quinta-feira, 3 de março de 2011

Gigantes da fé: Simonton e Conceição

Josivaldo de França Pereira


ASHBEL GREEN SIMONTON: O PIONEIRO

Ashbel Green Simonton (1833-1867) viveu exatamente na metade do século XIX. Nasceu 17 anos antes de 1850 e morreu 17 anos depois de 1850. Foi o missionário norte-americano usado por Deus para evangelizar nosso povo e implantar o presbiterianismo em nossa terra. Ele chegou ao Rio de Janeiro em 12 de agosto de 1859, depois de uma longa viagem de navio, solteiro, com apenas 26 anos de idade, mas com um chamado imperativo do Senhor e um ardor intenso em seu coração pela conversão dos brasileiros.

Em 1860 organiza a primeira escola dominical presbiteriana do Brasil com cinco crianças. Em janeiro de 1862 fundou a primeira igreja presbiteriana, na cidade do Rio de Janeiro, com a realização das duas primeiras públicas profissões de fé: Henry Milford, norte-americano e Camilo Cardoso de Jesus, português.

Em março de 1862 viaja para os Estados Unidos a fim de 1) visitar sua mãe que estava enferma (porém ela já havia falecido antes dele chegar), 2) prestar relatório à junta de missões que o enviara ao Brasil e 3) se casar. Retorna ao Brasil em julho de 1863, casado com Hellen Murdoch. Em junho de 1864 nasce sua filha Mary Cole (a pequena Hellen) e, uma semana depois, sua esposa vem a falecer.

Ainda em 1864 cria o jornal Imprensa Evangélica.

Em 1865 organiza com as igrejas de São Paulo (capital) e Brotas (interior) o Presbitério do Rio de Janeiro. Na data de organização (17/12/1865) é ordenado o primeiro pastor presbiteriano brasileiro, o ex-padre Rev. José Manoel da Conceição. São eleitos também dois presbíteros e dois diáconos para a igreja do Rio.

Em 1867 organiza um seminário para a formação de pastores brasileiros.

Resumindo, Simonton fundou e organizou no Brasil: a primeira escola dominical presbiteriana (1860), a primeira igreja presbiteriana (1862), o primeiro jornal evangélico (1864); o primeiro presbitério (1865) e um seminário (1867).

Deus levou Simonton ainda jovem. Teve um ministério curto, porém, muito frutífero. Morreu acometido de febre amarela aos 34 anos, no dia 09 de dezembro de 1867, na cidade de São Paulo. Seu túmulo está no Cemitério dos Protestantes, ao lado do Cemitério da Consolação.

JOSÉ MANOEL DA CONCEIÇÃO: O Nº 1 DO BRASIL

No dia 17 de dezembro de 1865 era ordenado, pelo recém-instalado Presbitério do Rio de Janeiro, o primeiro pastor presbiteriano brasileiro, o paulista filho de portugueses Rev. José Manoel da Conceição (1822-1873). Conhecido como o padre protestante, ele não foi apenas o primeiro pastor presbiteriano brasileiro, mas o primeiro pastor brasileiro. Lamentamos que as igrejas evangélicas brasileiras não façam desta data o dia nacional do pastor brasileiro. A maioria das igrejas do Brasil prefere comemorar o dia do primeiro pastor brasileiro de suas denominações.

Conceição era sacerdote católico romano quando se converteu ao evangelho. Contudo, não foi por isso que ele era chamado pelos seus contemporâneos e entrou para a história como o Padre Protestante. É que, mesmo antes de deixar a batina, ele já aborrecia os bispos católicos ao estimular seus párocos a lerem a Bíblia. Quando o Rev. Alexander Blackford (cunhado de Simonton) trabalhava em Brotas, no interior de São Paulo, ouviu falar de certo padre católico romano que lia a Bíblia e manifestava interesse por seus ensinamentos. Blackford fez uma visita de cordialidade ao jovem sacerdote. Essa visita veio a ser o ponto marcante de mudança na vida de Conceição. Convencido de que a igreja romana não era a verdadeira igreja de Jesus Cristo, partiu para o Rio de Janeiro, a fim de se instruir com Simonton, Blackford e Chamberlain. No dia 23 de outubro de 1864, o ex-padre José Manoel da Conceição professava sua fé em Jesus Cristo como seu Redentor e Senhor, tornando-se membro da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. Essas notícias espalharam-se rapidamente e atingiram lugares distantes.

