terça-feira, 1 de novembro de 2011

Deus e a Terra

Josivaldo de França Pereira


Há, pelo menos, três princípios que devemos ter em mente ao tratarmos da relação de Deus com a Terra, ou seja: (1) Deus criou a Terra; (2) Deus amaldiçoou a Terra e (3) Deus restaurará a Terra. Vejamos:
Deus criou a Terra. Para judeus e cristãos essa é uma declaração óbvia. Contudo, o Deus Criador é negado pelo evolucionismo ateísta. A maioria dos documentários da TV trata a Terra do ponto de vista evolucionista, porém, a Bíblia relata: “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). No hebraico, o verbo bara’ (criar) de Gênesis 1.1 significa “criar do nada”, isto é, Deus não utilizou matéria preexistente para formar o cosmos. Como sabemos que foi assim? Pela fé. O autor aos Hebreus declara: “Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das cousas que não aparecem” (Hb 11.3). Gênesis 1.1 e Hebreus 11.3 têm uma ligação estreita. É por isso que o escocês Robert S. Candlish (1806-1873), em sua obra Studies in Genesis, escreveu uma introdução muito apropriada começando por Hebreus 11.3.
Deus amaldiçoou a Terra. Por causa da desobediência de Adão e Eva o pecado entrou no mundo. E Deus amaldiçoou a Terra. “E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo” (Gn 3.17,18). Por isso, Paulo declara: “Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou”. “Porque sabemos que toda criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora” (Rm 8.20,22). No entanto, a Terra não foi sujeita à vaidade e amaldiçoada por Deus tanto quanto poderia ter sido. É que em meio à maldição e sujeição Deus se mostrou gracioso e misericordioso para com ela, de modo que “a terra está cheia da bondade do SENHOR” (Sl 33.5). Semelhantemente, o Senhor Deus quer que o ser humano cuide dela também (cf. Gn 2.15). Um dos motivos para a condenação dos caldeus foi a sua “violência contra a terra” (Hc 2.17).
Deus restaurará a Terra. A Bíblia fala da “regeneração” ou “restauração de todas as coisas” que ocorrerá por ocasião da Segunda Vinda de Cristo (Mt 19.28; At 3.21). Isso inclui, evidentemente, o Planeta Terra. Segundo Paulo, “A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rm 8.19-21). No Antigo Testamento, por três vezes o profeta Isaías fala da promessa divina de uma “nova terra” (Is 51.16; 65.17; 66.22). No Novo Testamento o mesmo é dito por Pedro (2Pe 3.13) e João (Ap 21.1). O adjetivo “nova”, que aparece nessas referências, não é do novo em tempo e origem, mas em natureza e qualidade, isto é, Deus não vai aniquilar tudo e começar do zero. Invés disso, ele irá restaurar a Terra já existente – que agora se encontra amaldiçoada e sujeita à vaidade[1] (cf. Gn 3.17; Rm 8.20) – ao seu estado original de perfeição.[2] Há um estudo excelente intitulado “A Nova Terra” no livro A Bíblia e o Futuro de Antony Hoekema (1913-1988). Vale a pena conferir.





[1] “Vaidade" em Romanos 8.20 não significa "orgulho frívolo" ou "ares impertinentes". Não se refere a nenhuma manifestação ambiciosa. A ideia é de futilidade, falta de eficiência por causa da corrupção.

[2] Cf. William Hendriksen. A vida futura segundo a Bíblia. 2ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p. 257-60.

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