segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Uma Nota Explicativa Sobre As Epístolas Gerais

Josivaldo de França Pereira


A expressão Epístolas Gerais (conhecidas também como “Católicas” e “Universais” [do grego kathólikos]) é, genericamente falando, a denominação dada àquelas epístolas que não foram escritas pelo apóstolo Paulo. Nesse sentido, a carta aos Hebreus, de autoria desconhecida, mas aceita pela maioria dos estudiosos como uma epístola não-paulina, é incluída no grupo das Epístolas Gerais. Assim, as Epístolas Gerais seriam: Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3 João e Judas.
As Epístolas Gerais foram assim chamadas, pela primeira vez, pouco antes do século III. Encontramos essa designação aplicada a uma ou outra dessas cartas em Orígenes (c. 185-c. 254) e em seu discípulo Dionísio de Alexandria (c. 200-265). A designação do nome para todo o grupo de cartas, com exceção de Hebreus, aparece pela primeira vez no século IV com Eusébio de Cesareia (c. 260-c. 340), o primeiro historiador da Igreja cristã, e com Jerônimo (c. 347-419), o tradutor da Bíblia para o latim.
Estritamente falando, o que faz uma epístola ser geral não é somente o fato dela não ter sido escrita por Paulo, mas sim, se o endereço ao qual ela foi encaminhada não é para uma igreja ou pessoa em especial. Todas as epístolas de Paulo possuem destinatários específicos; quer sejam as dirigidas a igrejas, quer sejam as dirigidas a pessoas. Essa explicação deve valer para a carta aos Hebreus, que apesar de ser denominada Epístola aos Hebreus, não tem um “destinatário”.
A Epístola de Tiago também é uma epístola geral autêntica porque, ainda que possua destinatário, ela não é dirigida a uma igreja em especial, mas “às doze tribos que se encontram na Dispersão”. Do mesmo modo, a Primeira Epístola de Pedro “aos eleitos que são forasteiros da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia”; a Segunda Epístola de Pedro “aos que conosco obtiveram fé igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo”; a Epístola de Judas “aos chamados, amados em Deus Pai e guardados em Jesus Cristo” e a Primeira Epístola de João, que nem mesmo tem remetente.
No entanto, o conceito de epístola geral autêntica não se aplica à Segunda Epístola de João “à senhora eleita e aos seus filhos” e à Terceira Epístola de João “ao amado Gaio, a quem eu amo na verdade”. É provável que essas duas cartas de João, que por sinal são muito curtas, tenham sido acrescentadas ao grupo das Epístolas Gerais como simples apêndices ou, talvez, para chegar ao número sete, por aqueles que não consideram a carta aos Hebreus uma epístola geral.
Seja como for, em certo sentido pode-se dizer que todas as epístolas do Novo Testamento, inclusive as de Paulo, são gerais, visto que todas elas são para todas as igrejas e pessoas de todos os tempos.

Bibliografia:
CULLMANN, Oscar. A Formação do Novo Testamento. 8ª ed. revisada. São Leopoldo: Sinodal, 2003.
GLOAG, Paton J. Introduction to the Catholic Epistles. Edinburgh: T. & T. Clark, 1887.
KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento: Hebreus. São Paulo: Cultura Cristã, 2003.



Nenhum comentário:

Postar um comentário