quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Os Seis Dias da Criação

Josivaldo de França Pereira


A Bíblia relata que o cosmos foi criado em seis dias. Alguns afirmam que os dias dos quais Gênesis 1 trata eram longos períodos de tempo. Creem que as Escrituras admitem e até favorecem essa interpretação, ao considerarem que:
(1) A palavra “dia” algumas vezes denota um período indefinido (Sl 50.15; Ec 7.14; Zc 4.10).
(2) O sol não foi criado até o 4º dia, de modo que a extensão dos dias anteriores não podia ser determinada no relacionamento da terra com o sol.
(3) O 7º dia continua até hoje e já tem mais de seis mil anos.
O fato da palavra “dia” indicar um período relativamente extenso em algumas passagens bíblicas, não prova que os dias anteriores à criação eram longos períodos de tempo. Portanto, o 7º dia de Gênesis 2.2,3 terminou há mais de seis mil anos. A interpretação literal da palavra “dia” tem a seu favor as seguintes considerações:
(1) A palavra hebraica yom (dia) indica um dia normal. Deve ser entendida assim, a não ser que o contexto exija outra interpretação. Gênesis 1 nos apresenta uma interpretação literal ao repetir “e houve tarde e manhã”. Cada dia teve tarde e manhã (Gn 1.5, 8, 19, 23, 31), o que é próprio do dia de 24 horas na Bíblia. Os dias foram numerados (primeiro dia, segundo dia, terceiro dia, etc.), uma característica peculiar dos dias de 24 horas na Bíblia. “Todo dia teve somente uma tarde e uma manhã. Se esses dias fossem longos períodos de Geologia, devia ter intermináveis noites de milhares de anos. Que aconteceria a todos os vegetais durante as longas noites que seguiram ao terceiro dia?”.[1]
(2) Em Êxodo 20.9-11 Israel recebe ordens para trabalhar seis dias semanais, porque o Senhor fez os céus e a terra em “seis dias”. Êxodo 20.9-11 “certamente não pode ser interpretado em um sentido diferente do normal. Deus, no quarto mandamento, certamente, chama toda a humanidade para seguir seu modelo: trabalhar seis dias de 24 horas e descansar um dia de 24 horas”.[2] Isso quer dizer que a palavra “dia” de Gênesis 1 também deve ser entendida literalmente.
(3) Os três últimos dias foram normais por serem determinados pela relação da terra com o sol. E se esses foram dias comuns, por que os outros não haveriam de ser?[3]

Bibliografia:
BERKHOF, Louis. Manual de Doutrina Cristã. Campinas/Patrocínio: Luz Para o Caminho/Ceibel, 1985.
GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. Enciclopédia Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia. 4ª ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.
KIDNER, Derek. Gênesis: Introdução e Comentário. Série Cultura Bíblica. São Paulo: Vida Nova/Mundo Cristão, 1988.
GRONINGEN, Gerard Van. Criação e Consumação: o Reino, a Aliança e o Mediador. Vol. 1. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.



[1] Louis Berkhof. Manual de Doutrina Cristã. Campinas/Patrocínio: LPC/Ceibel, 1985, p. 96.
[2] Gerard Van Groningen. Criação e Consumação: o Reino, a Aliança e o Mediador. Vol. 1. São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 56.
[3] Para um ponto de vista diferente, consulte Norman Geisler e Thomas Howe. Enciclopédia Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia. 4ª ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999, p. 37.

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