domingo, 2 de dezembro de 2012

A Genealogia de Jesus em Mateus e Lucas

Josivaldo de França Pereira


As diferenças e semelhanças entre a genealogia de Jesus em Mateus e a de Lucas são bem evidentes.
Semelhanças. Os primeiros catorze nomes de Mateus (Abraão a Davi) aparecem também em Lucas. Os nomes de Salatiel, Zorobabel e Matã também se encontram em ambas as listas.
Diferenças. As diferenças entre as duas listagens são bem maiores que as semelhanças. Mateus dá a linha ancestral de Jesus Cristo, começando por Abraão, por Davi, por Salomão, e pelos reis, em ordem, até Jeconias, o último rei de Judá. Depois alista os nomes dos herdeiros ao trono, até Jesus. Lucas, na sua genealogia, começa com Jesus, traçando a linha ancestral por meio de Natã (irmão de Salomão) até Davi; e de Davi, mediante Abraão, até Adão.
A grande maioria dos nomes que está numa lista não aparece na outra. A lista de Mateus – (Abraão a Jesus) – é muito mais breve que a de Lucas (Jesus a Adão, filho de Deus). Mateus omite mais gerações que Lucas. Entre Davi e Salatiel a genealogia de Mateus contém 16 nomes diferentes da de Lucas que tem 22. Entre Salatiel e Jesus, Mateus menciona 13 nomes e Lucas novamente 22. Mateus apresenta uma genealogia descendente (de pai a filho); Lucas, uma ascendente (de filho a pai). Em Mateus, Jacó aparece como pai de José. Em Lucas, Heli é o pai de José.
Entendendo as diferenças. Como se sabe, Mateus escreveu principalmente para os judeus, o que explica o fato dele começar a genealogia de Jesus por Abraão e não a estende até Adão como Lucas o faz. Lucas é mais global indo até Adão porque tinha em mente os gentios. Quanto aos nomes, ambos os autores omitiram alguns deles sem fazer qualquer tentativa para apresentar listas completas. Eles apresentam tão-somente uma espécie de sumário da ascendência de Jesus.
Alguns estudiosos dizem que temos em Mateus a genealogia de José e em Lucas a de Maria.[1] Estou com aqueles que defendem as duas genealogias como sendo de José. Aos que sustentam uma genealogia mariana em Lucas, com base numa suposta referência talmúdica, Bruce responde: “Nenhuma ajuda nos pode ser prestada pela referência talmúdica (TJ Haghïghâ 77d) a certa Miriã, filha de Eli (cf. Heli, Lc 3.23), pois essa Miriã nenhuma conexão tem com a mãe de Jesus”.[2] E conclui: “Seja como for, é estranho que, se a lista de Lucas tencionava traçar a genealogia de Jesus por meio de Maria, que isso não tivesse sido claramente expresso”.[3]
Contudo, uma vez que ambas as genealogias são de José, por que elas são distintas em várias partes? De acordo com Champlin, “Aqueles que aceitam duas linhagens diferentes, uma real (de Mateus), e a outra simples e humana (ou sacerdotal, segundo alguns comentadores, de Lucas), parecem ter boas razões, porquanto os nomes contidos nas duas genealogias são bastante diferentes. Todavia, tudo isso são meras tentativas para explicar as diferenças, o que parece preferível a dizer que uma delas é a genealogia de José e que a outra é a genealogia de Maria, embora alguns eruditos continuem defendendo essa opinião”.[4]
O objetivo de Mateus e Lucas é mostrar que Jesus Cristo é o Filho de Deus, descendente legítimo de Abraão e Davi, ficando assim consubstanciadas as reivindicações messiânicas de nosso Senhor.

Bibliografia:
BRUCE, F. F. Genealogia de Jesus Cristo. In: O Novo Dicionário da Bíblia. 2ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2003.
CHAMPLIN, Russel N. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo: Mateus/Marcos. Vol. 1. São Paulo: Hagnos, 2002.
__________________. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo: Lucas/João. Vol. 2. São Paulo: Hagnos, 2002.
HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: Mateus. Vol. 1. 2ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2010.
___________________.Comentário do Novo Testamento: Lucas. Vol. 1. São Paulo: Cultura Cristã, 2003.




[1] Trato desta questão em detalhes na postagem “Por que José, o marido de Maria, é filho de Jacó em Mateus 1.16 e de Heli em Lucas 3.23?”.
[2] F. F. Bruce, Genealogia de Jesus Cristo. In: O Novo Dicionário da Bíblia. 2ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2003, p. 659.
[3] Ibidem.
[4] R. N. Champlin, O Novo Testamento interpretado versículo por versículo: Lucas/João. Vol. 2. São Paulo: Hagnos, 2002, p. 44.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Razão e Fé

