sábado, 3 de dezembro de 2011

Zerá, Urias e José: O que esses homens têm em comum?

Por Josivaldo de França Pereira


Os nomes de Zerá, Urias e José aparecem, respectivamente, na genealogia de Jesus conforme o evangelista Mateus (Mt 1.3,6,16). O mais interessante é que nenhum deles tem participação direta na natureza humana de Cristo como seus ascendentes segundo a carne. Sendo assim, por que Zerá, Urias e José são mencionados na genealogia de Jesus? Vejamos:
Zerá. “Judá gerou de Tamar a Perez e a Zerá; Perez gerou a Esrom; Esrom, a Arão” (Mt 1.3). Perez é o irmão gêmeo de Zerá. A história de Judá e Tamar; Perez e Zerá, está em Gênesis 38. Tamar era nora de Judá, o qual prometeu a ela seu terceiro filho, Selá, após a morte dos dois primeiros (Gn 38.11). Mas a promessa não foi cumprida.
Anos depois Tamar foi informada que o sogro estava na cidade para tosquiar as ovelhas. “Então, ela despiu as vestes de sua viuvez, e, cobrindo-se com um véu, se disfarçou, e se assentou à entrada de Enaim, no caminho de Timna; pois via que Selá já era homem, e ela não lhe fora dada por mulher” (Gn 38.14). Tendo-a como prostituta, Judá a possuiu e ela concebeu. “E aconteceu que, estando ela para dar à luz, havia gêmeos no seu ventre” (Gn 38.27). Zerá devia ter nascido primeiro. Ele pôs a mão para fora e a parteira atou uma fita vermelha nela (Gn 38.28). No entanto, Zerá recolheu a mão e seu irmão Perez tomou sua frente (Gn 38.29,30).
Pela providência divina Perez tornou-se o primogênito e recebeu o “direito” de ser antecessor do Messias prometido. Zerá aparece ao lado de seu irmão na genealogia de Jesus provavelmente porque seu nome ficou mais conhecido em Israel. Zerá foi o fundador de uma família tribal, progenitor do clã judaico dos zeraítas (Nm 26.20) e de outros indivíduos históricos como, por exemplo, Acã (Js 7.1,18,24; 22.20). Nos livros das Crônicas (1Cr 2.6; 9.6) e Neemias (Ne 11.24) o nome de Zerá sobressai ao de Perez.
Urias. “Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias” (Mt 1.6). A informação mais completa que temos sobre Urias, o heteu, encontra-se em 2Samuel 11. Todavia, sabemos por outros textos bíblicos que ele era um dos mais poderosos homens de Davi, valente oficial do exército, pertencente a uma tropa de elite de trinta e sete guerreiros (2Sm 23.39; 1Cr 11.41).
Urias era marido de Bate-Seba. Davi adulterou com ela e assassinou Urias. O caso de Urias foi a mancha no “currículo” de Davi: “Porquanto Davi fez o que era reto perante o SENHOR e não se desviou de tudo quanto lhe ordenara, em todos os dias da sua vida, senão no caso de Urias, o heteu” (1Rs 15.5). Mais tarde Urias seria homenageado na genealogia de Jesus segundo Mateus. Jesus não descende de Urias, porém, o evangelista “omite” o nome de Bate-Seba e acrescenta o de Urias, dizendo: “Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias” (Mt 1.6).
A justiça e o amor de Deus estão bem claros na história de Davi e Urias. Deus julgou a causa de Urias, punindo Davi por seu adultério e assassinato (2Sm 12.10-12,14). Entretanto, Davi se arrependeu, confessou suas transgressões e foi perdoado pelo Senhor (2Sm 12.13; Sl 32; 51). Na genealogia cheia de graça de Jesus, Davi e Urias vão se encontrar, como se encontram hoje no céu.
José. “E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo” (Mt 1.16). Há quem diga que Mateus segue a genealogia de Maria e Lucas a de José. Tanto Mateus quanto Lucas seguem a genealogia de José (cf. Mt 1.16; Lc 3.23). A diferença é que Mateus começa por Abraão e termina com José. Lucas, por sua vez, inicia com José e conclui com Adão.[1] Contudo, uma vez que Jesus nasceu de Maria, por que os autores bíblicos não seguiram a genealogia dela?
Maria pertencia à mesma descendência judaica de José, pois, do contrário, o anjo não diria a ela acerca de Jesus: “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai” (Lc 1.32, itálicos acrescentados; v. t. Rm 1.3). De modo que, aquilo que José poderia oferecer a Jesus, em termos de natureza humana, já estava representado na pessoa de Maria.
José tem uma passagem bem discreta nos Evangelhos. Nunca “ouvimos” a sua voz. Mateus registra o nome de José sete vezes, sem contar a única vez quando em Nazaré se referem a Jesus como “o filho do carpinteiro”. Lucas chama José pelo nome cinco vezes. João menciona o nome dele apenas duas vezes e Marcos nenhuma vez. Semelhante a este, nenhum outro livro do Novo Testamento cita o nome de José direta ou indiretamente. No entanto, José nunca aparece nos Evangelhos como sendo um pai adotivo de Jesus. Ele é descrito, em especial por Mateus, como o verdadeiro pai de Jesus segundo a carne, ainda que nada tivesse a ver com a concepção de nosso Senhor. No sentido físico Jesus era “de Maria” e não “de José”. José era o pai de Jesus somente no sentido legal. O sentido legal também era importante. Era através de José, e não de Maria, que se transferia o direito do trono de Davi a Jesus.


