quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Objetos do nosso amor

Josivaldo de França Pereira

 
Conquanto possamos falar em “nosso amor”, bem sabemos que o amor é uma dádiva de Deus. O amor não é uma criação humana ou algo que recebemos por osmose. O amor é um atributo inerente à natureza de Deus. A Bíblia diz que Deus é amor. Ele é o amor em essência. Provou seu amor por nós (e quê prova!) na pessoa de Jesus. Portanto, o amor é um dom da livre graça de Deus. Deu-nos para que pudéssemos exercitá-lo em relação a ele, ao próximo e a nós mesmos.
Deus
Deus é o maior e mais digno objeto do nosso amor. Nós o amamos porque ele nos amou primeiro. O amor de Deus é inigualável e imbatível. Em amor fomos escolhidos por Deus antes da fundação do mundo. Em amor ele nos criou e mantém a nossa vida. Em Cristo Deus provou e prova o seu grande amor para conosco. Portanto, o mínimo que podemos fazer em retribuição ao nosso Deus, pelo que ele é, fez, faz e fará por nós é amá-lo com todo o nosso ser. O mínimo que devemos fazer ao nosso Deus é dar o máximo de nós a ele em amor.
O nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo nos ensinou que devemos amar a Deus de todo o nosso coração, de toda a nossa alma e de todo o nosso entendimento. Isso significa que todo o nosso ser, tudo que somos, deve convergir para uma vida de adoração prática na presença do Senhor. Somente um Deus como o nosso Deus pode e deve ser amado e obedecido espontânea, voluntária e apaixonadamente por cada um de nós.
O próximo
O meu próximo, o seu próximo, é todo aquele com quem devemos usar de misericórdia. A coisa mais importante que eu preciso ter em mente não é quem deve ser o meu próximo, mas de quem eu devo ser o próximo. A minha preocupação maior não deve ser tão-somente com quem vem a mim, mas principalmente a quem eu devo ir. Quando foi a última vez que eu amei um inimigo e orei por quem me perseguia? E você saberia dizer quando foi a última vez que fez essas coisas?
Não precisamos ir tão longe, se for o caso. Podemos pensar quanto tempo temos dedicado em oração por nossa igreja, nossos irmãos e amigos. No quanto estamos dispostos a ser aquele ombro amigo, o lenço que enxuga as lágrimas dos olhos de um coração aflito; a ser os ouvidos pacientes e prontos no consolo de um irmão ou de uma irmã. Não podemos esquecer que sempre haverá alguém numa condição de vida pior que a nossa. E ao invés de chorarmos e lamentarmos muito a nossa dor, num estado mórbido de autocomiseração, saiamos ao encontro de quem necessita da nossa compaixão. Veja só: o ladrão vem para matar, roubar e destruir. O ladrão diz: “o que é seu é meu”. O ladrão não pede emprestado e nem empresta. Ele simplesmente se apropria daquilo que não lhe pertence. O egoísta diz: “o que é meu é meu”. O egoísta não divide; não compartilha. O egoísta visa seu próprio interesse. Mas o altruísta é diferente. O altruísta ama o seu semelhante e por isso ele pode dizer: “o que é meu é seu”. O altruísta divide, distribui, não se preocupa apenas consigo mesmo. O altruísta pensa e age em relação ao próximo. Ele faz o bem sem olhar a quem.
Nós mesmos
 Não existe um mandamento explícito na Bíblia de que devemos amar a nós mesmos. Esse mandamento está implicitamente ordenado no Antigo Testamento e na declaração de Jesus e dos apóstolos de que devemos amar ao próximo como amamos a nós mesmos. A razão pela qual não é necessário nenhum mandamento direto para que amemos a nós mesmos é porque, por natureza, cada um de nós ama a si mesmo. Embora haja exceções, é claro, no geral o ser humano tem um alto conceito a respeito de si próprio. E apesar da Palavra de Deus nos ensinar corretamente que somos pecadores, também nos ensina que cada um de nós deve dar-se o devido valor por ser criado à imagem e semelhança de Deus, e principalmente (se já nasceu de novo) pelo que é em Cristo Jesus, ou seja, uma nova criação, filho ou filha do Pai celestial.
Ter uma autoestima positiva de si mesmo é bíblico e, por isso, recomendável sempre, pois o cristão tem a mente de Cristo e o seu corpo é o templo do Espírito Santo de Deus. Devemos, portanto, cuidar bem do nosso corpo e da nossa mente. O suicídio, por outro lado, é o cúmulo no extremo da falta de amor-próprio. O amor-próprio, por sua vez, caminha em cima de uma linha tênue entre o egoísmo interesseiro e o altruísmo abnegado. O amor a Deus e ao próximo nos dá o equilíbrio necessário para amarmos a nós mesmos na medida certa. 



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