segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Ciúme, Inveja e Cobiça

                                                                                                                     Josivaldo de França Pereira



Ciúme, inveja e cobiça são pensamentos, palavras e atitudes dos desejos e paixões carnais. Esses desejos e paixões, causas dos pensamentos, palavras e atitudes, embebidos pelo ciúme, inveja e cobiça, foram exemplificados nos ensinamentos de Jesus. Disse nosso Senhor no Sermão do Monte: “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mt 5.27,28). O apóstolo João também declarou: “porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo” (1Jo 2.16).
O que são o ciúme, a inveja e a cobiça? Ciúme é o sentimento doloroso causado pela suspeita de infidelidade da pessoa amada; zelos. Angústia provocada por sentimento exacerbado de posse. Inveja é o desgosto ou pesar pelo bem ou felicidade de outrem. Cobiça é o desejo violento de possuir o bem alheio; avidez de bens materiais. Em outras palavras: Ciúme é o medo de perder aquilo que me pertence (ou penso que me pertence) para outra pessoa. Inveja é eu desejar algo igual ou melhor em relação àquilo que o outro tem. Cobiça é eu querer avidamente o que é do outro.
Em suma, no ciúme eu perco, na inveja eu imito e na cobiça eu me aproprio. O que está por traz do ciúme, da inveja e da cobiça? A falta de amor e desconfiança; o egoísmo e a maldade. Em que resultam, muitas vezes, o ciúme, a inveja e a cobiça? O ciúme promove contendas e homicídios, entre os quais se encontram os chamados crimes passionais; a inveja leva às disputas e porfias levianas; a cobiça aos furtos e roubos desalmados.
Se compararmos o ciúme, a inveja e a cobiça com os dez mandamentos, podemos dizer que o ciúme está relacionado ao sexto mandamento (“Não matarás”); a inveja ao nono (“Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”) e a cobiça aos mandamentos sétimo (“Não adulterarás”), oitavo (“Não furtarás”) e, evidentemente, ao décimo mandamento (“Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo”). O salmista orou: “Inclina-me o coração aos teus testemunhos e não à cobiça” (Sl 119.36).
Há três Provérbios de Salomão que cabem perfeitamente aqui: “Porque o ciúme excita o furor do marido; e não terá compaixão no dia da vingança” (Pv 6.34); “O ânimo sereno é a vida do corpo, mas a inveja é a podridão dos ossos” (Pv 14.30); “O cobiçoso cobiça todo o dia, mas o justo dá e nada retém” (Pv 21.26). Há outros três pensamentos que também vem a calhar: “O ciúme é, dentre todas as doenças do espírito, aquela à qual mais coisas servem de alimentos, e, nenhuma de remédios” (Michael Montaigne); “A inveja é um atestado de inferioridade a serviço da superioridade do invejado; estigma psicológico de humilhante inferioridade, sentida, reconhecida” (José Ingenieros); “Não cobices o que te não é lícito possuir; não queiras o que te pode causar embaraço e privar da liberdade interior” (Thomas à Kempis).
Conquanto, via de regra, o ciúme, a inveja e a cobiça estejam associados aos desejos e paixões de nossa natureza humana decaída, seria possível, mesmo assim, falarmos de um ciúme, inveja ou cobiça saudáveis? Parece que sim. Existem dois tipos de ciúmes: o ciúme doentio que desconfia de tudo e de todos, cheio de furor, ódio e vingança enlouquecida e o ciúme do bem que pode ser exemplificado pelo zelo na proteção da pessoa amada. Alguém disse que as pessoas casadas que não sentem ciúmes com a intrusão de um amante ou um adúltero em seu lar, certamente tem falta de percepção moral, pois a exclusividade é a essência do casamento (cf. Nm 5.11-31). O ciúme do bem é retrato principalmente na pessoa de Deus. A Bíblia fala de Deus como ciumento. J. I. Packer, em seu excelente livro “O Conhecimento de Deus”, traz um capítulo precioso denominado “O Deus Ciumento”. Vale muito a pena ler.
A inveja também tem seu lado bom. Há uma máxima árabe que diz: “Há dois tipos de inveja: a boa e a condenável. A boa consiste em, quando encontrares alguém superior a ti, desejares ser como ele; a condenável consiste em desejar a sua queda”. O mesmo deve ser dito em relação à cobiça. E tudo pode ser resumido na seguinte proposição: o que não visa o prejuízo do meu semelhante, nem o meu mesmo, e nem entristece o Espírito Santo de Deus que em mim habita, é do bem.


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