[1] Veja a postagem “Por que José, o marido de Maria, é filho de Jacó em Mateus 1.16 e de Heli em Lucas 3.23?”.

Por que José, o marido de Maria, é filho de Jacó em Mateus 1.16 e de Heli em Lucas 3.23?

Josivaldo de França Pereira


Alguns estudiosos tentam resolver esta questão dizendo que Mateus segue a genealogia de José e Lucas a de Maria. Assim, segundo eles, Jacó seria pai de José (cf. Mt 1.16) e Heli, pai de Maria. O problema desse ponto de vista é: Como uma genealogia que começa com José, no caso de Lucas 3.23, de repente se transforma na genealogia de Maria?
A aceitação de uma genealogia mariana para Lucas é bastante questionável. O ponto de vista mariano é, na verdade, uma teoria que remonta a Ânio de Viterbo, um erudito católico romano do século XV. Não se tem registro de uma interpretação mariana da genealogia de Lucas antes dele. A teoria de Viterbo foi aceita por Lutero no século XVI e por muitos protestantes desde então. Contudo, ela não é de modo geral favorecida pela maioria dos eruditos católicos e protestantes da atualidade.
Que dizem os defensores da interpretação mariana? Alguns sustentam que o uso da palavra “pai”, no hebraico e no grego, permite que o termo “pai” seja usado no lugar de “sogro”, apesar de sogro não ser o parentesco verdadeiro e a palavra “pai” nem aparecer em Lucas 3.23. Outros, tentando tirar do texto de Lucas 3.23 um argumento em prol da teoria mariana, argumentam que a expressão “como se cuidava” (ou “como se supunha”, segundo outras versões) faria de toda a genealogia “de José” uma conjectura. Entretanto, o que Lucas diz aqui de José não é em relação à genealogia, mas em relação a Jesus: “Ora, tinha Jesus cerca de trinta anos ao começar o seu ministério. Era, como se cuidava, filho de José, filho de Heli” (Lc 3.23). Lucas sabia que José era o verdadeiro pai de Jesus apenas no sentido legal.
Considerando que ambas as genealogias são de José, como resolver a questão dele ser filho de Jacó em Mateus e de Heli em Lucas? Os comentaristas marianos não têm dificuldade em atribuir a genealogia de Mateus 1.1-17 a José. O debate gira em torno da genealogia de Lucas 3.23-38. Por sua vez, aqueles que não aceitam a genealogia mariana para Lucas não negam “a tradição primitiva da origem davídica de Maria” e, sim, a atribuição da genealogia lucana a ela.
Portanto, para a maior parte dos que pensam que ambas as genealogias dão a linhagem de José, Jacó e Heli seriam irmãos, ou seja, quando Heli morreu, Jacó teria tomado sua viúva como esposa. José seria filho de Jacó no sentido literal, e de Heli, no sentido legal. Segundo a lei judaica, o irmão deveria continuar a descendência do irmão morto, casando-se com a viúva deste. Uma outra possibilidade, de acordo com os defensores da genealogia de José em Lucas, é que José tenha sido filho de Jacó por nascimento, mas filho de Heli por adoção, ou vice-versa.