Josivaldo de França Pereira

 
“Razão” em filosofia é a nossa consciência intelectual e moral. Em matéria de fé os filósofos geralmente são racionalistas. Mesmos os empiristas. Para o racionalismo, a fonte do conhecimento verdadeiro é a razão operando por si mesma, sem o auxílio da experiência sensível e controlando a própria experiência sensível.
René Descartes (1596-1650), matemático, pai da filosofia moderna e reconhecido como o mais importante pensador francês, era racionalista. O lema de Descartes era “nunca aceitar qualquer coisa como verdadeira a não ser que a conhecesse claramente como tal”. E assim, ele estabeleceu a consciência individual como o critério final da verdade. Segundo Descartes, pensar é a única certeza de que existimos. Cogito ergo sun, (Penso, logo existo), era a afirmação que sintetizava sua filosofia.
Para o empirismo, a fonte de todo e qualquer conhecimento é a experiência sensível, responsável pelas ideias da razão e controlando o trabalho da própria razão. Um dos principias representantes da filosofia empírica foi o inglês John Locke (1632-1704). Em sua obra Ensaio acerca do entendimento humano, Locke combateu duramente a doutrina que afirmava que o homem possui ideias inatas. Ao contrário de Descartes, defendeu que nossa mente, no instante do nascimento, é como uma tábula rasa, um papel em branco, sem nenhuma ideia previamente escrita. É de Locke a seguinte proposição: “Quem não quiser se equivocar deve construir sua hipótese derivada da experiência sensível sobre um fato, e não supor um fato devido a essa hipótese”.
O filósofo prussiano Immanuel Kant (1724-1804) era racionalista e empirista. Em linhas gerais, ele entendia que a fonte do conhecimento pode vir tanto da razão para a experiência como da experiência para a razão. Segundo Kant, a razão pode conhecer como funciona o mundo físico e moral, mas ela não pode conhecer como foi a origem do mundo, se Deus existe ou se a alma é imortal. Para ele, tais ideias e conceitos também não podem ser compreendidos de modo empírico ou cientificamente. Isso quer dizer que Kant negava a existência de Deus? Não. Ele entendia que a moralidade do ser humano e uma causa não-causada postulam a existência de um Deus.
David Hume (1711-1776), filósofo e historiador escocês considerado ateu por alguns, e cético por outros, era empirista. Todavia, no entendimento dele, o conhecimento científico que ostentava a bandeira da mais pura racionalidade também está ancorado em bases não-racionais, como a crença e o hábito intelectual. Isso significa que, desconfiado das posições arraigadas pelo hábito, o cientista deve apresentar suas teses como probabilidades e não como certezas irrefutáveis.   
A filosofia separa a fé da razão, considerando cada uma delas destinada a conhecimentos diferentes e sem relação entre si. No entanto, o filósofo francês e inventor da calculadora, Blaise Pascal (1623-1662), parece ter conseguido aproximar uma da outra. Na obra Pensamentos, em vez de mostrar a mesma confiança na razão que caracterizou o século XVII, Pascal diria que o homem não pode conhecer o princípio e o fim das realidades que busca compreender. Estaria limitado apenas às aparências, já que, em suas palavras, “só o Autor dessas maravilhas as compreende; ninguém mais pode fazê-lo”.
Pascal afirmava que a razão humana seria impotente para provar a existência de Deus. Dependeria da fé a crença em um Deus, cuja existência jamais poderá ser provada. De acordo com seu pensamento, “o supremo passo da razão está em reconhecer que há uma infinidade de coisas que a ultrapassam”. Dessa forma ele dirá: “O coração – e não a razão – é que sente Deus. E isto é a fé: Deus sensível ao coração e não à razão”. É de Pascal a célebre frase: “O coração tem razões que a razão desconhece”.
Pascal polemizou contra “o Deus dos filósofos e dos sábios”, um deus transformado em engenheiro do mundo, que, uma vez criado, seguiria seu rumo em cego mecanismo. Nessa polêmica, o seu alvo era Descartes e sua concepção de um “Deus das verdades geométricas”. O que Pascal busca recuperar é o “Deus de amor e consolação, é um Deus que faz cada qual sentir interiormente a sua própria miséria e a misericórdia infinita de Deus”.
De fato, não há prova científica da existência de Deus. Entretanto, isso não significa que não haja evidências científicas que apontem para a existência de um Criador. Evidências históricas, argumentos filosóficos e teológicos mostram ser mais razoável admitir a existência de Deus do que negá-la. Isso significa que, de alguma maneira, Deus pode ser conhecido.
A Bíblia diz que devemos prestar a Deus um culto racional e ao mesmo tempo com fé (Rm 12.1; Hb 11.6). Afirma que Deus pode ser conhecido (Os 6.3,6; Jo 4.22); que Deus pode ser conhecido mediante a fé e, de certo modo, racionalmente (Rm 1.20,21). A Bíblia faz uma descrição da fé: “Ora, a fé é a certeza de cousas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem” (Hb 11.1). Evidencia ainda que crer na existência de Deus, na origem do mundo e na imortalidade da alma é matéria de fé (Hb 9.27; 11. 3,6)
Biblicamente, a fé é aliada da razão. Razão e fé não se contrapõem na Bíblia. Sendo assim, a fé não é irracional, porém, aonde a razão não pode ir, a fé vai e segue adiante por ela.

Bibliografia selecionada
BROWN, Colin. Filosofia e fé cristã. 2ª ed. revisada. São Paulo: Edições Vida Nova, 2007.
CHAUI, Marilena. Filosofia. Série Novo Ensino Médio. Volume Único. São Paulo: Editora Ática, 2005.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da filosofia: história e grandes temas. São Paulo: Editora Saraiva, 2006.
SPROUL, R. C. Razão para crer. 2ª ed. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1991.
STOTT, John R. W. Crer é também pensar. São Paulo: ABU Editora, 1997.  

Kant curioso

Josivaldo de França Pereira

 
 Kant (1724-1804), um dos filósofos mais perspicazes de todos os tempos, nasceu, viveu e morreu em Königsberg, antiga capital da Prússia Oriental (atual Kaliningrado, província da Rússia). Teve uma vida longa e tranquila, dedicada ao ensino e à investigação filosófica.
Nascido numa família protestante de origem luterana recebeu educação austera em uma escola pietista. Passou grande parte da juventude como estudante sólido, mas não espetacular. Antes dos 59 anos nada fez que merecesse a atenção da humanidade.
Kant foi na sua vida intelectual um homem tão metódico e rigoroso como na vida prática. O padrão da sua vida era rigorosamente regulado. Conta-se que ele se levantava diariamente, mesmo no inverno mais gelado, às cinco da manhã e se deitava às dez da noite, sem contar que todos os dias fazia o mesmo itinerário entre sua casa e a universidade onde lecionava.
O passeio que ele fazia às 15h30, todas as tardes, era tão pontual que as mulheres domésticas da redondeza podiam acertar os relógios por ele. Além dele somente João Wesley (1703-1791), o pai da igreja metodista, entrou também para a história como um homem metódico.
Kant tinha uma convicção curiosa de que alguém só podia ter uma direção firme na vida quando chegasse aos 39 anos de idade. Sua vida particular apresenta um quadro curioso e paradoxal. Gostava do convívio com outras pessoas, mas nunca se casou e não teve filhos, dedicando toda sua existência especialmente ao estudo da filosofia. Gostava de livros sobre viagens, mas nunca viajou muito longe.
Kant é considerado o maior filósofo do iluminismo, pois, nele, a era do iluminismo alcançou seu ápice. O iluminismo foi um movimento cultural de âmbito internacional, ocorrido entre o final do século XVII e parte do século XVIII, cujo pensamento consistia em dar maior credibilidade e ênfase à racionalidade humana.
Acredita-se que o verdadeiro inaugurador da filosofia moderna é Kant, e não Descartes (1596-1650), e que a filosofia, de fato, divide-se em antes e depois de Kant, e não em antes e depois de Sócrates (469-399 a.C). É a partir de Kant que a filosofia passa a ser estudada academicamente nas universidades.
Uma das frases mais famosas desse pensador é: “Confesso que David Hume me despertou, pela primeira vez, do meu sono dogmático”. Dizia que a coragem era a solução para a preguiça e covardia que mantinham o ser humano em sua minoridade intelectual. Portanto, Sapere Aude (Ousai Saber), dizia ele. Para Kant, a filosofia deveria responder a quatro questões fundamentais: O que posso saber? Como devo agir? O que posso esperar? E, por fim, o que é o ser humano? Esta última indagação engloba as três anteriores. Invertendo a questão tradicional do conhecimento, Kant comparou seu papel na filosofia à revolução de Copérnico na Astronomia.
Immanuel Kant escreveu várias obras, entre as quais se destacam suas três críticas: A Crítica da Razão Pura, A Crítica da Razão Prática e A Crítica do Juízo (ou Julgamento). Essas obras abordam, respectivamente, sobre o conhecimento humano, a ética e a estética. Também tratou da ética em Fundamentos da Metafísica dos Costumes, e expôs seu conceito iluminista da religião em A Religião Dentro dos Limites da Simples Razão.
Kant foi professor e diretor de escola. Influenciou (e influencia até hoje) direta e indiretamente a filosofia, a teologia, a política, o direito e a educação. Na filosofia ele influenciou especialmente Arthur Schopenhauer (1788-1860), John Rawls (1921-2002) e Jurgen Habermas (1929-), considerado o último herdeiro vivo de Kant; no direito influenciou Hans Kelsen (1881-1973) e, na educação, Jean Piaget (1896-1980) em seu construtivismo pedagógico.
Kant trabalhou durante quarenta anos na Universidade de Königsberg, deixando o magistério apenas por motivos de saúde. Morreu aos 80 anos de idade (incompletos) sem nunca ter se afastado mais de 40 km de sua cidade natal, sem jamais ficar longe de casa por mais de um dia.

