sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Por que nós, presbiterianos, batizamos nossas crianças?

Josivaldo de França Pereira

Talvez o primeiro passo para se compreender porque as crianças devam ser batizadas seja respondendo a pergunta: Por que os adultos são batizados? Os adultos devem ser batizados porque eles são estranhos ao pacto da graça, e somente o arrependimento de seus pecados e o selo do batismo introduzem-nos dentro do pacto. O pré-requisito para o batismo cristão é a fé em Cristo Jesus. “Mas as crianças creem?”, perguntaria alguém. “Os textos bíblicos que falam da fé como pré-requisito para receber o batismo, não se referem às crianças. A prova é que Marcos (16.16), depois de citar as palavras de Cristo – ‘quem crer e for batizado será salvo’ – registra também – ‘quem, porém, não crê, será condenado’. Ora, se as crianças não são capazes de crer e, por isso, não podem ser batizadas, elas estão condenadas. No entanto, Jesus afirmou: ‘... das tais é o reino de Deus’, e sem qualquer referência à fé”.[1]
Os filhos de pais crentes estão naturalmente dentro do pacto de Deus com seus pais. O batismo é o sinal e selo externo desse pacto. O batismo é "um sinal da aliança (como a circuncisão, mas sem derramamento de sangue) e, portanto, um sinal da obra de Deus realizada a nosso favor, que antecede e possibilita nossa própria atuação correspondente".[2] Por isso, "Enquanto houver oração no Espírito e uma disposição de pregar a palavra evangélica quando vier a oportunidade, as crianças pequenas podem ser incluídas dentro da esfera desta obra vivificante da qual o batismo deve ser o sinal e o selo".[3]
A Confissão de Fé de Westminster é incisiva quando diz: “Não só os que de fato professam a sua fé em Cristo e obediência a ele, mas também os filhos de pais crentes (ainda que só um deles o seja) devem ser batizados” (XXVIII, 4). Igualmente, o Catecismo de Heidelberg, em sua pergunta e resposta de número 74: “Há de se batizar também as crianças? Naturalmente, porque estão compreendidas, como os adultos, no pacto, e pertencem à Igreja de Deus. Tanto a elas como aos adultos é prometido, pelo sangue de Cristo, a remissão dos pecados e o Espírito Santo, operador da fé; por isso, e como sinal deste pacto, devem ser incorporadas à Igreja de Deus e diferenciadas dos filhos dos infiéis, assim como se fazia no pacto do Antigo Testamento pela circuncisão, cujo substituto é o Batismo no Novo Pacto”.[4]
“Embora o batismo e a circuncisão não sejam idênticos, têm pontos cruciais em comum. Ambos são sinais da aliança e sinais da fé. No caso de Abraão, ele abraçou a fé depois de adulto e fez uma profissão de fé antes de ser circuncidado. Ele tinha fé antes de receber o sinal desta fé. Seu filho Isaque, no entanto, recebeu o sinal da fé antes que tivesse a fé que o sinal simbolizava (como foi o caso de todos os outros filhos da aliança).”[5]
“O ponto crucial é que, no Antigo Testamento, Deus ordenou que o sinal da fé fosse dado antes que a fé estivesse presente. Visto que esse era claramente o caso, seria um equívoco argumentar em princípio que é errado administrar um sinal de fé antes que a fé esteja presente.”[6]
A base bíblica para o batismo de infantes (pedobatismo) está em Gênesis 17. Do mesmo modo como a circuncisão introduzia a criança no pacto, assim o faz o batismo. “Em geral, a Nova Aliança é mais inclusiva que a Antiga Aliança. Aqueles que contestam a validade do batismo de crianças estão tornando a Nova Aliança menos inclusiva com relação às crianças, a despeito da ausência de qualquer proibição bíblica contra o batismo de crianças”.[7] Não temos certeza se nas casas de Atos 16.15,33 e 1Coríntios 1.16, por exemplo, havia crianças, mas se havia, então certamente foram batizadas por causa da aliança de Deus. "Visto que o batismo tomou o lugar da circuncisão (Cl 2.11-13), as crianças devem ser batizadas como herdeiras do reino de Deus e de seu pacto" (Form for the Baptism of Infants).[8]
Que os filhos de pais crentes, ou aqueles que têm um dos pais crentes, devem ser batizados sobre a base de suas relações de pacto, pode ser visto ainda em Atos 2.39 e 1Coríntios 7.14. Portanto, façamos do batismo que recebemos verdadeira expressão de vida cristã para nós e nossos filhos.[9]