Os defensores da genealogia de José em Lucas podem ter acertado em uma ou outra dessas suposições, porém, no meu modo de ver elas parecem tão artificiais quanto as da genealogia mariana. Por exemplo: se a lei do levirato fosse aplicada no caso de Jacó e Heli serem irmãos, José devia ter recebido o nome do tio morto (cf. Dt 25.5,6). Também não temos nenhum exemplo na Bíblia de um tio sendo chamado de pai.
Permita-me, por gentileza, apresentar mais dois pareceres que, a meu ver, são mais bíblicos em favor da genealogia de José em Lucas. O primeiro deles é que Jacó e Heli podem ter sido, um ou outro, é claro, pai, avô, bisavô, ou mesmo um ascendente ainda mais distante de José. Não é errado pensar assim, uma vez que na Bíblia as palavras “pai” e “filho” são usadas em mais de um sentido (Ex.: Gn 32.9; Lc 3.38). Além disso, os estudiosos são unânimes em afirmar que tanto Mateus quanto Lucas trazem lacunas em suas respectivas genealogias. Ambos os autores não têm intenção de apresentar listas absolutamente completas da ascendência de Jesus. Assim, alguns pais são avós ou bisavós e alguns filhos, netos ou bisnetos. Não temos como fugir disso nas genealogias de Mateus e Lucas.[1]
Um outro parecer é que Jacó e Heli podem ser dois nomes distintos para uma mesma pessoa, visto que ambos procedem de Matã (Mt 1.15; Lc 3.24). Essa também não é uma forma absurda de pensar. Temos no Antigo Testamento vários exemplos dessa natureza, principalmente entre os reis de Judá. Na própria genealogia de Jesus, Néri, ao invés de Jeconias, aparece como pai de Salatiel (Mt 1.12; Lc 3.27).
Mateus e Lucas têm propósitos diferentes na genealogia de Jesus e ambos usaram, claramente, fontes distintas. A lista de Lucas tem mais nomes que a de Mateus. Mateus é mais restrito em sua lista indo até Abraão porque tinha em mente os judeus, ao passo que Lucas é mais global indo até Adão porque tinha em mente os gentios. Lucas menciona alguns ascendentes de José que não estão em Mateus, porém, quando lidos de trás para frente vão convergir, assim como em Mateus, na mais importante pessoa da lista – Jesus.
Concluindo: Considerando, pois, que ambas as genealogias são de José, então, ou (1) José era filho de Jacó e de Heli, no sentido de fato para um e de direito para outro, ou (2) Jacó e Heli eram a mesma pessoa com nomes diferentes.


[1] Mateus ajustou sua lista em três grupos de catorze gerações cada. A lista de Lucas, se interpretada no sentido de que em cada caso “filho” deve significar descendente masculino imediato, seria curta demais para abranger a trajetória de Jesus até Adão. 