Figura fundamental na expansão do evangelho no território nacional, o Rev. José Manoel da Conceição, além de realizar frequentes cruzadas no Rio e em São Paulo, fazia questão de visitar a população do interior, não passando por nenhuma fazenda ou casa pobre sem orar e ler a Bíblia com os moradores. Através da influência do ex-padre, as antigas paróquias católicas interioranas acabaram se transformando em igrejas evangélicas. Conceição era homem de grande erudição, emotivo e dotado de influência considerável. Pregava com muito zelo e grandes multidões vinham ver e escutar o ex-padre. Faleceu no dia 25 de dezembro de 1873, aos 51 anos de idade, no Rio de Janeiro. Seu túmulo também se encontra no Cemitério dos Protestantes em São Paulo, ao lado do de Simonton.

O padre protestante foi fruto do trabalho dos primeiros missionários presbiterianos norte-americanos que aqui chegaram, a saber, Simonton e seus colaboradores. A conversão de José Manoel da Conceição incentivou o pequeno grupo de missionários a sair por toda parte pregando o evangelho.

Por causa da data de ordenação do Rev. José Manoel da Conceição, no dia 17 de dezembro comemora-se o dia do pastor presbiteriano.

No coração de Deus

Josivaldo de França Pereira

Muitas vezes dizemos que "amamos ao Senhor" e que "ele é tudo de bom que nós temos". "Nós o amamos e por ele entregamos a nossa vida", é o que dizemos também. Entretanto, existe algo no coração de Deus que nem sempre está no coração dos filhos de Deus: a paixão pelos perdidos. Muitas vezes nós, pastores e líderes, temos dificuldade para inculcar em alguns de nossas igrejas o que devia ser uma das coisas mais naturais da vida cristã: Missões.
O coração de Deus é um coração missionário. A obra missionária está no coração de Deus. Está no seu? "Deus tinha um único Filho e fez dele um missionário", disse David Livingstone. Jesus teve seus seguidores e fez deles missionários. A igreja do Senhor foi edificada com o propósito de proclamar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (cf. 1Pe 2.9).
 Por que somos tão egoístas? Por que pensamos tanto em nós mesmos? Não basta dizer (como algumas vezes temos ouvido): "Eu não tenho nada contra missões". É necessário compromisso e envolvimento na obra do Senhor!
Precisamos amar com paixão o trabalho missionário. Missões existem porque Deus ama as pessoas, portanto, temos que gostar do que Deus gosta e amar o que Deus ama. Missões não é um dom, é uma responsabilidade em amor da qual você e eu não podemos ficar fora dela.
Missões estão em toda Bíblia. Do Gênesis ao Apocalipse.
A Escritura Sagrada é um livro missionário.
O Deus do Antigo Testamento é um Deus missionário.
O Cristo dos Evangelhos é um Cristo missionário.
O Espírito Santo do livro de Atos é um Espírito missionário.
Os discípulos e apóstolos de Cristo foram discípulos e apóstolos missionários.
A Igreja Primitiva era uma igreja missionária.
E nós, o que somos?

quarta-feira, 2 de março de 2011

Nobilíssimos bereanos


Josivaldo de França Pereira


Após o tumulto causado pelos judeus invejosos de Tessalônica (At 17.5-9), Paulo e Silas foram enviados pelos irmãos à Bereia. Ali chegados, dirigiram-se à sinagoga dos judeus (At 17.10).

Diz o texto bíblico: “Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as cousas eram, de fato, assim” (At 17.11). A passagem de Atos 17.11 muitas vezes é citada de forma equivocada, como se referisse à igreja ou aos crentes em Cristo Jesus.
Na verdade, o texto está falando daqueles que se encontravam na “sinagoga dos judeus”, isto é, judeus de sangue, prosélitos (gentios convertidos ao judaísmo) e tementes a Deus (os simpatizantes do judaísmo). O versículo que fala de crentes é o 12. Após examinarem as Escrituras todos os dias para confirmar o que Paulo e Silas diziam a respeito de Jesus, “muitos deles creram, mulheres gregas de alta posição e não poucos homens”.
Quando Lucas relata em Atos 17.11 que os adoradores da sinagoga de Bereia eram mais nobres que os de Tessalônica, no sentido de terem a mente aberta para o evangelho, ele quis dizer que havia certa nobreza de mente nos de Tessalônica também? Segundo o verso 4, sim: “Alguns deles foram persuadidos e unidos a Paulo e Silas, bem como numerosa multidão de gregos piedosos e muitas distintas mulheres”.
 Contudo, no que diz respeito à nobreza de mente, os bereanos sobressaiam os de Tessalônica por estarem mais propensos às verdades da Palavra de Deus. Os de Tessalônica eram nobres, mas os de Bereia eram mais ainda. Estes receberam a mensagem com grande interesse, examinando as Escrituras todos os dias para ver se, de fato, era tudo assim mesmo como estava sendo pregado. O vocábulo grego anakrínontes (examinando) significa fazer passar pelo crivo mediante uma pesquisa cuidadosa e exata, como se fosse um processo legal (cf. Atos 4.9; 12.19).
Se os adoradores da sinagoga bereana eram mais nobres que os de Tessalônica porque receberam a palavra pregada por Paulo e Silas com toda a avidez, examinando as Escrituras do Antigo Testamento todos os dias para ver se as coisas eram de fato assim, nós, os crentes, que possuímos também o Novo Testamento, temos muito mais razões para sermos diligentes estudiosos da Bíblia Sagrada.

