sábado, 2 de julho de 2011

A Igreja de Éfeso


Josivaldo de França Pereira


A igreja de Éfeso foi plantada pelo apóstolo Paulo durante sua terceira viagem missionária, em meados do ano 54 A. D., na província da Ásia, região ocidental da Ásia Menor. Paulo trabalhou durante três anos na cidade de Éfeso (At 19; 20.31). Foi da prisão em Roma, por volta do ano 62, que ele redigiu a Epístola aos Efésios. Timóteo estava pastoreando a igreja de Éfeso quando o apóstolo escreveu duas cartas ao seu filho na fé (1Tm 1.3). Acredita-se que João, o apóstolo amado, residia nessa cidade quando foi levado para a ilha de Patmos.
A igreja de Éfeso está entre as quatro igrejas do Apocalipse que receberam críticas e elogios do Cristo glorificado. Ela foi elogiada especialmente por sua dedicação doutrinária e criticada por ter abandonado seu primeiro amor – a prática das primeiras obras. A igreja de Éfeso lembra algumas igrejas e concílios que conheci: muito zelo doutrinário e pouco amor. Em minha própria denominação, Igreja Presbiteriana do Brasil, temos igrejas que são muito cuidadosas com a sã doutrina e herança reformada. Igrejas que se orgulham bastante de sua teologia calvinista. Quanto a isso não há nada de errado. A nossa doutrina é boa mesmo. É bíblica! O problema é que muitas vezes falhamos no amor e na misericórdia com quem pensa um pouco diferente da gente. Não são raras as vezes que julgamos e rotulamos conciliares e colegas, simplesmente porque discordam nalgum ponto de nós. Além disso, nossas igrejas locais, salvo exceções, frequentemente são apáticas no relacionamento fraternal e indiferentes com aqueles que nos visitam em “nossos” templos.  
Assim como a igreja de Éfeso, muitas igrejas de hoje também deixaram de ser o que foram no passado – igrejas verdadeiramente amorosas. Como eu disse, conheço algumas delas, e olha que não sou tão velho assim. Falo de igrejas que até pouco tempo eram vibrantes, caridosas e aconchegantes, mas atualmente estão num desfalecimento espiritual que é de assustar. Desvelo doutrinário é bom, porém, se o amor ficar em segundo plano de nada adianta. Paulo disse aos coríntios que o amor é tudo. Pouco importa ser isso ou aquilo, fazer bem uma coisa ou outra. Se não tiver amor de nada serve.
A ordem do Cristo glorificado é o retorno ao primeiro amor. Daquele amor a Deus sobre todas as coisas, e também do amor demonstrado ao necessitado de afeto e de recursos. Precisamos clamar ao Espírito Santo por um avivamento que só ele pode nos dar, pois o tempo está passando e o amor de muitos se esfriando. Jesus disse que por se multiplicar a iniquidade o amor de muitos se esfriará. Imagino que muitas igrejas irão conseguir manter o zelo doutrinário até o fim, porém, muitas dessas mesmas igrejas terão abandonado de vez seu primeiro amor.
À igreja de Éfeso, e para aquelas que estão seguindo no caminho dela, a exortação de Jesus é contundente: “Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras...” (Ap 2.5).

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus”
(Ap 2.7)


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