O adjetivo Méga em Atos 8

Josivaldo de França Pereira


Adjetivo é a palavra que modifica o substantivo, indicando qualidade, caráter, modo de ser ou estado. Somente em Atos 8.1-13 Lucas utiliza seis vezes o adjetivo méga (grande). Ele fala da “grande perseguição contra a igreja de Jerusalém” (At 8.1) que aconteceu por ocasião da morte de Estêvão. Os apóstolos não foram dispersos, até então, porque essa perseguição foi contra os crentes judeus de fala grega (os chamados helenistas) como Estêvão. Os apóstolos eram hebreus (cf. At 6.1) que falavam o aramaico. E “todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria” (At 8.1). 
Lucas relata, ainda, que os homens que sepultaram Estêvão fizeram “grande pranto sobre ele” (At 8.2). “Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere. Entrementes, os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra” (At 8.3,4). Quanto mais a igreja era perseguida, mais e mais ela crescia.
Com a chegada de Filipe em Samaria, pregando o evangelho com sinais e maravilhas (At 8.5,7), “As multidões atendiam, unânimes, às cousas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele operava” (At 8.6). “E houve grande alegria naquela cidade” (At 8.8). Filipe era um dos sete helenistas mencionados em Atos 6.5 (cf. At 21.8) com a mesma capacidade dos apóstolos para operar sinais que serviram como confirmação de sua mensagem. “Tinha este quatro filhas donzelas, que profetizavam” (At 21.9). Pedro e João, que eram hebreus, seriam enviados mais tarde pelos apóstolos para supervisionar o trabalho do helenista Filipe em Samaria (At 8.14-17).
No entanto, observe que o méga (grande) de Lucas até aqui é positivo em relação à igreja (incluindo a grande perseguição) e ao ministério de Filipe em Samaria.  A partir do verso 9 temos um contraste, ou, em outras palavras, o uso negativo de méga. Lucas fala de certo homem chamado Simão, que iludia o povo de Samaria com mágicas, “insinuando ser ele grande vulto”. As coisas grandes que o Espírito Santo realizava em Samaria eram dádivas para a igreja de Cristo Jesus, para todos os que o recebiam pela fé. As coisas que Simão realizava eram grandes aos próprios olhos dele e de todos os que eram enganados por ele, a ponto de dizerem: “... Este homem é o poder de Deus, chamado o Grande Poder” (At 8.10).
Lucas conclui o verso 13 retornando ao uso positivo de méga: “O próprio Simão abraçou a fé; e, tendo sido batizado, acompanhava a Filipe de perto, observando extasiado os sinais e grandes milagres praticados”. Veja que agora Lucas já não fala mais no singular. Pela primeira vez ele utiliza o plural (megálas) para se referir aos “grandes milagres” de Atos 8. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Por que igrejas desaparecem?

Josivaldo de França Pereira


Está mais do que provado que igrejas, de fato, desaparecem. E nisso não há nenhuma contradição com o que Jesus disse: “... e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). A Igreja de Jesus, como Corpo místico de Cristo; militante e triunfante, jamais desaparecerá. No entanto, uma igreja local pode desaparecer; uma denominação ou associação religiosa, do mesmo modo, pode se extinguir.
O que leva uma igreja a desaparecer? O que levou as igrejas do Novo Testamento, plantadas com suor, lágrimas e sangue por Paulo a serem extintas? Estou de pleno acordo com aqueles que dizem: “Foi porque perderam a visão evangelística e missionária”. As igrejas plantadas no livro de Atos, e todas aquelas mencionadas no livro do Apocalipse, desapareceram porque não deram continuidade ao trabalho missionário e evangelístico de Paulo e de tantos outros. As novas gerações que surgiam não tiveram a mesma visão e ação, deixando de trilhar o mesmo caminho de seus antecessores.
Hoje, muitas das regiões onde outrora existiram igrejas cristãs, Ásia e Europa, estão dominadas pelo islamismo ou por um cristianismo que nem de longe lembra o das igrejas verdadeiramente bíblicas do passado. Templos de igrejas são fechados e vendidos e, no lugar deles, bares e boates ocupam seus espaços. A decadência espiritual já chegou à América do Norte por conta de uma superficialidade espiritual (ou nem isso) por parte de muitos. O pós-modernismo, somado ao liberalismo teológico e moral, está matando muitas igrejas por lá.
Constate a realidade atual em alguns países:
Espanha
Mais de 50% dos batizados como católicos não tem mais ligação com a igreja. O vácuo está sendo preenchido por:
1.  Seitas estrangeiras com mais de 300 ativas. 30 são satanistas.
2.  Drogas - Há pelo menos 300.000 viciados em cocaína e heroína. O maior número de aidéticos da Europa.
3.  Dos 8.046 municípios somente 435 tem o testemunho evangélico.
4.  Não existe nenhuma igreja na língua basca.
5.  A Arábia Saudita deu recursos para a construção da maior mesquita da Europa.
Itália
1.  O ocultismo é generalizado. Existem pelo menos 100.000 feiticeiros. Três vezes mais do que padres católicos.
2.  O satanismo é muito mais forte no norte do país, inclusive oram pela remoção dos missionários evangélicos.
3.  31.000 comunidades não têm nenhum testemunho estabelecido.
4.  Mais ou menos 400.000 viciados em heroína.
5.  Existe um missionário para cada 24.000 pessoas.
Romênia
1.  80% dos líderes das Igrejas Pentecostais não têm nenhum treinamento formal.
Reino Unido
1.  Alto índice de divórcio, suicídio e filhos ilegítimos.
2.  Extensa propaganda da nova era e dos cultos místicos e orientais.[1]

