sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Por que nós, presbiterianos, batizamos nossas crianças?

Josivaldo de França Pereira

Talvez o primeiro passo para se compreender porque as crianças devam ser batizadas seja respondendo a pergunta: Por que os adultos são batizados? Os adultos devem ser batizados porque eles são estranhos ao pacto da graça, e somente o arrependimento de seus pecados e o selo do batismo introduzem-nos dentro do pacto. O pré-requisito para o batismo cristão é a fé em Cristo Jesus. “Mas as crianças creem?”, perguntaria alguém. “Os textos bíblicos que falam da fé como pré-requisito para receber o batismo, não se referem às crianças. A prova é que Marcos (16.16), depois de citar as palavras de Cristo – ‘quem crer e for batizado será salvo’ – registra também – ‘quem, porém, não crê, será condenado’. Ora, se as crianças não são capazes de crer e, por isso, não podem ser batizadas, elas estão condenadas. No entanto, Jesus afirmou: ‘... das tais é o reino de Deus’, e sem qualquer referência à fé”.[1]
Os filhos de pais crentes estão naturalmente dentro do pacto de Deus com seus pais. O batismo é o sinal e selo externo desse pacto. O batismo é "um sinal da aliança (como a circuncisão, mas sem derramamento de sangue) e, portanto, um sinal da obra de Deus realizada a nosso favor, que antecede e possibilita nossa própria atuação correspondente".[2] Por isso, "Enquanto houver oração no Espírito e uma disposição de pregar a palavra evangélica quando vier a oportunidade, as crianças pequenas podem ser incluídas dentro da esfera desta obra vivificante da qual o batismo deve ser o sinal e o selo".[3]
A Confissão de Fé de Westminster é incisiva quando diz: “Não só os que de fato professam a sua fé em Cristo e obediência a ele, mas também os filhos de pais crentes (ainda que só um deles o seja) devem ser batizados” (XXVIII, 4). Igualmente, o Catecismo de Heidelberg, em sua pergunta e resposta de número 74: “Há de se batizar também as crianças? Naturalmente, porque estão compreendidas, como os adultos, no pacto, e pertencem à Igreja de Deus. Tanto a elas como aos adultos é prometido, pelo sangue de Cristo, a remissão dos pecados e o Espírito Santo, operador da fé; por isso, e como sinal deste pacto, devem ser incorporadas à Igreja de Deus e diferenciadas dos filhos dos infiéis, assim como se fazia no pacto do Antigo Testamento pela circuncisão, cujo substituto é o Batismo no Novo Pacto”.[4]
“Embora o batismo e a circuncisão não sejam idênticos, têm pontos cruciais em comum. Ambos são sinais da aliança e sinais da fé. No caso de Abraão, ele abraçou a fé depois de adulto e fez uma profissão de fé antes de ser circuncidado. Ele tinha fé antes de receber o sinal desta fé. Seu filho Isaque, no entanto, recebeu o sinal da fé antes que tivesse a fé que o sinal simbolizava (como foi o caso de todos os outros filhos da aliança).”[5]
“O ponto crucial é que, no Antigo Testamento, Deus ordenou que o sinal da fé fosse dado antes que a fé estivesse presente. Visto que esse era claramente o caso, seria um equívoco argumentar em princípio que é errado administrar um sinal de fé antes que a fé esteja presente.”[6]
A base bíblica para o batismo de infantes (pedobatismo) está em Gênesis 17. Do mesmo modo como a circuncisão introduzia a criança no pacto, assim o faz o batismo. “Em geral, a Nova Aliança é mais inclusiva que a Antiga Aliança. Aqueles que contestam a validade do batismo de crianças estão tornando a Nova Aliança menos inclusiva com relação às crianças, a despeito da ausência de qualquer proibição bíblica contra o batismo de crianças”.[7] Não temos certeza se nas casas de Atos 16.15,33 e 1Coríntios 1.16, por exemplo, havia crianças, mas se havia, então certamente foram batizadas por causa da aliança de Deus. "Visto que o batismo tomou o lugar da circuncisão (Cl 2.11-13), as crianças devem ser batizadas como herdeiras do reino de Deus e de seu pacto" (Form for the Baptism of Infants).[8]
Que os filhos de pais crentes, ou aqueles que têm um dos pais crentes, devem ser batizados sobre a base de suas relações de pacto, pode ser visto ainda em Atos 2.39 e 1Coríntios 7.14. Portanto, façamos do batismo que recebemos verdadeira expressão de vida cristã para nós e nossos filhos.[9]