[1] Adão Carlos Nascimento, A Razão da Nossa Fé. São Paulo: Cultura Cristã, 2007, p. 42.

[2] G. W. Bromiley, Batismo Infantil. In: Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Vol. 1. São Paulo: Vida Nova, 1988, p. 158.

[3] Idem, p. 159. V. t. Elias Dantas Filho, Filhos e Filhas da Promessa. Curitiba: Descoberta, 1998, p. 125-140; Guillermo Hendriksen, El Pacto de Gracia. Grand Rapids: SLC, 1985, p. 55-63.

[4] Veja também Ronald Hanko, Batismo e Circuncisão. In: http://www.eleitosdedeus.org/batismo-infantil/batismo-circuncisao-rev-ronald-hanko.html#axzz1VWD5I61d. Acesso em 19/08/2011.

[5] R. C. Sproul, Verdades Essenciais da Fé Cristã. 4a ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2010, 3º Caderno, p. 17.

[6] Ibidem. Itálicos do autor.

[7] Idem, p. 18. Itálico do autor.

[8] Citado por G. Hendriksen, Comentário del Nuevo Testamento: Colosenses/Filemon. Grand Rapids: SLC, 1982, p. 137. Nota 86; L. Berkhof, Teologia Sistemática. 7ª ed. espanhola. Grand Rapids: T.E.L.L., 1987, p. 763.

[9] Veja mais sobre pedobatismo em João Calvino, As Institutas (Edição clássica). Vol. 4. 2ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2006, IV.xvi; C. Hodge, De la Insígnia Cristiana. Países Bajos: Felire, 1987, p. 39-87; Philippe Landes, Estudos Bíblicos sobre o Batismo de Crianças. 3ª ed. São Paulo: CEP, 1979; John P. Santelle, O que os Pais Cristãos devem saber sobre Batismo Infantil. In: http://www.ipcb.org.br/arquivospdf/oqueospais_batismoinfantil.pdf. Acesso em 08/06/2011. 

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O “Outro Evangelho”: A Mensagem de Gálatas 1.6,7

Josivaldo de França Pereira


A passagem bíblica de Gálatas 1.6,7 parece não estar muito clara na língua portuguesa: “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo”. A tradução adotada aqui é a da ARA (Almeida Revista e Atualizada), mas o mesmo acontece nas demais versões em português que traduzem “para outro evangelho, o qual não é outro”.  Afinal, o “outro evangelho” é ou não é outro?
Em português o adjetivo “outro” é “outro”, e nada mais, ou seja, sempre expressa o sentido de diverso ou diferente do primeiro. No grego temos állos e héteros. O adjetivo héteros é o outro de natureza diferente ou contrária ao verdadeiro; enquanto állos é o outro de mesma substância e qualidade do verdadeiro. É como se Paulo dissesse aos gálatas: “Vocês estão mudando para um evangelho que não é da mesma natureza do evangelho de Cristo”.
Este modo de interpretar Gálatas 1.6,7 não é novo. A. T. Robertson (1863-1934), um grande erudito do Novo Testamento, insistia na distinção onde Paulo não admite dois evangelhos lícitos e toleráveis (ouk estin állo), mas classifica o “evangelho” judaizante (o evangelho de Cristo mesclado com práticas judaicas [cf. At 15.1; Cl 2.16,17]) como héteros, radicalmente diferente do único e verdadeiro evangelho.[1] Portanto, Gálatas 1.6,7 pode ser lido mais ou menos assim: “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho [de substância diferente], o qual não é outro [da mesma substância], senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo”. Os gálatas estavam abandonando esse evangelho em favor de um diferente, um que proclamava a fé mais as obras da lei como o caminho de salvação.[2]
Segundo Robertson, encontramos algo semelhante a Gálatas 1.6,7 no texto de 2Coríntios 11.4[3]: “Se, na verdade, vindo alguém, prega outro [állos] Jesus que não temos pregado, ou se aceitais espírito diferente [héteros] que não tendes recebido, ou evangelho diferente [héteros] que não tendes abraçado, a esse, de boa mente, o tolerais”. O que, por sua vez, também acha seu complemento em Gálatas 1.8,9: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema”. Para Paulo, o evangelho de Jesus é único e incomparável!
Concluindo: Tenho em minhas mãos O Livro de Mórmon. Ele traz na capa o subtítulo: um outro testamento de Jesus Cristo. Com certeza, esse outro testamento de Jesus Cristo não é állos, mas héteros.[4]
     
