tenham o mesmo tipo de relacionamento com Deus.
Nosso Senhor tinha consciência de estar num relacionamento íntimo e sem paralelo. Dizia ser o Filho preexistente eterno, co-igual ao Pai, que se encarnou visando o cumprimento de seu propósito de salvação, sendo nomeado por ele como o único Mediador entre Deus e os homens.[1] Por isso, ser submisso à vontade de Deus, a ponto de entregar a própria vida por pecadores, representou a maior prova de amor de Jesus ao Pai e a nós.
A segunda pessoa da Trindade recebe o nome de "Filho" ou "Filho de Deus", todavia, esse nome não lhe é aplicado sempre no mesmo sentido. Considerado tão somente como a segunda pessoa da Trindade ele é chamado de Filho de Deus por causa de sua geração eterna pelo Pai (Jo 1.14,18; 3.16,18; Gl 4.4). Ele também recebe esse nome em um sentido oficial por ocasião de sua encarnação, para designá-lo como o Messias escolhido de Deus (Mt 8.29; 26.63; 27.40; Jo 1.49; 11.27).
E, por último, é chamado de "Filho de Deus" pelo menos em uma passagem, em virtude de ter sido gerado pelo Espírito Santo em seu nascimento virginal (Lc 1.32,35). Ele é um com o Pai em sua natureza divina (Jo 5.18; 10.30) e no propósito da entrega de si mesmo por amor (Jo 3.16; Rm 5.8).
Na cruz o Filho foi desamparado pelo Pai quanto ao pecado que levava, mas foi ouvido em sua oração quanto ao papel de Mediador que desempenhava.



[1] Cf. W. J. Cameron, Deus como Pai. In: Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Vol. III. São Paulo: Vida Nova, 1990, p. 79.

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