Aspectos messiânicos de José

Exposição de Gênesis 50.18-21
Josivaldo de França Pereira

No meio cristão prevalece o consenso de que José foi um tipo de Cristo. É na pessoa de José, no Egito, que nós encontramos o cumprimento da promessa de Deus a Abraão que, por sua vez, alcançaria seu clímax em Cristo: "Em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gn 12.3).
Entendemos que, pelo menos, dois aspectos messiânicos estão claros em Gênesis 50.18-21: 1) O aspecto real e 2) O aspecto redentivo. Encontramos esses dois aspectos (ora mais, ora menos enfatizados) em Gênesis 37-50.[1] Mas por questão de propósito e objetividade limitaremos o assunto a Gênesis 50.18-21.[2]
O aspecto real da pessoa de José (vv18,19)
No versículo 18 temos o reconhecimento da realeza de José por parte de seus irmãos. Como tipo de Cristo, José agora prefigurava não mais o estado de humilhação e serviço, mas de exaltação e poder do Messias.
Sem dúvida alguma, aqui em Gênesis 50.18 os súditos (irmãos de José) tiveram uma compreensão mais elevada de "servidão" do que a de Gênesis 44.9,33. Isso ficou claro pela prontidão imediata: "Eis-nos aqui por teus escravos" (v18). A maioria das versões em português traduzem o substantivo abadim por "servos". Contudo, não é a melhor tradução. A idéia de escravidão do verso 18 tem a mesma força de Gênesis 44.9: "Aquele dos teus servos, com quem for achado (um copo de prata), morra; e nós ainda seremos escravos do meu senhor". A única diferença nesses dois textos (Gn 44.9 e 50.18) é que no primeiro trata-se de uma hipótese. Os irmãos de José estavam certos que não furtaram nada dele (Gn 44.8). No segundo texto (Gn 50.18) trata-se de uma realidade. Eles se ofereceram como escravos do “rei” José e não se acharam dignos de serem comprados (ou vendidos) nem mesmo por vinte siclos de prata.
Agora seus irmãos reconheciam a verdadeira realeza de José. Antes que José se desse a conhecer a eles não o reverenciaram dentro de uma perspectiva teológica (Gn 42.6), como José via os acontecimentos (Gn 42.9). Mas agora se lembravam dos sonhos de José (Gn 37.7,9) e que a resposta às perguntas que outrora fizeram a José: "Reinarás, com efeito, sobre nós? E sobre nós dominarás realmente?" (Gn 37.8), era afirmativa.[3] Lembraram-se também da túnica real e, principalmente, do mal que lhe fizeram quando procuraram tirar-lhe a realeza com a destruição da túnica (Gn 37.31)[4] e vendendo-o como escravo (Gn 37.28).
Apesar de sua realeza José reconhece que é um mortal e os adverte: "Não temais (a mim) porque porventura estou eu em lugar de Deus?" (v19). Quer dizer, "porventura eu tenho direito de julgá-los?".[5] Lembremos que essa é uma característica tipicamente messiânica (cf. Jo 8.50; Fp 2.6,7; 1Pe 2.23). José deixa com Deus todo acerto do erro dos irmãos, antecipando, desse modo, o ensino do Novo Testamento (cf. Rm 12.19; 1Ts 5.15; 1Pe 4.19). Da mesma maneira que Jesus Cristo, José estava plenamente ciente de que era submisso. Não a Faraó, mas a Deus.
O aspecto redentivo da pessoa de José (vv20,21)
Este segundo aspecto está subordinado ao primeiro. Nos versículos 20 e 21 de Gênesis 50 encontramos a mais bela declaração do entendimento que José tinha da posição em que Deus o colocara. José via além do alcance, por assim dizer. E porque José “viu” o propósito divino em meio à maldade de seus irmãos, ele os perdoou. Não os isentou da culpa ("Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim..." [v20a]), contudo, vê o bem de Deus mais digno de crédito do que a maldade deles, reafirmando o que já havia dito aos seus irmãos: “... porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida” (v20b, cf. Gn 45.5,7,8).
O aspecto redentivo de José tipificou a missão de Jesus no mundo. Conservar "muita gente em vida" (v20) também foi o objetivo da obra redentora de Cristo (cf. Mt 1.21; 26.28; Jo 11.49-52). Não sabemos exatamente quando José tomou ciência do propósito divino em usá-lo como redentor. É possível que a ascensão como primeiro ministro ou grão-vizir de Faraó fosse o ponto de partida, pois o nome egípcio Zafnate-Panéa significa "o salvador do mundo" (cf. Jo 4.42). "E todas as terras vinham ao Egito, para comprar de José; porquanto a fome prevaleceu em todas as terras" (Gn 41.57 - ARC). O importante é que, em certo sentido, José foi "o pão da vida" do mundo de então.
No verso 21 temos o que podemos chamar de "uma atitude verdadeiramente cristã". José não somente paga o mal com o bem quando fala com seus irmãos. Ele dá uma demonstração prática de perdão e afeto. Se por um lado seus irmãos não precisavam temê-lo porque todos, inclusive José, estavam sob o senhorio de Deus (v19), por outro lado não deveriam temer porque todo mundo estava sob a verdadeira proteção e cuidado de Zafnate-Panéa, o salvador do mundo. E José promete: "Eu mesmo vos sustentarei de verdade a vós e a vossos filhos", enfatiza o texto hebraico.[6] José repete e confirma a eles neste versículo (21) a promessa que fez originalmente quando os convidou a virem ao Egito (Gn 45.11,18,19).
A palavra "sustentarei" (v21) não significa que a fome ainda prevalecia. Quando Jacó chegou ao Egito faltavam cinco anos para a fome acabar (Gn 45.11). O patriarca estava com 130 anos de idade (Gn 47.9) e morreu com 147 anos (Gn 47.28); portanto, a fome não mais existia havia 12 anos. E aqui (v21) temos um detalhe importante do aspecto redentivo da pessoa de José, que aponta diretamente para Jesus: Cristo não só nos salvou, mas nos mantém e nos sustenta dia-a-dia com a sua benévola providência. Ele está conosco sempre (Mt 28.2) e intercede por nós (Hb 7.25).
A expressão: "Eu mesmo vos sustentarei de verdade a vós e a vossos filhos" sugere que, como estrangeiros no Egito, os filhos de Israel poderiam dispor de uma pessoa influente como José para guardar seus interesses e representá-los diante de Faraó. Jesus Cristo, sendo um dos nossos, por assim dizer, também é o nosso excelentíssimo representante diante de Deus (1Tm 2.5; 1Jo 2.1).
As palavras "não temais" é a expressão do refrigério que acalma os corações atribulados. Jesus a usou várias vezes para tranquilizar seus discípulos e outras pessoas (Veja, por exemplo, Mt 10.28; 14.27; Mc 5.36; Lc 12.32).
"Assim os consolou, e falou segundo o coração deles" (v21).
Conclusão:
 Van Groningen resume muito bem os dois aspectos messiânicos da pessoa de José (realeza e redenção) quando diz:
José foi um verdadeiro tipo messiânico. Ele foi considerado real, recebeu uma posição real e cumpriu uma tarefa real. Como uma pessoa régia, ele livrou, protegeu e enriqueceu a semente de Abraão e Isaque. Ele funcionou, portanto, como um redentor e provedor físico, social, moral e espiritual. (...). Deus preparou José, e por meio de José o soberano Senhor realizou atos salvíficos dentro do contexto da história do mundo. E ao preparar José e realizar atos de salvação por meio de José, o Senhor falou profeticamente enquanto preparava a cena para a salvação mais plena, mais completa que Jesus Cristo traria. Essa salvação trazida pelo Cristo real foi também o que em última instância validou a obra redentiva de José, cumprida por uma pessoa real, tomada de entre a semente para funcionar em favor da semente.[7]

