sábado, 3 de dezembro de 2011

O adjetivo Méga em Atos 8

Josivaldo de França Pereira


Adjetivo é a palavra que modifica o substantivo, indicando qualidade, caráter, modo de ser ou estado. Somente em Atos 8.1-13 Lucas utiliza seis vezes o adjetivo méga (grande). Ele fala da “grande perseguição contra a igreja de Jerusalém” (At 8.1) que aconteceu por ocasião da morte de Estêvão. Os apóstolos não foram dispersos, até então, porque essa perseguição foi contra os crentes judeus de fala grega (os chamados helenistas) como Estêvão. Os apóstolos eram hebreus (cf. At 6.1) que falavam o aramaico. E “todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria” (At 8.1). 
Lucas relata, ainda, que os homens que sepultaram Estêvão fizeram “grande pranto sobre ele” (At 8.2). “Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere. Entrementes, os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra” (At 8.3,4). Quanto mais a igreja era perseguida, mais e mais ela crescia.
Com a chegada de Filipe em Samaria, pregando o evangelho com sinais e maravilhas (At 8.5,7), “As multidões atendiam, unânimes, às cousas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele operava” (At 8.6). “E houve grande alegria naquela cidade” (At 8.8). Filipe era um dos sete helenistas mencionados em Atos 6.5 (cf. At 21.8) com a mesma capacidade dos apóstolos para operar sinais que serviram como confirmação de sua mensagem. “Tinha este quatro filhas donzelas, que profetizavam” (At 21.9). Pedro e João, que eram hebreus, seriam enviados mais tarde pelos apóstolos para supervisionar o trabalho do helenista Filipe em Samaria (At 8.14-17).
No entanto, observe que o méga (grande) de Lucas até aqui é positivo em relação à igreja (incluindo a grande perseguição) e ao ministério de Filipe em Samaria.  A partir do verso 9 temos um contraste, ou, em outras palavras, o uso negativo de méga. Lucas fala de certo homem chamado Simão, que iludia o povo de Samaria com mágicas, “insinuando ser ele grande vulto”. As coisas grandes que o Espírito Santo realizava em Samaria eram dádivas para a igreja de Cristo Jesus, para todos os que o recebiam pela fé. As coisas que Simão realizava eram grandes aos próprios olhos dele e de todos os que eram enganados por ele, a ponto de dizerem: “... Este homem é o poder de Deus, chamado o Grande Poder” (At 8.10).
Lucas conclui o verso 13 retornando ao uso positivo de méga: “O próprio Simão abraçou a fé; e, tendo sido batizado, acompanhava a Filipe de perto, observando extasiado os sinais e grandes milagres praticados”. Veja que agora Lucas já não fala mais no singular. Pela primeira vez ele utiliza o plural (megálas) para se referir aos “grandes milagres” de Atos 8. 

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