[1] Adão Carlos Nascimento, A Razão da Nossa Fé. São Paulo: Cultura Cristã, 2007, p. 42.

[2] G. W. Bromiley, Batismo Infantil. In: Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Vol. 1. São Paulo: Vida Nova, 1988, p. 158.

[3] Idem, p. 159. V. t. Elias Dantas Filho, Filhos e Filhas da Promessa. Curitiba: Descoberta, 1998, p. 125-140; Guillermo Hendriksen, El Pacto de Gracia. Grand Rapids: SLC, 1985, p. 55-63.

[4] Veja também Ronald Hanko, Batismo e Circuncisão. In: http://www.eleitosdedeus.org/batismo-infantil/batismo-circuncisao-rev-ronald-hanko.html#axzz1VWD5I61d. Acesso em 19/08/2011.

[5] R. C. Sproul, Verdades Essenciais da Fé Cristã. 4a ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2010, 3º Caderno, p. 17.

[6] Ibidem. Itálicos do autor.

[7] Idem, p. 18. Itálico do autor.

[8] Citado por G. Hendriksen, Comentário del Nuevo Testamento: Colosenses/Filemon. Grand Rapids: SLC, 1982, p. 137. Nota 86; L. Berkhof, Teologia Sistemática. 7ª ed. espanhola. Grand Rapids: T.E.L.L., 1987, p. 763.

[9] Veja mais sobre pedobatismo em João Calvino, As Institutas (Edição clássica). Vol. 4. 2ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2006, IV.xvi; C. Hodge, De la Insígnia Cristiana. Países Bajos: Felire, 1987, p. 39-87; Philippe Landes, Estudos Bíblicos sobre o Batismo de Crianças. 3ª ed. São Paulo: CEP, 1979; John P. Santelle, O que os Pais Cristãos devem saber sobre Batismo Infantil. In: http://www.ipcb.org.br/arquivospdf/oqueospais_batismoinfantil.pdf. Acesso em 08/06/2011. 

4 comentários:

  1. O que me deixa mais confuso, é que na circuncisão, isso era apenas para meninos, e não meninas. No batismo acaba valendo pros dois sexos. Como pode isso? Circuncisão para homens e batismo infantil, sendo defendido com base na Circuncisão, para meninos e meninas. Explique-me direito essa interpretação.

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  2. Muito oportuna sua obesrvação Inaldo. Na cultura judaica, em especial no Antigo Testamento, o sexo feminino era representado pelo masculino. Não só no caso da circuncisão, mas em outros ocorridos também. Quando Israel saiu do Egito foram contados somente os homens: 600 mil. Nas genealogias só em casos especiais a mulher era incluída. Nas principais festas o homem não podia faltar por ser o cabeça e representante da família, por exemplo. Em se tratando da circuncisão, reforça-se ainda mais a ideia do batismo, pois se a menina era incluída na aliança bastando a circuncisão do menino, muito mais inclusivo é o batismo onde o menino e a menina são batizados.

    22 de agosto de 2011 18:26

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  3. Pastor Josivaldo,

    Que benção e que alegria encontrá-lo bem...

    Elaine (Brasil para Cristo) curso de missoes em Sto André...

    mail para contato eulaliatavares54@gmail.com

    Abraço,

    Graça e Paz!!!!!!!!!!!!!!

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  4. Oi Elaine, quanto tempo, hein? Que bom encontrar você novamente.
    Deus abençoe muito sua vida.
    Grande abraço.

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