             Gênesis 50.18-21 encerra uma das mais profundas lições tipicamente messiânicas do Antigo Testamento. Os aspectos messiânicos de realeza e redenção de José prefiguram Jesus Cristo que, como Rei dos reis e Senhor dos senhores (1Tm 6.15), é o Salvador do mundo (Jo 4.42). A realeza é a base da redenção de povos e reinos. E José, como pessoa real, salvou a povos e reinos inteiros do colapso da fome e da miséria. José foi o "pão da vida" do mundo antigo; Jesus Cristo é o nosso "pão da vida" (Jo 6.48) e de todo aquele que nele crê. José os alimentou materialmente; Jesus nos alimenta espiritualmente e também nos sustenta com o pão nosso de cada dia. José, cujo nome significa “aquele que faz aumentar” foi, na verdade, o instrumento de Deus para preservar e aumentar o seu povo. Jesus, cujo nome significa Salvador, "salvará o seu povo dos pecados deles" (Mt 1.21).
De tudo que podemos aprender de José, o que ficam são suas lições práticas para a vida cristã. Considerando que José viveu cerca de 1600 anos antes de Cristo, ele antecipou para nós o verdadeiro sentido do adjetivo que qualifica alguém como “cristão” ou semelhante a Cristo. José, em uma atitude verdadeiramente cristã, soube deixar com Deus a ofensa de seus irmãos (v19) porque aprendeu a ver o propósito divino na maldade dos mesmos (v20) e, por isso mesmo, fez bem a eles apesar do mal que lhe fizeram (v21). Em outras palavras, José praticara o que o Senhor Jesus e os apóstolos ensinariam futuramente: perdoou de coração, do íntimo a seus irmãos, ou seja, pagou o mal com o bem, com demonstração prática de perdão. Eis aí um típico cristão no Antigo Testamento, com o qual o cristão do novo milênio deveria aprender e também imitar.






[1] Destacar os aspectos messiânicos de José não significa negar ou mesmo desconsiderar os outros conceitos e temas de Gênesis 37-50. Por exemplo: Gênesis 37-50 é essencialmente a continuação da história de Jacó e sua família, da preservação da semente escolhida e da designação por Jacó daquele que seria o portador da semente futura. Outros temas, como o do manto, foram empregados para indicar que José era o filho favorito (37.3), o servo favorito na casa de Potifar (39.2,4), o prisioneiro favorito (39.22) e o oficial favorito na corte real egípcia (41.14,41-45). Considerem-se também os sonhos de José concernentes à sua própria família (37.5-11) e mais tarde os sonhos referentes a dois oficiais egípcios (40.12-19), a Faraó (41.37-45) e outros. Consulte Donald Sybold, Paradox and symmetry in the Joseph narrative. In: Literary Interpretations of Biblical Narratives. Nashville: Abingdon, 1974, p. 59-73.
[2] Para um estudo mais amplo sobre o conceito messiânico de José em Gênesis 37-50, consulte Gerard Van Groningen, Messianic Revelation in the Old Testament. Grand Rapids: Baker Book House, 1990, p. 150-153, 165-167.
[3] Segundo Van Groningen (op. cit., p. 151, nota 17), “O infinitivo e imperfeito de mãlak (ser rei, reinar) e de mãsal (dominar) são usados para indicar uma compreensão plena dos irmãos de José sobre o significado do sonho em relação a eles”.
[4] Certamente a túnica foi despedaçada (cf. Gn 37.33).
[5] Para outras possíveis interpretações, veja J. F. Exell, The Pulpit Commentary: Genesis. Vol. I. Grand Rapids: Eerdmans, 1980, p. 539.
[6] Derek Kidner (Gênesis: Introdução e Comentário. Série Cultura Bíblica. São Paulo: Vida Nova/Mundo Cristão, 1988, p. 207) observa corretamente que “José promete algo mais pessoal do que filantropia”.
[7] Van Groningen, op. cit., p. 166,67.