Apêndice:
Quando Jesus diz em João 14.16: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco”, o adjetivo “outro” de João 14.16 também é állos, isto é, um outro de mesma substância e natureza. Temos aí um bom argumento para refutar a tese das testemunhas de jeová contra a pessoa e divindade do Espírito Santo. Na obra “Let Your Name Be Sanctified”, está escrito: “O santo espírito, porém, não tem nome pessoal. A razão disso é que o santo espírito não é uma pessoa inteligente. Trata-se de uma força impessoal, invisível e ativa, que encontra sua fonte e seu abastecimento em Deus Jeová e que este emprega para executar a sua vontade”.[5]
As Escrituras atribuem ao Espírito Santo predicados da personalidade, como: inteligência (1Co 2.10); vontade (1Co 12.11) e descreve-o como pessoa divina com nomes divinos (Mt 28.19; At 5.3; 1Co 3.16; 2Co 3.17); obras divinas (Sl 104.30 – criação; Sl 139 – onipresença); honra divina (Mt 12.31; 2Co 13.13).
Em João 14.16 Jesus ensina que o Espírito Santo é da mesma natureza dele.


[1] A. T. Robertson. Word pictures in the New Testament: the epistles of Paul. Vol. IV. Grand Rapids: Baker Book House, 1931, p. 276,77; V. t. E. W. Burton. A critical and exegetical commentary: the epistle to the Galatians. Edinburgh: T & T Clark, 1977, p. 22,420-22. Para um ponto de vista diferente, consulte Richard N. Longnecker. Word biblical commentary: Galatians. Vol. 41. Nashiville: Thomas Nelson Publishers, 1990, p. 15.
[2] Cf. Guillermo Hendriksen. Comentário del Nuevo Testamento: Gálatas. Grand Rapids: SLC, 1984, p. 47.
[3] Robertson, op. cit., p. 276.
[4] Veja mais sobre os adjetivos állos e héteros em R. C. Trench. Synonyms of the New Testament. Grand Rapids: Baker Book House, 1989, p. 375-77; W. C. Taylor. Introdução ao estudo do Novo Testamento grego. 7ª ed. Rio de Janeiro: Juerp, 1983, p. 295.
[5] Citado por J. K. Van Baalen. O caos das seitas: um estudo sobre os “ismos” modernos. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1986, p. 193.


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Por que os apóstolos não foram dispersos em Atos 8.1?