Outras informações
Ken Ham, da Mission 3:15, apresentou a seguinte estatística:

-  A Inglaterra não tem mais 40 anos de cristianismo evangélico.
-  Austrália não tem mais 50 anos de cristianismo.
- EUA, a cada dia diminui o número de evangélicos.[2]
Temos diante de nós o desafio da re-evangelização.
Como as igrejas do mundo ocidental gastam seu dinheiro?


95% em atividades domésticas.
4,5% no campo missionário.
0,5% em obras entre povos não-alcançados. 
Como os cristãos gastam seu dinheiro? 
As pesquisas mostram que:

GASTAM mais com CHICLETES do que com MISSÕES;
GASTAM mais com REFRIGERANTES E BALAS do que com MISSÕES;
GASTAM mais com COSMÉTICOS E PRODUTOS DE BELEZA do que com MISSÕES;
GASTAM mais com COMIDA SUPÉRFLUA do que com MISSÕES;
GASTAM mais com ANIMAIS DE ESTIMACÃO do que com MISSÕES;
GASTAM mais com ROUPAS DE ETIQUETA do que com MISSÕES.
Um aparelho eletrodoméstico que um cristão compra À VISTA costuma ter um custo MAIOR do que a oferta dada para missões DURANTE 5 ANOS por esse mesmo cristão.
Os cristãos estão dando para missões MENOS do que o valor equivalente a UMA COCA-COLA diária. Como podemos dizer que amamos a obra missionária, se MISSÕES é o nosso MENOR investimento?[3]
Confessemos a Deus nossa culpa e pecado.
Se as igrejas brasileiras não priorizarem o trabalho missionário, deixando de evangelizar, certamente desaparecerão como as igrejas do passado e tantas outras do presente também.


[1] Fonte: Rev. Marcos Agripino - Executivo da APMT (28/08/2002).
[2] Fonte: Rev. Júlio Marcelo, missionário na Austrália (Informação recebida via internet em 13/06/2003).

[3] Fonte: Seminário Mobilizadores para Missões - Missão Horizontes – Brasil. S/d.

Como o Espírito Santo glorifica a Jesus?


Josivaldo de França Pereira


O Senhor Jesus disse acerca do Espírito Santo: “Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar” (Jo 16.14). Jesus veio ao mundo como revelador do Pai, mas o tempo do seu ministério foi curto demais para que os discípulos pudessem assimilar tudo o que ele tinha a revelar. Entretanto, seu ministério de revelação seria continuado pelo Espírito, depois da sua partida.
Assim como se esperava que o Messias expusesse claramente todas as implicações da revelação que tinha precedido sua vinda, o Espírito Santo também explicará todas as interferências da revelação existente no Messias, e as aplicará com relevância a cada geração subsequente.[1] A missão suprema do Espírito Santo é glorificar a Jesus.
Enquanto em várias partes do mundo muitos procuram rejeitar a Cristo e perseguir sua Igreja, o Espírito Santo, por meio da pregação do evangelho, glorifica a Cristo. Ele faz com que se proclamem as virtudes do Senhor Jesus, mostrando seu poder, santidade, amor, etc., fazendo com que elas resplandeçam e se manifestem entre as nações. Dessa maneira o Espírito glorifica o Filho. Recebe do que é de Cristo – a própria essência do ensinamento dele concernente ao propósito da redenção, forma de salvação, etc. – e o amplia.
Tudo que Jesus Cristo fez, faz e fará pela Igreja é tema do ensinamento do Espírito Santo.[2] O Espírito dá continuidade ao que Jesus começou a fazer e a ensinar (At 1.1,2,8).




[1] Cf. F. F. Bruce, João: Introdução e Comentário. Série Cultura Bíblica. São Paulo: Vida Nova/Mundo Cristão, 1987, p. 274.
[2] Cf. Guillermo Hendriksen, Comentário del Nuevo Testamento: El Evangelio Según San Juan. Grand Rapids: SLC, 1987, p. 600,01.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Dízimo é coisa da lei?

