quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O Ciclo do Espírito – Parte 2

Josivaldo de França Pereira


O ciclo das descidas do Espírito Santo não está restrito ao livro de Atos. O Espírito continua descendo sobre todos os que dele necessitam. Segundo Pierson, “Alguns estudiosos falam de um "Pentecostes samaritano" e de um "Pentecostes gentílico" que sucedeu o Pentecostes de Jerusalém. Não podemos fazer o mesmo de modo nenhum, é claro. O primeiro Pentecostes, quando o Espírito foi derramado sobre os crentes, foi único. No entanto, existe um sentido segundo o qual estes termos estão corretos. O Espírito veio sobre a igreja de Jerusalém para prepará-la e capacitá-la para a sua missão. Mais tarde, pela vinda sobre os crentes de Samaria e então sobre os gentios, de modo tão claro e dramático, o Espírito aumentou a compreensão da igreja acerca da sua missão e preparou-a para os próximos passos. O Espírito do Cristo ressurreto continuava a liderar a sua igreja para fora dos limites de Jerusalém e da sua familiar cultura judaica em direção a outros povos, lugares e culturas – até aos confins da terra”.[1]
À semelhança do que foi dito acima por Pierson, é por isso que nos dias de hoje também podemos falar, em certo sentido, de um Pentecostes coreano, africano e, como assim esperamos, brasileiro e mundial. Tudo que o Espírito Santo fez em Atos visa a ação missionária da igreja. O Pentecostes, por exemplo, não aconteceu para que a igreja vivesse em torno de si mesma, comodamente, degustando tão somente aquela experiência sobrenatural. No Pentecostes o Espírito Santo capacitou a igreja e continuaria capacitando-a para ser testemunha de Jesus em todo o mundo. Os dons ou manifestações do Espírito (línguas, curas, profecias, etc.) foram dados pelo Espírito Santo com o objetivo de que a igreja testemunhasse de Jesus ao redor do mundo. Nada do que a igreja recebe do Espírito tem nela um fim em si mesmo.
No passado o Espírito Santo e a Igreja Primitiva deram continuidade ao que Jesus começou a fazer e a ensinar. Hoje, é possível que nosso maior desafio seja o de jamais esquecer que a missão do Espírito e da igreja cristã não terminou com Atos 28.


[1] Paul E. Pierson, Atos que contam. Londrina: Descoberta, 2000, p. 111,112. V. t. John R. W. Stott, Batismo e plenitude do Espírito Santo. 2a ed. São Paulo: Vida Nova, 1986, p. 15-55; Frederick D. Bruner, Teologia do Espírito Santo. 2a ed. São Paulo: Vida Nova, 1986, p. 122-166; G. E. Ladd, Teologia do Novo Testamento. 2ª ed. Rio de Janeiro: Juerp, 1986, p. 326.

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