Josivaldo de França Pereira


Lucas relata: “... Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria” (At 8.1). Essa foi a primeira grande perseguição contra a igreja do Senhor Jesus. Mas por que os apóstolos, que eram líderes da igreja em Jerusalém, não foram igualmente perseguidos e dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria?
Esta pergunta é facilmente respondida se retrocedermos um pouco no texto de Atos 8.1. Comecemos por Atos 6.1: “Ora, naqueles dias, multiplicando-se o número dos discípulos, houve murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária”. Os “helenistas” aqui não eram os “gentios”. Os gentios romanos somente seriam incluídos na igreja a partir de Atos 10, com a ida de Pedro à casa do centurião Cornélio, e os gentios gregos incluídos em Atos 11.20,21 e nas missões de Paulo a partir de Atos 13. Os helenistas de Atos 6.1 eram judeus cristãos de fala grega. Os chamados hebreus eram judeus cristãos que falavam o aramaico. Portanto, os termos helenistas e hebreus em Atos 6.1 não tratam de judeus e gentios, mas de dois grupos entre os judeus.
A solução para o problema de Atos 6.1 foi imediata: “Então, os doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir as mesas. Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço; e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra. O parecer agradou a toda a comunidade; e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia” (At 6.2-5). Pelos nomes (todos gregos), percebe-se que os escolhidos para servir às mesas eram helenistas, ou seja, judeus cristãos de fala grega. Dentre eles, Estêvão se destacou como arauto do evangelho e realizador de prodígios e grandes sinais entre o povo (At 6.8-10).
O judeu cristão helenista era menos purista, tendo uma visão mais aberta em relação ao Templo de Jerusalém. O que motivou o apedrejamento de Estêvão, em especial, foi a declaração dele: Não habita o Altíssimo em casas feitas por mãos humanas (cf. At 7.48). Após a morte de Estêvão ocorre a grande perseguição de Atos 8.1 (cf. At 11.19). E aí começamos a entender porque os apóstolos não foram perseguidos e dispersos também. É que a perseguição de Atos 8.1 foi contra os judeus cristãos de fala grega como Estêvão. Os apóstolos, que eram hebreus, apenas seriam fortemente perseguidos a partir de Atos 12.
Que tipo de judeus motivou a perseguição de Atos 8.1, os chamados hebreus (judeus de fala aramaica) ou os helenistas (judeus de fala grega)? González sugere os “judeus anti-helenistas”.[1] Kistemaker fala da possibilidade de “judeus helenistas” se voltarem contra os judeus cristãos helenistas e os forçarem a sair da cidade, visto que foram os próprios judeus helenistas que levaram Estevão, um judeu de fala grega, a julgamento.[2] No meu entendimento houve uma junção. Tanto judeus hebreus quanto judeus helenistas se uniram para perseguir os judeus cristãos de fala grega em Atos 8.1. Isso pode ser comprovado do seguinte modo:
(1) O Sinédrio era composto tanto por judeus de fala aramaica como por judeus que falavam o grego, embora os principais acusadores de Estêvão tenham sido os de origem helenista, conforme Atos 6.9;
(2) Saulo, um judeu hebreu[3], inicia sua perseguição contra os helenistas, deixando os apóstolos, que eram de fala aramaica, sem serem incomodados em Jerusalém (At 8.1,3).
A atitude pacífica dos perseguidores (entre os quais se achava Saulo) em relação aos apóstolos, em Atos 8.1, seria também por causa do discurso de Atos 5.34-39? Champlin comenta: “Talvez seja natural pensarmos, entretanto, que os judeus [cristãos] helenistas tenham sofrido acima dos demais, por causa do evento em torno de Estêvão; e alguns supõem que o conselho de Gamaliel, acerca dos maus-tratos conferidos aos apóstolos, tivera algum peso e resultado”.[4]  
Há ainda dois fatos curiosos que chamam a nossa atenção. O primeiro deles é que entre os cristãos primitivos a distinção entre helenistas e hebreus era marcante, como vimos em Atos 6.1. E logo adiante quando Filipe (mais um dos sete que deviam servir às mesas, encarregado deste serviço [At 6.5; cf. At 21.8]), que se tornara tão “poderoso” quanto Estêvão, encontra-se ministrando em Samaria (At 8.5-7), os apóstolos enviam Pedro e João para supervisionar o trabalho de um helenista (At 8.14).
Outro fato curioso é que Saulo – que consentiu na morte de um helenista acusado injustamente de falar contra o Templo (At 6.13,14) porque dizia que o Altíssimo não habita em casas feitas por mãos humanas (At 7.48) – mais tarde adotaria um nome helenista (Paulo) e usaria o mesmo argumento de Estêvão na evangelização dos gregos em Atenas: “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas” (At 17.24).


