quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Dízimo é coisa da lei?

Josivaldo de França Pereira


É sim! Mas não somente da lei. Aqueles que são contra o dízimo se apressam em dizer que “dízimo é coisa da lei”, é “para Israel”. E citam imediatamente Malaquias 3.10, de preferência somente a primeira parte, que diz: “Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa...”. Para muitos a lei equivale ao Antigo Testamento. Contudo, a lei é apenas uma das partes do Antigo Testamento. Os hebreus dividiam as Escrituras em Lei, Profetas e Salmos. “Lei” aqui é a “Lei de Moisés” (Lc 24.44).
Antes que a lei fosse dada por Deus a Moisés, a prática do dízimo já era uma realidade. Embora Gênesis 2.16,17 não fale explicitamente de dízimo, o princípio para tal prática está presente: “E o SENHOR Deus lhe deu (a Adão) esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. A árvore do conhecimento do bem e do mal era tão frutífera e boa quanto as outras. Mas era a árvore de Deus! Todas as outras foram dadas pelo Senhor ao homem, porém, a árvore do conhecimento do bem e do mal, não. Mais adiante vemos Abraão entregando a Melquisedeque, sacerdote do Deus Altíssimo, o dízimo de tudo o que ele havia conquistado na guerra (Gn 14.18-21). Jacó, quando fugia de seu irmão Esaú, teve um sonho – a visão de uma escada. O Senhor Deus falou com ele. Jacó fez um voto ao Senhor (Gn 28.10-22a) e concluiu: “... de tudo quanto me concederes, certamente eu te darei o dízimo” (Gn 28.22b). Esses exemplos são todos antes da lei.
A Bíblia diz que a observância do sábado, um dos dez mandamentos de Deus para o povo, chegaria ao fim (Os 2.11; Cl 2.16,17), todavia, em nenhum lugar a Palavra de Deus nos fala que a prática do dízimo terminaria. Jesus disse aos escribas e fariseus: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas cousas, sem omitir aquelas!” (Mt 23.23, itálicos meus).
Dízimo é sabedoria de Deus, pois evita a extorsão por um lado e a avareza de outro.
Os judeus dizimavam, ainda, cereais e frutos; gado e rebanho (Lv 27.30,32), além de metais preciosos como prata e ouro. Daí o apelo e promessa de Provérbios 3.9,10: “Honra ao SENHOR com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão fartamente os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares”. Malaquias 3.10 diz que todos os dízimos devem ser trazidos “à casa do Tesouro”, significando que não eram somente vegetais e animais que o povo dizimava.
Um olhar atento ao texto de Malaquias 3.8-10 – que alguns citam para descaracterizar o dízimo cristão, alegando que dízimo era uma prática somente para Israel – leva-nos a algumas considerações: (1) Não basta ser dizimista, é preciso ser ofertante também. Deus estava sendo roubado Nos dízimos e nas ofertas [v8]. Alguns líderes cristãos têm questionado a prática do dízimo; por que não fazem o mesmo em relação às ofertas? (2) Não ser dizimista e ofertante não é roubar o próximo, mas ao próprio Deus – vós me roubais [v8]; a mim me roubais [v9]. (3) A contribuição dizimal é para que haja mantimento (v10), recursos para a causa do reino de Deus. (4) As promessas de Deus em Malaquias 3.10 são experimentadas pelos cristãos também: “... e provai-me nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida”. Portanto, não podemos deixar de ser fiéis dizimistas.
Conclusão: Dízimo é uma prática permanente; as ofertas, conhecidas como alçadas (teruma), são circunstanciais. Dízimo é 10% da nossa renda e as ofertas, quando necessárias, segundo tivermos proposto no coração (2Co 9.6,7). Observe que, no caso da oferta, cada um propõe em seu coração o quanto deve contribuir.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário