terça-feira, 1 de novembro de 2011

Tentação e Queda

Josivaldo de França Pereira


Tiago procurou corrigir uma distorção que alguns estavam tendo a respeito do caráter santo de Deus. Ele advertiu seus destinatários a não culpar Deus, mas compreender a causa e o resultado da tentação. Disse ele: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte” (Tg 1.13-15). Parece que os leitores de Tiago estavam confundindo tentação com provação. Deus nos prova em nossas forças. Satanás nos tenta em nossas fraquezas.
A tentação não é o pecado. A tentação só se torna pecado quando damos guarida a ela em nosso coração. Lutero disse: “Eu não posso impedir que os pássaros voem sobre minha cabeça, mas posso impedir que eles façam ninhos nela”. Algo semelhante afirmou Paul Holdcraft: “Você não pode impedir que a tentação bata à porta de sua casa; mas será de sua inteira responsabilidade deixá-la entrar”. Aquilo que Deus disse a Caim, em relação ao pecado que este estava prestes a cometer contra seu irmão Abel, é perfeitamente aplicável em relação à tentação: “... eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo” (Gn 4.7). É exatamente o que Tiago quis dizer aos seus leitores quando afirmou que “cada um é tentado pela sua própria culpa, quando esta o atrai e seduz” (Tg 1.14).
Cair em tentação é um prejuízo tão grande para a nossa vida espiritual que Jesus nos ensinou a orar, dizendo: “... E não nos deixes cair em tentação” (Lc 11.4; cf. Mt 6.13). Quando cedemos à tentação deixamos de desfrutar, por um momento, daquela preciosa comunhão com Deus. E Jesus não quer que isso aconteça conosco. Então, por que muitas vezes caímos em tentação, a pesar de pedirmos ao Pai “não nos deixes cair em tentação”? Creio que O. Hallesby responde muito bem essa indagação quando diz: “Se somos vencidos pela tentação é porque não agimos com inteira sinceridade em nosso desejo de obter a vitória, e, secretamente, entramos num pacto com o pecado”. Jesus diria ainda: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41; cf. Mc 14.38; Lc 22.40). Como o pecado é uma consequência da tentação, o Salmo 119.11 declara: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti”. A tentação e o pecado nos afastam da oração e da Bíblia. Entretanto, a oração sincera e o meditar diligente na Palavra de Deus nos afastam da tentação e do pecado.
Quero concluir essa nossa pastoral com duas palavras motivadoras e confortantes. A primeira delas está em 1Coríntios 10.13. Diz assim o apóstolo Paulo: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar”. Temos também na carta aos Hebreus: “Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados” (Hb 2.18). Deus tem feito a parte dele. É preciso que façamos a nossa.

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