[1] Justo L. González, A Era dos Mártires: Uma história ilustrada do cristianismo. Vol. 1. São Paulo: Vida Nova, 2003, p. 33.
[2] Simon Kistemaker, Comentário do Novo Testamento: Atos. Vol. 1. São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 380,81.
[3] Cf. Atos 22.3; Gálatas 1.13,14; Filipenses 3.4-6.
[4] Russell N. Champlin, O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo: Atos/Romanos. Vol. 3. São Paulo: Hagnos, 2002, p. 167.


terça-feira, 2 de agosto de 2011

Ciência e Religião

Josivaldo de França Pereira

Há quem pense que Ciência e Religião são duas realidades totalmente incompatíveis. Elas não são incompatíveis nem mesmo parcialmente. “A Ciência e a Religião não são antagônicas, mas irmãs. Ambas procuram a verdade derradeira. A Ciência ajuda a revelar, de uma maneira mais acentuada, acerca do Criador, através de sua criação” (Gustave Le Bon).
Segundo Phillip Henry, “Quem pensa que pode haver um conflito entre Ciência e Religião deve ser muito incompetente em Ciência ou muito ignorante em Religião”.
Voltaire, um filósofo iluminista francês, afirmou: “Uma falsa Ciência faz com que nos tornemos ateus; mas a verdadeira Ciência prosta o ser humano diante da Divindade”. E Frances P. Cobbe complementou: “A Ciência é apenas um monte de fatos, não uma cadeia de verdades, se nos recusarmos a ligá-la ao trono de Deus”.
A Religião, na verdadeira concepção do termo, não é um conceito humano. Ela é essencialmente divina. A palavra “Religião” vem de uma contração latina (religare) que significa religar, ligar ou unir novamente, no caso o ser humano com sua origem divina perdida. A Religião é um dos fenômenos universais mais notáveis da vida humana, e a Ciência não tem como negar isso.
Embora a Religião seja, de modo geral, saudada como uma das maiores riquezas da humanidade, alguns a denunciam como um dos fatores mais perniciosos do mundo. Contudo, mesmo os seus grandes inimigos não lhe podem negar a significação suprema e a influência tremenda para a vida dos indivíduos e das nações. O próprio David Hume, que foi um cético e radical oponente do sobrenatural, disse certa vez: “Cuidado com as pessoas inteiramente vazias de Religião, e se de fato as achardes, ficai certos de que estão apenas alguns degraus afastadas dos brutos”.
Quero concluir este pequeno texto com duas declarações de um dos maiores cientistas de todos os tempos – Albert Einstein. Disse ele: “Todas as especulações mais refinadas no campo da ciência provêm de um profundo sentimento religioso; sem esse sentimento, elas seriam infrutíferas”. E ainda: “Chegamos assim a uma concepção de relação entre Ciência e Religião muito diferente da usual... Sustento que o sentimento religioso cósmico é a mais forte motivação da pesquisa científica”.