Josivaldo de França Pereira


É sim! Mas não somente da lei. Aqueles que são contra o dízimo se apressam em dizer que “dízimo é coisa da lei”, é “para Israel”. E citam imediatamente Malaquias 3.10, de preferência somente a primeira parte, que diz: “Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa...”. Para muitos a lei equivale ao Antigo Testamento. Contudo, a lei é apenas uma das partes do Antigo Testamento. Os hebreus dividiam as Escrituras em Lei, Profetas e Salmos. “Lei” aqui é a “Lei de Moisés” (Lc 24.44).
Antes que a lei fosse dada por Deus a Moisés, a prática do dízimo já era uma realidade. Embora Gênesis 2.16,17 não fale explicitamente de dízimo, o princípio para tal prática está presente: “E o SENHOR Deus lhe deu (a Adão) esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. A árvore do conhecimento do bem e do mal era tão frutífera e boa quanto as outras. Mas era a árvore de Deus! Todas as outras foram dadas pelo Senhor ao homem, porém, a árvore do conhecimento do bem e do mal, não. Mais adiante vemos Abraão entregando a Melquisedeque, sacerdote do Deus Altíssimo, o dízimo de tudo o que ele havia conquistado na guerra (Gn 14.18-21). Jacó, quando fugia de seu irmão Esaú, teve um sonho – a visão de uma escada. O Senhor Deus falou com ele. Jacó fez um voto ao Senhor (Gn 28.10-22a) e concluiu: “... de tudo quanto me concederes, certamente eu te darei o dízimo” (Gn 28.22b). Esses exemplos são todos antes da lei.
A Bíblia diz que a observância do sábado, um dos dez mandamentos de Deus para o povo, chegaria ao fim (Os 2.11; Cl 2.16,17), todavia, em nenhum lugar a Palavra de Deus nos fala que a prática do dízimo terminaria. Jesus disse aos escribas e fariseus: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas cousas, sem omitir aquelas!” (Mt 23.23, itálicos meus).
Dízimo é sabedoria de Deus, pois evita a extorsão por um lado e a avareza de outro.
Os judeus dizimavam, ainda, cereais e frutos; gado e rebanho (Lv 27.30,32), além de metais preciosos como prata e ouro. Daí o apelo e promessa de Provérbios 3.9,10: “Honra ao SENHOR com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão fartamente os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares”. Malaquias 3.10 diz que todos os dízimos devem ser trazidos “à casa do Tesouro”, significando que não eram somente vegetais e animais que o povo dizimava.
Um olhar atento ao texto de Malaquias 3.8-10 – que alguns citam para descaracterizar o dízimo cristão, alegando que dízimo era uma prática somente para Israel – leva-nos a algumas considerações: (1) Não basta ser dizimista, é preciso ser ofertante também. Deus estava sendo roubado Nos dízimos e nas ofertas [v8]. Alguns líderes cristãos têm questionado a prática do dízimo; por que não fazem o mesmo em relação às ofertas? (2) Não ser dizimista e ofertante não é roubar o próximo, mas ao próprio Deus – vós me roubais [v8]; a mim me roubais [v9]. (3) A contribuição dizimal é para que haja mantimento (v10), recursos para a causa do reino de Deus. (4) As promessas de Deus em Malaquias 3.10 são experimentadas pelos cristãos também: “... e provai-me nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida”. Portanto, não podemos deixar de ser fiéis dizimistas.
Conclusão: Dízimo é uma prática permanente; as ofertas, conhecidas como alçadas (teruma), são circunstanciais. Dízimo é 10% da nossa renda e as ofertas, quando necessárias, segundo tivermos proposto no coração (2Co 9.6,7). Observe que, no caso da oferta, cada um propõe em seu coração o quanto deve contribuir.  