domingo, 11 de novembro de 2012

A origem das espécies

Josivaldo de França Pereira

 
A verdadeira origem das espécies não é aquela proposta pelo evolucionismo e protagonizada por Charles Darwin no livro A Origem das Espécies, publicado em 1859.  A verdadeira origem das espécies está na Bíblia, em Gênesis 1 e 2. “Disse também Deus: Produza a terra seres viventes, conforme a sua espécie: animais domésticos, répteis e animais selváticos, segundo a sua espécie. E assim fez. E fez Deus os animais selváticos, segundo a sua espécie, e os animais domésticos, conforme a sua espécie, e todos os répteis da terra, conforme a sua espécie. E viu Deus que isso era bom” (Gn 1.24,25).
O homem e a mulher não foram criados segundo a espécie de nenhum animal, mas à imagem e semelhança de Deus: “Também disse Deus: façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança... Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1.26,27). “Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente” (Gn 2.7). “Então, o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe” (Gn 2.21,22).
Na época de Darwin, um problema cuja explicação dividia pesquisadores e filósofos era: “Seriam imutáveis as espécies vivas como conhecidas sobre a Terra, ou teriam elas sofrido com o tempo uma lenta, mas progressiva transformação?”. A teoria da evolução de Darwin já havia sido anteriormente esboçada por seu avô, Erasmus Darwin, e cientista como Lamarck, e por seu contemporâneo, o também naturalista inglês Alfred Russel Wallace. A tese darwiniana da evolução resume-se na seguinte ideia: “As espécies animais derivam umas das outras graças a uma seleção natural”. Darwin chegou a essa conclusão após uma viagem de quase cinco anos ao redor do mundo, e principalmente por suas observações nas ilhas Galápagos.[1]
Segundo Darwin, esses animais apresentavam definidas modificações de caracteres externos que variavam até de ilha para ilha. Tais modificações – por exemplo, o tamanho do bico de uma determinada espécie de pássaros – estariam relacionadas com a diversidade dos ambientes que habitavam.
Teoricamente, Darwin admitia a existência de Deus, contudo, na prática, negava a imutabilidade das espécies. Ora, seria absurdo afirmar que o Deus Criador, grandioso em poder e criatividade, não seria capaz de criar espécies distintas para lugares diferentes? O criacionista não crê apenas que Deus criou todas as espécies existentes na face da terra, mas também que ele formou todas as espécies imutáveis. O mimetismo, por exemplo, não é uma característica evolutiva para certas espécies – como o camaleão, algumas borboletas, aves e peixes – mas uma adaptação dada pelo próprio Deus a elas. O criacionista também não vê problema em afirmar que na luta pela sobrevivência apenas os mais aptos vencem e se reproduzem. De fato, são mais aptos os seres que dispõem de bons recursos adaptativos dados pelo Criador.
No que concerne à origem do ser humano, é preciso destacar que ele não pode ser classificado como “animal” em sentido algum. Parece que o primeiro a chamar o homem de animal foi o filósofo grego Aristóteles (384 a. C – 322 a. C.) em sua obra Política. Para Aristóteles, a organização social adequada à natureza do homem é a polis: “a cidade (polis) encontra-se entre as realidades que existem naturalmente, e o homem é por natureza um animal político”. Com o advento do evolucionismo nos séculos XVIII e XIX, passou-se a denominar o homem como “animal racional”.
À luz da Bíblia o homem é político e racional, porém, jamais animal. A Bíblia relata que Deus criou os animais segundo a espécie deles (Gn 1.20-25); no entanto, ao criar o homem do pó da terra Deus o fez de acordo com a sua imagem e semelhança (Gn 1.26-28).[2]



[1] As ilhas Galápagos ficam no oceano Pacífico, a cerca de 1000 km do litoral do Equador, país a que pertencem.
[2] Veja a postagem “Imagem e Semelhança”.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Imagem e Semelhança

Josivaldo de França Pereira


Para criar os vegetais e animais o Senhor Deus simplesmente ordenou a terra e às águas e estas produziram tanto uns quanto outros em abundância (Gn 1.11,12,20,21). Contudo, no momento de criar o homem houve uma mudança de método. Disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...” (Gn 1.26). De início percebemos que na palavra “façamos” a Trindade se reúne para criar o homem. E isso, segundo Calvino, é a mais alta honra com que Deus nos tem dignificado.[1]
Observemos, também, a equivalência dos termos “imagem” e “semelhança”. Essas palavras não se referem a duas coisas distintas. São sinônimas, traduzem a mesma realidade. Trata-se do fenômeno de paralelismo ou correspondência, tão frequente na poesia hebraica. É por isso que podemos encontrar em diferentes trechos das Escrituras o intercâmbio dessas palavras, ou a presença de ambas, expressando a mesma realidade.
Em Gênesis 1.26 são usadas as duas palavras (imagem e semelhança), mas no verso 27 apenas a palavra “imagem”. Em Gênesis 5.1 aparece apenas o termo “semelhança”, enquanto que no versículo 3 encontram-se os dois termos. Gênesis 9.6 contém somente a palavra “imagem”, como expressão completa da ideia. Em Colossenses 3.10 e Tiago 3.9 “imagem” e “semelhança” se alternam, ensinando a mesma verdade. Segundo Berkhof, a opinião usual é que “semelhança” foi adicionada à “imagem” para expressar a ideia de que era, na verdade, uma “imagem perfeita”.
“Imagem” ou “semelhança” nunca se refere ao aspecto físico porque Deus é espírito e não tem corpo como os homens.[2] Desse modo, em que consiste a imagem de Deus no homem? Não sendo física a imagem ou semelhança de Deus, conclui-se que em outras características peculiares ao homem ela deve ser o reflexo de Deus:
(a) Em seu sentimento moral. Adão tinha, antes de pecar, uma disposição moral para o bem. Essa disposição pode ser identificada na retidão original e na santidade com que o homem foi criado, pois Deus é santo. Somente no ser humano se encontra o sentimento moral, reflexo, ainda que tênue, de sua retidão e santidade originais, deturpado pelo pecado (Ec 7.29). A salvação concedida por Cristo restaura no homem a grandeza desse aspecto da imagem de Deus (Ef 4.22-24).
(b) Em sua expressão racional. É com essa capacidade que o homem evolui nas artes, nas letras, nas ciências e em todos os demais aspectos da vida. Entre os animais também existem fatos de surpreendente beleza e sabedoria. Veja, por exemplo, a engenharia das abelhas. Elas constroem favos, excelente obra de arte, onde armazenam o mel. No entanto, é somente isto que elas fazem e sempre do mesmo jeito durante milhares de anos. De igual forma, todos os outros animais em suas respectivas atividades. O ser humano é diferente. Sua inteligência o leva a criar novas condições de vida, a aperfeiçoar seus métodos e evoluir em seus inventos. Lembre-s e que Adão teve inteligência para por nomes em todos os animais do campo e em todas as aves de céu (Gn 2.19,20), como também em dominá-los com sabedoria e respeito à natureza.
(c) Em sua liberdade. Deus, como ser livre, projetou no homem esse traço do seu caráter divino. A liberdade é uma das grandes virtudes da vida e Deus presenteou o homem e a mulher com ela. Deus dotou a vontade de Adão e Eva com tão grande liberdade que eles não foram forçados a fazer o bem ou o mal; tinham a liberdade de querer e fazer aquilo que era bom e agradável a Deus, embora mudavelmente. Para infelicidade deles e nossa, pecaram, e a liberdade que o homem natural possui nunca se refere à busca do bem espiritual (1Co 2.14).
(d) Em sua imortalidade. A alma humana, a essência do próprio indivíduo, é eterna, como Deus é eterno. A morte física é consequência do pecado; entretanto, mesmo após a morte do corpo, o espírito continua vivendo (Ec 12.7; Lc 16.22-24; 2Co 5.1-8).
(e) Em seu domínio e governo. A imagem de Deus imputada na pessoa, a de reinar ou dominar, que é constatada em Gênesis 1.26, é elaborada logo depois nos versículos 27 e 28. O versículo 27 esclarece que essa tarefa pertence ao homem e à mulher. Juntos, homem e mulher tornam-se o mais completo reflexo da imagem de Deus. O verso 28 elabora a imagem de Deus no ser humano em três áreas de responsabilidade e administração: a sua experiência social e familiar; a sua responsabilidade econômica e ecológica, e o governo.
A criação do homem e da mulher foi um dos maiores acontecimentos sobre a face da terra. Somos parte do programa eterno de Deus e testemunhas de seu poder e amor insondáveis. Que a consciência dessas verdades nos torne mais agradecidos e devotados ao Deus Criador, que tanto tem feito por nós.



[1] Outros teólogos preferem chamar o verbo “façamos” de Gênesis 1.26 de “plural majestático”.
[2] Querer identificar aspectos físicos na expressão “imagem e semelhança”, com o argumento de que temos o corpo que Cristo teria, não é bíblico. A Bíblia é clara ao dizer que foi Cristo quem assumiu a forma do nosso corpo. 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O Que é Ciência?

Josivaldo de França Pereira

 

Ciência é o conjunto metódico de conhecimentos obtidos mediante a observação e a experiência.  
A Ciência como disciplina é relativamente nova, surgiu apenas no século XVI, com Galileu Galilei. O termo “ciência” origina-se da palavra latina scientia, significando conhecimento.
A Ciência procura saber quando, como e por que as coisas acontecem. Entretanto, quando se trata da origem das espécies, do ser humano e do Universo, o que se ensina nas escolas é que existem dois pontos de vista: o Criacionista e o Evolucionista. Que o Criacionismo se baseia na Religião e o Evolucionismo na Ciência. E deixa-se para lá o Criacionismo.
Via de regra, de acordo com a Ciência, aquilo que não pode ser comprovado com evidências e prova cientifica deve ser naturalmente descartado. Contudo, nem tudo que é aceito pela Ciência como “científico” é de fato Ciência. Por exemplo, a paleontologia, ciência que estuda a evolução das espécies através dos fósseis. Para proceder a uma experimentação com animais é preciso estudá-los vivos. Mas como fazer experiências com espécies que já se extinguiram?
Ademais, para a Ciência, uma teoria é uma hipótese definitivamente comprovada. Todavia, isso não é sempre assim. Conquanto possamos dizer que a teoria da relatividade de Einstein seja uma teoria definitivamente comprovada, o mesmo não se pode dizer em relação à teoria da evolução.
No entanto, nossas crianças são ensinadas como se a teoria fosse Ciência e, a elas, não é dado o direito de conhecer o outro lado, ou seja, o ponto de vista Criacionista.
Os professores evolucionistas simplesmente desdenham do Criacionismo porque, em geral, estão cheios de preconceitos em relação a Deus, à Fé e à Religião. Eles não conhecem o Criacionismo e se conhecessem o Evolucionismo de verdade não o ensinariam como se fosse Ciência.
Você sabia que Charles Darwin não era ateu e o que ele ensinou em “A Origem das Espécies” está longe da distorção que seus seguidores fizeram de seus ensinamentos? Darwin era evolucionista sim, porém, ele nunca disse que o homem veio do macaco.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Da Existência de Deus

Josivaldo de França Pereira

 
Deus existe por definição, sem que, no entanto, possamos tomar a sua definição como prova lógica ou científica da existência dele. Deus é o que é (Êx 3.14). Não há prova científica da existência de Deus. Entretanto, isso não significa que não haja evidências científicas que apontem para a existência de um Criador. Evidências históricas, argumentos filosóficos e teológicos mostram ser mais razoável admitir a existência de Deus do que negá-la (Karl Heinz).
Embora a teologia reformada considere a existência de Deus como uma pressuposição completamente razoável, ela não pretende ser capaz de demonstrá-la por meio da argumentação lógica (Louis Berkhof). A intenção de provar a existência de Deus pode resultar inútil ou desnecessária. Inútil, se o investigador crê que Deus é galardoador dos que o buscam. E desnecessária se tentar forçar uma pessoa que não tem esta fé chegar, por meio de argumentos, ao convencimento em sentido lógico (Abraham Kuyper).
O cristão aceita pela fé a verdade da existência de Deus. Mas não por uma fé cega; porém, por uma fé que se baseia na evidência, e a evidência se fundamenta, antes de tudo, na Escritura como Palavra inspirada por Deus e, consequentemente, na revelação de Deus na natureza. A prova bíblica da existência de Deus não nos vem na forma de uma explícita declaração, e muito menos em forma de argumento lógico (L. Berkhof). Veja, por exemplo, Gênesis 1.1; Oséias 6.3; João 7.17; Romanos 1.20,21; 1Coríntios 1.20,21; Hb 11.6.
Crendo ou não na existência de Deus ninguém vive de fato sem ele. Conforme disse o apóstolo Paulo em Atenas, numa citação aos poetas gregos: “nele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17.28). O ser humano tem sido descrito como “incuravelmente religioso”. Isso é apenas outra maneira de dizer que a religião é um fenômeno universal. Os missionários testemunham a presença da religião, de uma maneira ou de outra, entre todas as nações e tribos da terra. A religião é um dos fenômenos mais notáveis da vida humana.
Em Eclesiastes 3.11 Salomão afirma que Deus pôs a eternidade no coração do ser humano. Por que será que Deus colocou a aspiração do infinito na alma humana? Naturalmente para que o ser humano não se degrade, levado por instintos que podem prendê-lo apenas à materialidade das coisas que passam (Miguel Rizzo).
A verdade é que ninguém nasce ateu. O ateísmo resulta, em última análise, do estado de perversão moral do ser humano e do seu desejo de se esconder de Deus. Quanto ao nosso Deus, ele é o ser absolutamente necessário (causa de si), absolutamente criador (causa de tudo), absolutamente absoluto (não depende de nada, tudo depende dele): é o Ser dos seres, e o fundamento de todos.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Paulo, homem

Josivaldo de França Pereira


A Bíblia apresenta vários exemplos de homens e mulheres de Deus que passaram por momentos de fraqueza e abalo emocional. Numa época em que muitos se apresentam como supercrentes e falsas teologias enganam tanta gente, que tal aprendermos algo mais com um deles?
A tristeza de Paulo. Em sua epístola aos Romanos, o apóstolo Paulo descreve como se sentia em relação à incredulidade de seus compatriotas judeus: “Digo a verdade em Cristo, não minto, testemunhando comigo, no Espírito Santo, a minha própria consciência: tenho grande tristeza e incessante dor no coração; porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, segundo a carne” (Rm 9.1-3).[1] Aos coríntios ele diz que não se apresentaria a eles como da primeira vez, ou seja: “Isto deliberei por mim mesmo: não voltar a encontrar-me convosco em tristeza” (2Co 2.1). No entanto, é provável que a mais impressionante passagem bíblica sobre tristeza de Paulo tenha sido em prol de Epafrodito, seu colaborador na igreja de Filipos: “Com efeito, adoeceu mortalmente; Deus, porém, se compadeceu dele e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza. Por isso, tanto mais me apresso em mandá-lo, para que, vendo-o novamente, vos alegreis, e eu tenha menos tristeza” (Fp 2.27,28). “(...) os crentes filipenses e o próprio apóstolo sentiriam profundamente a perda daquele fiel servo de Deus. (...). Vemos, pois, que Deus respeita os sentimentos humanos corretos, o que não é uma bênção pequena”.[2]
O medo de Paulo. O apóstolo Paulo já vinha sofrendo várias ameaças e perseguições em sua obra missionária. Foi assim em Damasco, Jerusalém, Antioquia da Síria, Icônio, Listra, Filipos, Tessalônica, Beréia, como em tantos outros lugares que ele ainda passaria. Contudo, é em Corinto que o medo do apóstolo fica evidente, a ponto de Lucas relatar: “Teve Paulo durante a noite uma visão em que o Senhor lhe disse: Não temas; pelo contrário, fala e não te cales; porquanto eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade. E ali permaneceu um ano e seis meses, ensinando entre eles a palavra de Deus” (At 18.9-11). Algo semelhante foi dito por Deus ao jovem Jeremias: “Não temas diante deles, porque eu sou contigo para te livrar, diz o SENHOR” (Jr 1.8; cf. 1.19). Em sua primeira epístola aos Coríntios Paulo declara: “Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós” (1Co 2.1-3). “Os termos temor e tremor estão relacionados às inúmeras ameaças políticas e sociais que Paulo teve de enfrentar”.[3]
O desencorajamento de Paulo. Não é o mesmo que covardia, mas abatimento da alma. O desencorajamento deste gigante da fé aparece após ele ser preso em Jerusalém e fazer sua defesa perante o povo e o Sinédrio. “Na noite seguinte, o Senhor, pondo-se ao lado dele, disse: Coragem! Pois do modo por que deste testemunho a meu respeito em Jerusalém, assim importa que também o faças em Roma” (At 23.11). Estava Paulo deprimido, desanimado e apreensivo com que o aguardava pela frente? A palavra de ordem “Coragem!” sugere tudo isso. “Jesus usou esse termo [coragem] muitas vezes durante seu ministério terreno. Por exemplo, quando andou sobre as ondas do lago da Galiléia e os discípulos ficaram cheios de medo, ele lhes disse que tivessem coragem (Mt 14.27; Mc 6.50). Aqui em Jerusalém, Jesus encoraja Paulo a ser destemido”.[4] Uma experiência de abatimento semelhante a de Paulo foi vivida por Josué, o sucessor de Moisés. O Senhor falou a Josué e o animou (Js 1.1-9). David Livingstone, após sofrer um ataque de leão numa de suas jornadas na África, disse que sua motivação em continuar na obra missionária era a promessa de Jesus: “... E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.20).[5]
O desespero de Paulo. Em sua segunda epístola aos Coríntios o apóstolo diz: “Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida” (2Co 1.8). Paulo nunca escondia suas fraquezas, pelo contrário, ele não queria que os irmãos ignorassem a natureza das tribulações que vieram sobre ele e aos demais missionários na Ásia. Bem diferente dos “apóstolos” defensores da Confissão Positiva que afirmam que se um crente sofre e se desespera é porque não tem fé em Deus ou está em pecado. Muitos desses modernos fariseus quando ficam doentes inventam mentiras somente para não aparecer debilitados em público e, assim, contradizer a falsa doutrina que eles defendem. “O risco que Paulo correu foi tão grande que ele o descreve como um fardo extremamente pesado que ele não era capaz de suportar fisicamente. Mais do que isso, espiritualmente lhe faltava a força necessária e ele entrou num estado de desespero (contrastar com 4.8). Ele já esperava o fim de sua vida terrena a não ser que o próprio Deus interviesse e, por assim dizer, o trouxesse de volta dos mortos”.[6] Deus não nos promete um caminho suave, mas garante nossa chegada segura.





[1] Cf. William Hendriksen, Comentário do Novo Testamento: Romanos. São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 407-09; F. F. Bruce, Romanos: introdução e comentário. Série Cultura Bíblica. 4ª ed. São Paulo: Vida Nova/Mundo Cristão, 1986, p. 148.
[2] Cf. R. N. Champlin, O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. Vol. 5. São Paulo: Hagnos, 2002, p. 41. 
[3] Simon Kistemaker, Comentário do Novo Testamento: 1Coríntios. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p. 112. Para um ponto de vista diferente, consulte Leon Morris, 1Coríntios: introdução e comentário. Série Cultura Bíblica. São Paulo: Vida Nova/Mundo Cristão, 1992, p. 41.
[4] Simon Kistemaker, Comentário do Novo Testamento: Atos. Vol. 2. São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 426.
[5] Veja esta mesma certeza de Livingstone expressa em uma de suas cartas em W. Garden Blaike, The personal life of David Livingstone. New York, Chicago And Toronto: Fleming H. Revell Company, 1880, p. 497,98.
[6] Simon Kistemaker, Comentário do Novo Testamento: 2Coríntios. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p. 74. Consulte também Colin Kruse, 2Coríntios: introdução e comentário. Série Cultura Bíblica. São Paulo: Vida Nova/Mundo Cristão, 1994, p. 70.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O Que É Talento?

Josivaldo de França Pereira

 
Talento é a habilidade nata que diferencia um indivíduo da maioria das outras pessoas. É uma dádiva divina a cada um de nós, sem exceção; portanto, não existe ser humano sem talento. Existe sim o desconhecimento momentâneo, o descobrimento precoce ou tardio do talento.
É o talento que faz uma pessoa aprender com facilidade uma língua, tocar com precisão um instrumento musical ou escrever bem, por exemplo.   
Há quem tente durante a vida inteira falar um idioma, tocar um instrumento sem, contudo, conseguir dominar essas habilidades. Essa falta de domínio, por acaso, seria ausência de empenho e dedicação? Não necessariamente. Muitos até se esforçam bastante, porém, o que falta é o talento específico para o sucesso em tais atividades.
Evidentemente, quem tem aquele talento aprende com mais naturalidade aquilo para o qual ele nasceu, entretanto, ninguém recebe seu dom como se fosse um pacote fechado, perfeito para ser usado. O talento dado por Deus a cada um é como uma pedra bruta a ser lapidada por nós.
Além disso, o talentoso aprende com seus próprios erros. Isso quer dizer que ele não vai acertar sempre ou ficar toda hora satisfeito com sua tarefa. A perfeição no que a gente realiza e aprecia é resultado de trabalho árduo e esforço diário. O aprendiz de línguas estudará bastante, o musicista se dedicará ao seu instrumento e o escritor lutará com o texto até que ele fique “perfeito”, ainda que cada um, com seu talento, tenha mais facilidade em suas respectivas áreas em relação aos demais mortais. 
O que diferencia, basicamente, alguém que tem o dom naquilo em que trabalha dos demais que não têm o mesmo talento é que o primeiro não desiste e gosta do que faz.
Quantos talentos uma só pessoa poderia ter? Quantos Deus achar necessários. Todos os dons podem ser desempenhados com a mesma habilidade por uma única pessoa? Sim, mas não necessariamente. Muitas vezes os talentos se completam num auxílio mútuo e entrosado de uns com os outros e, às vezes, um até sobressai, ora mais, ora menos, em relação aos demais.
Concluindo: Na parábola dos talentos Jesus ensina que Deus requererá de nós os frutos daquilo para o qual ele nos capacitou. Se o seu talento é o de instrumentista, por exemplo, você não será cobrado por não ser um escritor. O talento que você e eu recebemos de Deus é para juntos fazermos do mundo um lugar melhor, pois, certamente, ninguém tem todos os dons. 