Dos que detêm a verdade pela injustiça

Josivaldo de França Pereira


“Quem diz a verdade não merece castigo”. Ouvi essa frase em algum lugar e logo me pus a pensar: “O que a Bíblia diz a respeito?”. Lembrei que em Romanos 1.18 está escrito: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça”.
A verdade é detida pela injustiça, às vezes, por simples ignorância de quem a comete. Mas esse não é o caso de Romanos 1.18. Aqueles que, segundo Paulo, detêm a verdade pela injustiça, são homens ímpios e perversos que constante e intencionalmente praticam iniquidades (cf. Is 5.20). Contra esses a ira de Deus se revela do céu. 
A injustiça é um dos maiores males morais que alguém poderia experimentar na vida. Por outro lado, é maravilhoso ver como Deus abençoa o injustiçado. Quando folheamos as páginas da Bíblia nos deparamos com personagens marcantes como, por exemplo, José do Egito, Jó e Jesus. Todos eles tiveram a verdade detida pela injustiça. Contudo, não por muito tempo.
José disse a seus irmãos: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida” (Gn 50.20). Tiago animou seus leitores citando Jó: “... vistes que fim o Senhor lhe deu...” (Tg 5.11; cf. Jó 42.10-17).  E sobre o Senhor Jesus, Pedro declarou: “Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo” (At 2.36).
A verdade deve estar ligada ao que dizemos e fazemos. Dizer e sustentar a palavra, por exemplo, tem um preço: o custo do comprometimento com a verdade. Mas, infelizmente, nem todos os crentes estão dispostos a pagar esse preço. É que a palavra dita pelo crente de hoje parece não ser honrada nem mesmo pelo próprio crente, como era antigamente. O crente de hoje flerta com a mentira. Ele está politiqueiro; diz uma coisa agora e outra depois. Já não sustenta com tanto empenho o que diz.
Será que não estamos nos tornando cada vez mais parecidos com aqueles que detêm a verdade pela injustiça? Como disse a pouco, alguém pode cometer uma injustiça simplesmente por ignorância, porém, conhecemos “crentes” que o fazem deliberadamente. Assim, a verdade é detida pela injustiça, visto que a mentira está, de fato, presente.
Pitágoras afirmou: "Anima-te por teres de suportar as injustiças; a verdadeira desgraça consiste em cometê-las”. Pedro foi ainda mais enfático: “porque isto é grato, que alguém suporte tristezas, sofrendo injustamente, por motivo de sua consciência para com Deus” (1Pe 2.19). Realmente, “quem diz a verdade não merece castigo”.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Uma Nota Explicativa Sobre As Epístolas Gerais

Josivaldo de França Pereira


A expressão Epístolas Gerais (conhecidas também como “Católicas” e “Universais” [do grego kathólikos]) é, genericamente falando, a denominação dada àquelas epístolas que não foram escritas pelo apóstolo Paulo. Nesse sentido, a carta aos Hebreus, de autoria desconhecida, mas aceita pela maioria dos estudiosos como uma epístola não-paulina, é incluída no grupo das Epístolas Gerais. Assim, as Epístolas Gerais seriam: Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3 João e Judas.
As Epístolas Gerais foram assim chamadas, pela primeira vez, pouco antes do século III. Encontramos essa designação aplicada a uma ou outra dessas cartas em Orígenes (c. 185-c. 254) e em seu discípulo Dionísio de Alexandria (c. 200-265). A designação do nome para todo o grupo de cartas, com exceção de Hebreus, aparece pela primeira vez no século IV com Eusébio de Cesareia (c. 260-c. 340), o primeiro historiador da Igreja cristã, e com Jerônimo (c. 347-419), o tradutor da Bíblia para o latim.
Estritamente falando, o que faz uma epístola ser geral não é somente o fato dela não ter sido escrita por Paulo, mas sim, se o endereço ao qual ela foi encaminhada não é para uma igreja ou pessoa em especial. Todas as epístolas de Paulo possuem destinatários específicos; quer sejam as dirigidas a igrejas, quer sejam as dirigidas a pessoas. Essa explicação deve valer para a carta aos Hebreus, que apesar de ser denominada Epístola aos Hebreus, não tem um “destinatário”.
A Epístola de Tiago também é uma epístola geral autêntica porque, ainda que possua destinatário, ela não é dirigida a uma igreja em especial, mas “às doze tribos que se encontram na Dispersão”. Do mesmo modo, a Primeira Epístola de Pedro “aos eleitos que são forasteiros da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia”; a Segunda Epístola de Pedro “aos que conosco obtiveram fé igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo”; a Epístola de Judas “aos chamados, amados em Deus Pai e guardados em Jesus Cristo” e a Primeira Epístola de João, que nem mesmo tem remetente.
No entanto, o conceito de epístola geral autêntica não se aplica à Segunda Epístola de João “à senhora eleita e aos seus filhos” e à Terceira Epístola de João “ao amado Gaio, a quem eu amo na verdade”. É provável que essas duas cartas de João, que por sinal são muito curtas, tenham sido acrescentadas ao grupo das Epístolas Gerais como simples apêndices ou, talvez, para chegar ao número sete, por aqueles que não consideram a carta aos Hebreus uma epístola geral.
Seja como for, em certo sentido pode-se dizer que todas as epístolas do Novo Testamento, inclusive as de Paulo, são gerais, visto que todas elas são para todas as igrejas e pessoas de todos os tempos.