Cristo e a Salvação no Antigo Testamento

Josivaldo de França Pereira


De que maneira as pessoas do Antigo Testamento eram salvas em Cristo Jesus, se ele ainda não havia se tornado homem? E como o Espírito Santo as regenerava e as salvava em Jesus? Simplesmente aplicando a obra redentora do Messias no qual eles criam (cf. Jó 19.25). A explicação desta aplicação no Antigo Testamento é entendida quando vamos ao Novo e lemos sobre o "Cordeiro que foi morto, desde a fundação do mundo" (Ap 13.8).

Desta maravilhosa declaração aprendemos que:

1. A expiação de Cristo é referida como algo determinado por Deus;

2. O princípio de sacrifício e redenção por parte de Cristo é mais antigo que o mundo;

3. Os decretos e propósitos de Deus são tão concretos e reais como o próprio acontecimento.

Quando a Trindade vivia na solidão da eternidade, a morte de Cristo já estava declarada como ocorrida desde a fundação do mundo. Portanto, a ausência do fato histórico da expiação de Cristo no Antigo Testamento não anula, de forma alguma, seu valor e significado para os crentes daquela época. Isso é fácil de ser entendido quando vemos os santos do Antigo Testamento oferecendo sacrifícios de animais a Deus e sendo perdoados e salvos. Não por causa dos sacrifícios em si, "porque é impossível que sangue de touros e bodes remova pecado" (Hb 10.4), mas eram perdoados e salvos porque criam na promessa simbolizada no sistema sacrificial.

O Novo Testamento nos dá claras indicações, e declarações explícitas, que os sacrifícios de animais no Velho Testamento foram símbolos do mais excelente sacrifício de Cristo (Cl 2.17; Hb 9.23,24; 10.1; 13.11,12). Donald Guthrie é verdadeiro quando diz que o "sistema sacrificial do Antigo Testamento tinha validez somente porque prenunciava o sacrifício supremo e definitivo de Cristo" (D. Guthrie, Hebreus: Introdução e Comentário, p. 191). Martin Lloyd-Jones é ainda mais preciso quando declara que eles "faziam essas ofertas pela fé. Criam na palavra de Deus, que ele um dia no porvir proveria um sacrifício, e pela fé se mantiveram firmes nisso. Foi a fé em Cristo que os salvou..." (D. M. Lloyd-Jones, A Cruz: A Justificação de Deus, p. 10).

O Significado da Arca da Aliança

Josivaldo de França Pereira


A arca da aliança (também chamada "arca do Senhor", "arca de Deus", "arca da aliança do Senhor", "arca do testemunho" e "arca sagrada") era uma caixa retangular de madeira de acácia, medindo cerca de 1,20m de comprimento e 0,75m de largura x 0,75m de altura (Ex 25.10). Seu revestimento interno e sua cobertura externa eram de ouro puro batido. Na parte superior, ao redor, havia uma bordadura de ouro (Ex 25.11). Contudo, a tampa que cobria a arca, denominada de propiciatório (em hebraico kappõret, "cobertura"), era de ouro maciço (Ex 25.17). Sobre o propiciatório, também de ouro maciço, havia dois querubins, um em cada extremidade da arca com as asas estendidas à frente um do outro, cobrindo o propiciatório (Ex 25.18-20). Do meio deles Deus se comunicava com o seu povo (Ex 25.22). A arca era a única peça de mobília no Santo dos Santos do tabernáculo (e, posteriormente, do templo) e abrigava cópias das tábuas da lei (Ex 25.16; 2 Rs 11.12), um vaso com maná (Ex 16.33,34) e a vara de Arão (Nm 17.10). Mas quando, numa época posterior, foi colocada no lugar santíssimo do templo de Salomão, "Nada havia na arca senão só as duas tábuas de pedra, que Moisés ali pusera junto a Horebe, quando o Senhor fez aliança com os filhos de Israel, ao saírem da terra do Egito" (1Rs 8.9).