Tipologia: Considerações gerais


Josivaldo de França Pereira


A palavra "tipologia" é de origem grega. Deriva-se do substantivo typos, termo usado no mundo antigo para indicar: a) a marca de um golpe; b) uma impressão, a marca feita por um cunho – daí o sentido de figura, imagem e c) modelo ou padrão, que é o sentido mais comum na Bíblia.
Na Bíblia o modelo é usado em dois sentidos distintos: (1) a correspondência entre duas situações históricas, tais como Adão e Cristo (cf. Rm 5.12-21); (2) a correspondência entre o padrão celestial e seu equivalente terrestre. Exemplo, o original divino por trás do tabernáculo terrestre (At 7.44; Hb 8.5; 9.24). Há várias categorias: - pessoas (Adão, Melquisedeque), eventos (o dilúvio, a serpente de bronze), instituições (festas), lugares (Jerusalém, Sião), objetos (altar de holocaustos, incenso), ofícios (profeta, sacerdote, rei). "A tipologia bíblica, portanto, envolve uma correspondência análoga em que eventos, pessoas e lugares anteriores na história da salvação tornam-se padrões por meio dos quais eventos posteriores, pessoas, etc. são interpretados".[1]
Além dos conceitos mencionados acima, também existe o uso paralelo de figuras de linguagem, juntamente com os tipos, para indicar um exemplo moral a ser seguido. “Todos os crentes, como tais, devem considerar-se modelos ou padrões da vida que se assemelha à de Cristo”.[2]
É relevante fazer uma distinção entre tipo e símbolo. Embora ambos indiquem alguma coisa, diferem em pontos importantes.
·         Símbolo é um sinal;
·         Tipo é um modelo ou imagem de alguma coisa;
·         O símbolo refere-se a alguma coisa do passado, presente ou futuro;
·         O tipo sempre prefigura uma realidade futura.
Podemos resumir esses quatro pontos dizendo que “Um símbolo é um fato que ensina uma verdade moral. O tipo é um fato que ensina uma verdade moral e prediz a realidade daquela verdade” (Davidson, Old Testament Profecy, p. 229).[3]
De certo modo, os tipos do Antigo Testamento foram ao mesmo tempo símbolos (no sentido que comunicavam verdades espirituais aos seus contemporâneos), pois sua significação simbólica podia ser entendida antes de sua significação tipológica ser determinada.



[1] G. R. Osborne, Tipo, Tipologia. In: Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Vol. III. São Paulo: Vida Nova, 1990, p. 535.
[2] Ibidem.
[3] Citado por Luis Berkhof em Princípios de Interpretação da Bíblia. 3a ed. Rio de Janeiro: Juerp, 1985, p. 151.

Enquanto esperava

Josivaldo de França Pereira


O tema desta breve mensagem está baseado em Atos 17.16. Diz o texto bíblico: “Enquanto Paulo os esperava (Silas e Timóteo) em Atenas, o seu espírito se revoltava em face da idolatria dominante na cidade”.
Por causa da perseguição ocorrida em Beréia pelos judeus de Tessalônica, “os irmãos promoveram, sem detença, a partida de Paulo para os lados do mar. Porém Silas e Timóteo continuaram ali. Os responsáveis por Paulo levaram-no até Atenas e regressaram trazendo ordem a Silas e Timóteo para que, o mais depressa possível, fossem ter com ele” (At 17.14,15).
Notemos a espera de Paulo. Ele não ficou ociosa e preguiçosamente no aguardo de Silas e Timóteo. Podia simplesmente usar como desculpa a ausência dos seus companheiros para não trabalhar; contudo, enquanto os esperava, Paulo aproveitou o tempo a fim de se preparar para um encontro formal com os filósofos atenienses. Certamente ele não estava indignado com seus amigos ou desistiu de esperá-los; pelo contrário, o apóstolo os amava e trabalhava esperando por eles.
A ida de Paulo a Atenas aconteceu em caráter emergencial. Pelo menos não há registro de que ele tivesse planejado ir a Atenas depois de Beréia. Contudo, de uma coisa estamos certos: “Paulo não foi a Atenas como turista para visitar os monumentos e artefatos, mas como apóstolo de Jesus Cristo para proclamar a mensagem de salvação”.[1]
O senso de responsabilidade de Paulo o fez agir. Quantas vezes achamos mais fácil esperar estaticamente pelos outros quando nós mesmos poderíamos arregaçar as mangas e ir à luta! Pense nisso.


[1] Simon Kistemaker. Comentário do Novo Testamento: Atos. Vol. 2. São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 177.