Bibliografia:
CULLMANN, Oscar. A Formação do Novo Testamento. 8ª ed. revisada. São Leopoldo: Sinodal, 2003.
GLOAG, Paton J. Introduction to the Catholic Epistles. Edinburgh: T. & T. Clark, 1887.
KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento: Hebreus. São Paulo: Cultura Cristã, 2003.



10 pensamentos sobre oração


1) “Sublime é a arte de conversar com Deus” (Thomas à Kempis).


2) “A oração fará com que o homem se afaste do pecado, ou o pecado fará com que o homem se afaste da oração” (João Bunyan).


3) “A família que ora unida permanece unida” (Louis Evans).


4) “A oração é a coisa mais importante em minha vida. Se, porventura, negligencio a oracao por um simples dia, sinto logo o esmaecimento do fogo da fé” (Martinho Lutero).


5) “A oração diária é a melhor ginástica para a alma” (Charles H. Spurgeon).


6) “Quando os homens deixam de olhar para cima perdem o rumo da vida” (Carneiro de Azevedo).


7) “Durante mais de quarenta anos, o sol nunca se levantou na China sem me encontrar de joelhos, em oração” (Hudson Taylor).


8) “A oração não somente muda as coisas, mas também nos transforma” (Maldwyn Edwards).


9) “Há tremendo poder na oração, muito mais que o mundo imagina” (Alfred Tennyson).


10)“Quando trabalhamos, trabalhamos; quando oramos, Deus trabalha” (Oswald Smith).


10 pensamentos sobre o pecado



1)     “O pecado é a vontade de fazer o que Deus não quer; de conhecer o que ele não conhece; de amar o que ele não ama” (Thomas Merton).
2)     “O salário do pecado nunca foi reduzido” (Paul. E. Holdcraft).
3)     “O pecado é soberano até que a soberana graça o destrone” (Charles H. Spurgeon).
4)     “Doloroso é o prazer que brota do enlace entre os sentidos e o mundo sensório. Doce como a ambrósia é o seu primeiro sabor, mas seu último sabor é amargo como fel” (Máxima do hinduismo).
5)     “O pecado é uma fraude; é um enganador; é um destruidor. Promete prazer, e paga com sofrimento; promete vida, e paga com a morte; promete recompensa, e paga com pobreza – a perda de todo bem” (C. D. Cole).
6)     “Pecado não é apenas o uso do que é corrupto, mas, muitas vezes, o mau uso daquilo que é puro e bom” (Billy Graham).
7)     “Pecado é essencialmente o afastamento de Deus” (Martinho Lutero).
8)     “O pecado é um veneno açucarado: tanto arranha como apunhala” (Horace Bushnell).
9)     “O sorriso do pecado é mais perigoso que a sua carranca” (Geikie & Cowper).
10)“O pecado o afasta da Bíblia, mas a Bíblia também o afasta do pecado” (Reamer Loomis).