Antes da construção do templo, a arca da aliança era carregada por sacerdotes levitas (cf. 2Cr 35.3) que usavam duas varas de acácia revestidas de ouro, fixas em argolas que ficavam na parte inferior da arca (Ex 25.12-15). Quem tocasse na arca da aliança era passível de morte (cf. 2Sm 6.6,7). Segundo o historiador Josefo, a arca da aliança provavelmente se perdeu durante a destruição de Jerusalém pelos caldeus, em 587 a.C., pois na construção pós-exílica do segundo templo (c. de 537 a.C.) a arca já não fazia parte dos utensílios do santuário, o que deveras surpreendeu Pompeu quando em 63 a.C. insistiu, pela força, entrar no lugar santíssimo. F. F. Bruce lembra: "No lugar santíssimo pós-exílico a posição da arca estava marcada por uma plataforma chamada 'a pedra de fundação' (heb. 'eben shattiyyãh)".

Jeremias profetizou o fim da arca da aliança (como objeto e símbolo) assim: "Sucederá que, quando vos multiplicardes e vos tornardes fecundos na terra, então, diz o Senhor, nunca mais se exclamará: A arca da aliança do Senhor! ela não lhes virá à mente, não se lembrarão dela nem dela sentirão falta; e não se fará outra" (Jr 3.16). Comentando Jeremias 3.16, R. K. Harrison diz: "A presença de Deus em Sião fará desnecessária a arca e outros objetos de culto com sua majestade, porque estes são somente símbolos da realidade de Deus. Na Jerusalém celestial de Ap 22.5 o sol também estará fora de moda. Até esta época ainda precisamos de alguns lembretes materiais da atuação de Deus, para auxiliar a fé".

O significado da arca da aliança tem dois aspectos distintos. O primeiro era simbolizar a presença protetora e orientadora de Deus no meio do seu povo. No recôndito do santuário o Senhor revelava sua vontade aos seus servos (Moisés: Ex 25.22; 30.36; Arão: Lv 16.2; Josué: Js 7.6, etc.). Justamente por ser símbolo de Deus com seu povo, a arca da aliança desempenhou um papel importantíssimo, como por exemplo, na travessia do rio Jordão (Js 3.4), na queda de Jericó (Js 6) e na cerimônia da memorização do pacto, no monte Ebal (Js 8.30-35).

O segundo aspecto do significado da arca da aliança, que na verdade é a expressão maior do primeiro, tem a ver com Jesus Cristo. D. D. Turner observa: "A arca tipificava o Senhor Jesus Cristo que intercede por nós detrás do véu". E ainda: "Verifica-se melhor a tipologia da arca em Números 10.33: 'A arca da aliança do Senhor ia adiante deles caminho de três dias, para lhes deparar lugar de descanso'. Jesus Cristo, o antítipo da arca, vai adiante dos seus remidos explorando o caminho através do deserto deste mundo pecaminoso, e levando o seu povo até à Canaã celestial". E conclui: "Assim como a arca ficou nas mãos dos filisteus durante certo tempo (cf. 1Sm 5 e 6), o Messias foi cativo no sepulcro, mas depois ressuscitou com triunfo".

Espero que este breve texto sobre o significado da arca da aliança tenha sido de alguma forma esclarecedor para você. Deus o (a) abençoe.

Bibliografia:

BRUCE, F. F. La epistola a los hebreos. Grand Rapids/Buenos Aires: Eerdmans/Nueva Creacion, 1987.

TURNER, D. D. Exposição da epístola aos hebreus. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1981.

HARRISON, R. K. Jeremias e lamentações: introdução e comentário. Série Cultura Bíblica. São Paulo: Vida Nova/Mundo Cristão, 1989.

KITCHEN, K. A. A arca da aliança. In: O Novo Dicionário da Bíblia. Vol. I. São Paulo: Vida Nova, 1986.

terça-feira, 1 de março de 2011

Voltando a sonhar

Josivaldo de França Pereira


O Salmo 126 revela a alegria do povo de Deus quando foi libertado do cativeiro babilônico: “Quando o SENHOR restaurou a sorte de Sião, ficamos quem sonha” (Sl 126.1). Algo bem diferente do Salmo 137, onde a tristeza e a melancolia consumiam o coração do povo.