A Doutrina da Perseverança dos Santos na Confissão de Fé de Westminster

Josivaldo de França Pereira

 
Elaborada no século XVII pela famosa Assembleia de Westminster (Inglaterra), a Confissão de Fé (CFW) forma, juntamente com o Catecismo Maior e Breve de Westminster, a tríade teológica dos símbolos de fé ou padrões doutrinários das igrejas presbiterianas de origem reformada.
As igrejas de origem reformada praticamente são as únicas que sustentam a verdade bíblica do crente uma vez salvo, sempre salvo, isto é, aquele que está em Cristo nunca poderá decair definitivamente do estado de graça. Os católicos romanos, metodistas, luteranos e as igrejas arminianas em geral afirmam que um crente em Cristo Jesus pode cair em definitivo do estado de graça, não aceitando, portanto, tais igrejas, a doutrina da perseverança dos santos.
Como devemos entender a doutrina da perseverança dos santos? O que a Bíblia e a Confissão de Fé de Westminster dizem sobre ela?
Entendendo a doutrina da perseverança dos santos
O fato de os católicos, arminianos e luteranos negarem esta doutrina é porque ela pode ser facilmente mal entendida. Um estudo sério da Bíblia sobre a doutrina da perseverança dos santos tem feito com que alguns não-reformados mudem de atitude em relação a ela. Por exemplo: hoje em dia nem todos os arminianos afirmam que um cristão pode perder a salvação e ir para o inferno. Alguns deles asseveram que os crentes estão eternamente seguros em Cristo; que o pecador uma vez regenerado, nunca jamais perderá a sua salvação.
Muito do mal entendido da presente doutrina é porque a expressão “perseverança dos santos” sugere uma atividade contínua dos próprios crentes no caminho da salvação. Entretanto, esta perseverança não deve ser considerada, a priori, como uma atividade exclusiva do crente, mas antes, como uma obra em que ele coopera, mediante a graça de Deus (cf. 1Co 15.10; 2Co 3.5; Fp 2.13). Nenhum crente ficaria em pé se fosse deixado sozinho.
Resta-nos saber que a doutrina da perseverança dos santos não ensina que todos os que professam a fé cristã estão garantidos para o céu. São apenas os santos (os separados pelo Espírito) que perseveram até o fim; são os crentes que nasceram de Deus pela fé em Jesus Cristo. “Muitos que professam a fé cristã caem, mas eles não caem da graça, pois nunca estiveram na graça. Os crentes verdadeiros caem em tentações e cometem graves pecados, às vezes, mas esses pecados não os levam a perder a salvação ou a separá-los de Cristo” (Steele e Thomas; cf. CFW, XVII, 3). Portanto, “Os que Deus aceitou em seu Bem-amado, eficazmente chamados e santificados pelo seu Espírito, não podem cair do estado de graça, nem total nem finalmente; mas com toda a certeza hão de perseverar nesse estado até o fim, e estarão eternamente salvos" (CFW, XVII, 1).
Prova bíblica da perseverança dos santos
A doutrina da perseverança dos santos pode ser provada pelas declarações diretas da Bíblia, tais como João 10.27-29: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar”; Romanos 11.29: “Porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis”; Filipenses 1.6: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao dia de Cristo Jesus”; 2Tessalonicenses 3.3: “Todavia o Senhor é fiel; ele vos confirmará e guardará do maligno”; 2Timóteo 1.12: “E por isso estou sofrendo estas cousas, todavia não me envergonho; porque sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia”; 2Timóteo 4.18: “O Senhor me livrará também de toda obra maligna, e me levará salvo para o seu reino celestial”; 1João 5.13: “Estas cousas vos escrevi a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus”.
A doutrina da perseverança também pode ser provada de maneira inferencial. Considere a doutrina da eleição divina. A eleição foi e sempre será a base de uma salvação absoluta, segura e eterna (Ef 1.4; 2Ts 2.13; 2Tm 2.10). Temos, além disso, a eficácia dos méritos e intercessão de Cristo. Aqueles por quem Cristo morreu nunca podem cair outra vez sob condenação (Rm 8.1). Sua intercessão constante a favor deles é sempre eficaz (Jo 11.42; Hb 7.25). E ainda, devemos pensar que a vida eterna que Cristo dá não é realmente eterna? (Veja Jo 3.36; 5.24; 6.47,54). A vida que o crente tem é uma garantia irreversível. E em consequência disso, segue-se o fato de que o crente pode e deve ter certeza de sua salvação (Hb 3.4; 6.11; 10.22; 2Pe 1.10).
A certeza da salvação seria impossível se os crentes pudessem perder a salvação a qualquer momento. Louvemos, pois, a Deus concessão da salvação sem fim.
Resposta às objeções à doutrina da perseverança dos santos
Segue abaixo as principais respostas às objeções que algumas pessoas fazem à doutrina da perseverança dos santos:
(1) A doutrina da perseverança dos santos conduz à falsa segurança e à indolência, à licenciosidade e à imoralidade.
Resposta: Isto não é verdade porque, ao mesmo tempo em que a Bíblia nos diz que somos guardados pela graça de Deus, também nos afirma que Deus não nos guarda sem a constante vigilância, diligência e oração de nossa parte. Uma doutrina que nos incentiva, do começo ao fim, a perseverarmos na santificação, nunca poderia nos conduzir ao pecado.
(2) A Bíblia adverte contra a apostasia, o que seria desnecessário se o crente não pudesse perder a salvação (cf. Mt 24.12; Cl 1.23; Hb 2.1; 3.14; 6.11; 1Jo 2.6).
Resposta: Estas passagens bíblicas apenas provam que o crente deve cooperar no processo de perseverança. Para uma ilustração desse ponto, compare Atos 27.22-25 com o versículo 31.
(3) Os crentes são exortados a continuar no caminho da santificação (Hb 12.14; 1Pe 1.13-21). Tais exortações seriam desnecessárias se não houvesse dúvida de sua continuação.
Resposta: Os textos citados provam simplesmente que Deus se utiliza de meios morais para alcançar seu objetivo.
(4) Há passagens que registram casos de real apostasia de crentes (1Tm 1.19,20; 2Tm 2.17,18; 4.10; 2Pe 2.1,2).
Resposta: Não há provas de que as pessoas mencionadas eram crentes de fato. Nem todos os que professam a fé são da fé (Rm 9.6; 1Jo 2.9,19; Ap 3.1).