quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Tipologia: Considerações gerais


Josivaldo de França Pereira


A palavra "tipologia" é de origem grega. Deriva-se do substantivo typos, termo usado no mundo antigo para indicar: a) a marca de um golpe; b) uma impressão, a marca feita por um cunho – daí o sentido de figura, imagem e c) modelo ou padrão, que é o sentido mais comum na Bíblia.
Na Bíblia o modelo é usado em dois sentidos distintos: (1) a correspondência entre duas situações históricas, tais como Adão e Cristo (cf. Rm 5.12-21); (2) a correspondência entre o padrão celestial e seu equivalente terrestre. Exemplo, o original divino por trás do tabernáculo terrestre (At 7.44; Hb 8.5; 9.24). Há várias categorias: - pessoas (Adão, Melquisedeque), eventos (o dilúvio, a serpente de bronze), instituições (festas), lugares (Jerusalém, Sião), objetos (altar de holocaustos, incenso), ofícios (profeta, sacerdote, rei). "A tipologia bíblica, portanto, envolve uma correspondência análoga em que eventos, pessoas e lugares anteriores na história da salvação tornam-se padrões por meio dos quais eventos posteriores, pessoas, etc. são interpretados".[1]
Além dos conceitos mencionados acima, também existe o uso paralelo de figuras de linguagem, juntamente com os tipos, para indicar um exemplo moral a ser seguido. “Todos os crentes, como tais, devem considerar-se modelos ou padrões da vida que se assemelha à de Cristo”.[2]
É relevante fazer uma distinção entre tipo e símbolo. Embora ambos indiquem alguma coisa, diferem em pontos importantes.
·         Símbolo é um sinal;
·         Tipo é um modelo ou imagem de alguma coisa;
·         O símbolo refere-se a alguma coisa do passado, presente ou futuro;
·         O tipo sempre prefigura uma realidade futura.
Podemos resumir esses quatro pontos dizendo que “Um símbolo é um fato que ensina uma verdade moral. O tipo é um fato que ensina uma verdade moral e prediz a realidade daquela verdade” (Davidson, Old Testament Profecy, p. 229).[3]
De certo modo, os tipos do Antigo Testamento foram ao mesmo tempo símbolos (no sentido que comunicavam verdades espirituais aos seus contemporâneos), pois sua significação simbólica podia ser entendida antes de sua significação tipológica ser determinada.



[1] G. R. Osborne, Tipo, Tipologia. In: Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Vol. III. São Paulo: Vida Nova, 1990, p. 535.
[2] Ibidem.
[3] Citado por Luis Berkhof em Princípios de Interpretação da Bíblia. 3a ed. Rio de Janeiro: Juerp, 1985, p. 151.

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