Como é bom voltar a sonhar. Ter o vigor renovado e a esperança revitalizada é realmente sublime.

Todos nós podemos voltar a sonhar quando olhamos para trás e recordamos que já passamos por muitas coisas e superamos grandes obstáculos. É como diz o salmista: “Tu, que me tens feito ver muitas angústias e males, me restaurarás ainda a vida e de novo me tirarás dos abismos da terra” (Sl 71.20).

Todos nós podemos voltar a sonhar quando olhamos para o presente e descobrimos que “até aqui nos ajudou o SENHOR” (1Sm 7.12).

Todos nós podemos voltar a sonhar quando olhamos adiante, certos de que o amanhã a Deus pertence. “Basta a cada dia o seu mal”, disse nosso Senhor (Mt 6.33).

Assim como ocorreu com os cativos da Babilônia, nossos sonhos refazem as forças deixadas no passado, levando-nos à redescoberta de um amanhã promissor. Portanto, nunca deixe de sonhar e correr atrás de seus objetivos. Jamais permita que as pessoas o façam desistir, só porque elas não conseguiram. Com fé em Deus e força de vontade todos os seus sonhos serão realizados.

Deus o (a) abençoe.

"Provai-me nisto"

Josivaldo de França Pereira

A declaração acima é parte integrante das promessas de Deus no livro do profeta Malaquias. Ela é uma das poucas passagens específicas da Bíblia em que o próprio Deus pede para ser provado. Temos uma promessa geral no Salmo 34.8 que diz assim: "Oh! provai e vede que o Senhor é bom". Mas poucos textos bíblicos representam de forma tão específica as promessas de Deus como Malaquias 3.10: "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós bênçãos sem medida."
As Testemunhas de Jeová alegam que, hoje em dia, não há necessidade de ninguém ser dizimista porque as promessas de Malaquias 3.10 eram somente para Israel. Que essas promessas eram para Israel nós não negamos, mas será que foram somente para o povo de Israel? Será que a bênção de ser dizimista era só para Israel? Certamente que não; pois se fosse, hoje não estaríamos sendo abençoados por sermos fiéis dizimistas. Dizem também que “dízimo era coisa da lei do Antigo Testamento. Agora estamos no período da graça do Novo Testamento”. A graça divina não anulou de maneira alguma a prática do dízimo. Na verdade, o dízimo existe mesmo antes do estabelecimento da lei mosaica. Veja, por exemplo, Gênesis 14.20; 28.22.
Além disso, o Senhor Jesus Cristo nunca falou contra o dízimo, pelo contrário, ele mesmo incentivou a prática dele quando censurou os hipócritas escribas e fariseus: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da lei, a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas cousas, sem omitir aquelas." (Mt 23.23).
Que a prática do dízimo continue sendo uma demonstração de prova da bondade de Deus em nosso meio e a expressão sincera de um coração agradecido.

Sr. Nakamura entrevistado

Por Josivaldo de França Pereira


Há quanto tempo o senhor está no Brasil e por quais razões o senhor veio para cá?

Estou aqui há 42 anos. A princípio não tinha intenção de morar no Brasil. Vim a passeio visitar um tio, sócio de uma instituição financeira. Conheci minha esposa, que é brasileira, e aqui fiquei.

Antes de conhecer o Brasil qual era a expectativa do senhor em relação à cultura brasileira?

A única ideia que eu tinha do Brasil era a de um grande continente verde, pois era assim que víamos o Brasil nos filmes e documentários.

Quais foram as principais dificuldades encontradas no Brasil?

Hoje eu já não tenho dificuldade, mas o domínio da língua foi meu grande desafio. Em dois anos morando aqui eu aprendi o português.

Quais foram seus principais choques culturais no Brasil?

Foram basicamente quatro choques culturais. 1) O choque climático. O Japão é um país frio e aqui o clima é tropical. 2) O choque da alimentação. A comida japonesa é totalmente diferente da comida brasileira. 3) O choque da disciplina. O excesso de liberdade no Brasil é muito grande, chegando muitas vezes à libertinagem. O japonês respeita os mais velhos. É um povo ordeiro e disciplinado. Os filhos respeitam os pais. Com pessoas de classe média alta não tive dificuldade, mas com as da classe baixa tive dificuldade em me relacionar. Os japoneses agricultores que vieram para cá não tiveram tanto problema com a classe baixa brasileira. 4) O choque geográfico. O Brasil é imenso. O Japão cabe na cidade de São Paulo. Apenas 20% do solo japonês são cultiváveis. Quando visitava o Japão e falava de um rio na Amazônia com 92km de extensão eles me chamavam de mentiroso.

