quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Interpretação de 1Coríntios 15.50

Josivaldo de França Pereira


As principais perguntas que se levantam em relação à 1Coríntios 15.50 são: “Se carne e sangue não podem herdar o reino de Deus, então como pode haver uma ressurreição física?”. “Considerando que haverá uma ressurreição futura, a composição física do corpo ressurreto será diferente?”. Enfim, “haverá continuidade ou descontinuidade entre o corpo de agora e o corpo ressurreto?”.
O contexto da referida passagem (1Co 15.50) claramente indica que o apóstolo Paulo não está tratando da composição física do corpo ressurreto. Ele conclui o verso 50 dizendo: “... nem a corrupção herdar a incorrupção”. E também afirma nos versos 53 e 54: “Porque é necessário que este corpo corruptível se revista de incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória”. Paulo informa, portanto, que nossos corpos ressurretos serão imortais e incorruptíveis, não marcados pela fraqueza e corruptibilidade de nossos corpos atuais. Eles serão semelhantes ao corpo glorioso do Senhor Jesus, conforme Filipenses 3.21.[1]
Nota-se, assim, que Paulo não está falando da carne no corpo ressurreto, mas da carne que é corruptível. Ele não está afirmando que o corpo ressurreto não será de carne, porém, que ele não será de carne corruptível. “Carne e sangue” neste contexto significam carne e sangue mortais, ou seja, um mero ser humano. Segundo Geisler e Howe, “a interpretação mais natural de 1Coríntios 15.50 parece ser que os seres humanos, como agora são: terrenos e corruptíveis, não podem herdar o reino glorioso e celestial de Deus”.[2]
Haverá continuidade ou descontinuidade entre o corpo presente e o corpo da ressurreição? Com base em dados bíblicos, deve-se dizer que haverá tanto continuidade como diferença. Assim como há continuidade entre a semente e a planta (cf. 1Co 15.37), do mesmo modo haverá continuidade entre o corpo de agora e o corpo da ressurreição. Além disso, se não houvesse continuidade entre o corpo presente e o corpo ressurreto, não teria razão em se falar de uma ressurreição dos mortos. Portanto, somos nós mesmos que “estaremos para sempre com o Senhor” (1Ts 4.17). Contudo, embora haja continuidade, também haverá diferença. Há várias passagens bíblicas que descrevem essas diferenças, como por exemplo, Mateus 22.30 (cf. Mc 12.25; Lc 20.35); 1Coríntios 6.13; 15.42-44.[3]


[1] Cf. William Hendriksen, A Vida Futura Segundo a Bíblia. 2ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p. 268,69. V. t. Simon Kistemaker, Comentário do Novo Testamento: 1Coríntios. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p. 805,06.
[2] Norman Geisler e Thomas Howe, Enciclopédia Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia. 4ª ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999, p. 475. Itálicos dos autores.
[3] Veja mais em Antonio A. Hoekema, La Biblia y el Futuro. Grand Rapids: SLC, 1984, p. 283,84. O capítulo todo é excelente. 

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