A partir de quando o senhor se sentiu brasileiro, por assim dizer?

Desde que me casei em maio de 62 com uma brasileira. Dois anos depois que cheguei aqui. Eu me naturalizei brasileiro em 1964.

O que há de semelhante e diferente (além da língua e características físicas) entre o povo brasileiro e o povo japonês?

O povo brasileiro e o japonês são totalmente diferentes. O povo japonês é mais frio. O brasileiro é mais alegre. O japonês não é receptivo como o brasileiro. O japonês é criado para não depender de ninguém. São duas culturas totalmente diferentes.

Diga-me há quanto tempo o senhor é evangélico e como foi a sua conversão.

Eu me casei com uma evangélica. Sou evangélico desde 1975. Sou de origem budista e por isso demorei para aceitar o evangelho.

Como é ser cristão na cultura japonesa?

No Japão é difícil. Há muita pressão. O uso de bebida, fumo e a frequência aos bordéis são comuns no Japão. Mas antes dos 20 anos de idade é proibido beber e fumar.

O que é ser um japonês evangélico no Brasil?

Sou o único japonês presbiteriano na minha região. Fui bem aceito pela igreja brasileira. Fui diácono e atualmente sou presbítero. Sou prestigiado e respeitado pela igreja.

O senhor tem notícias do Japão?

Frequentemente vou ao Japão. Eu tenho um filho que mora lá. Todos os meus parentes estão lá. Hoje mesmo conversei com minha irmã por telefone. Ela estava toda feliz porque nosso pai, que era engenheiro civil, foi homenageado na Ilha Formosa por causa de uma ponte que ele construiu em Formosa há muitos anos.

Como está o Japão em termos de evangelho?

Apesar de ter evangélicos no Japão, a evangelização ainda é muito precária por lá. O evangelho é muito fraco no Japão. Há mais ou menos 150, 200 anos Marco Pólo passou pelo Japão, época em que foi difundido o cristianismo em Hiroshima e Nagasaki. Hoje existe uma forte influência católica nessas duas cidades. Por volta de 200 anos atrás, muitos cristãos foram perseguidos por causa de sua fé.

O senhor pretende um dia retornar ao seu país de origem? Por quê?

Não pretendo retornar porque já estou enraizado aqui. No Japão eu me formei em ciências econômicas. Tenho quatro diplomas universitários no Japão. Mas agora eu tenho mais tempo de Brasil do que de Japão. São 42 anos no Brasil e 28 no Japão. Sou mais brasileiro que japonês, por assim dizer.

Qual a sua opinião sobre o Brasil, politicamente falando?

A lei brasileira é ótima. Mas os governantes e os brasileiros em geral não têm amor à pátria. Na maioria dos países morre-se pela pátria. O brasileiro não. Se fosse patriota o governo seria bem melhor. Não haveria tanta corrupção. A lei é boa, mas o povo não a segue. De certo modo eu gosto da desordem do povo brasileiro, mas essa desordem acaba atrasando o desenvolvimento do país. Aqui tem mais riqueza que nos Estados Unidos. É só aproveitar bem o que temos aqui.

Como o senhor vê a igreja evangélica brasileira?

Em termos de evangelização o Brasil ainda é o melhor país do mundo. O evangelho no Brasil está em ascensão. Ainda se mantém a pureza doutrinária. Aqui a gente aprende muita coisa que dá para transmitir a outros países. O Brasil não fica atrás quanto ao ministro evangélico. Um pastor presbiteriano, por exemplo, que fez o seminário não deixa nada a desejar, doutrinariamente falando, a qualquer pastor do mundo. Aqui é ótimo, ótimo.

Há mais alguma coisa que o senhor gostaria de acrescentar nesta entrevista?

Gostaria de dizer que o Brasil é um país maravilhoso. Adoro o Brasil. É a minha segunda pátria. Aqui tem de tudo. O povo não é sofrido como o japonês. O brasileiro é ao mesmo tempo manso e indomável. É muito difícil compreender o brasileiro. Mas é um povo adorável. Dou graças a Deus por estar no Brasil apesar da violência. A grande maioria do povo é de gente boa. Tenho grande admiração pelo Brasil e pelos brasileiros.

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Esta entrevista foi realizada em 2003. O nome do entrevistado está modificado.