quarta-feira, 21 de março de 2012

Paulo, prisioneiro de Cristo Jesus


                                                        Josivaldo de França Pereira


A autodesignação de Paulo como prisioneiro de Cristo Jesus é comum em suas epístolas (cf. Ef 3.1; Fm 1,9).[1] Certamente foi da providência de Deus que Paulo ficasse em prisões muitas vezes (cf. 2Co 11.23), a fim de que, de dentro delas ele escrevesse, por exemplo, boa parte de suas epístolas. Ademais, o cuidado do Senhor com a integridade física do seu apóstolo era evidenciado nessas prisões. Jesus protegia seu servo dos perigos de morte constantemente impostos por seus perseguidores.
A carta a Filemom é a única epístola de Paulo que inicia com a expressão "prisioneiro de Cristo Jesus". Ele a repete no verso nove. É provável que o apóstolo quisesse mostrar a Filemom que se ele (Paulo) podia ser prisioneiro de Cristo, Filemom não devia ter dificuldade em fazer algo menor, isto é, receber de volta o escravo fugitivo Onésimo, não mais como escravo, mas agora como irmão caríssimo (Fm 16).
Contudo, o que significava ser "prisioneiro de Cristo Jesus" para Paulo? Além de demonstrar amor aos gentios (Ef 3.1) e contribuir para o progresso do evangelho (Fp 1.12-14), ser prisioneiro de Jesus significava desfrutar da segurança divinal de Jesus. Paulo nunca foi abandonado pelo Senhor e sabia que jamais o seria (cf. 2Tm 4.17,18). Um bom exemplo disso é o fato do apóstolo não ter problema com as autoridades enquanto estava preso.
Na cidade de Filipos, juntamente com Silas, Paulo não foi impedido de cantar e orar (At 16.25). Em Jerusalém as autoridades o salvaram do espancamento dos judeus que o levaria à morte (At 21.30-34). Em Cesaréia o governador Félix "mandou ao centurião que conservasse a Paulo detido, tratando-o com indulgência e não impedindo que os seus próprios o servissem" (At 24.23). Lucas conclui o livro de Atos dizendo que em Roma "Por dois anos, permaneceu Paulo na sua própria casa, que alugara, onde recebia todos que o procuravam, pregando o reino de Deus, e, com toda a intrepidez, sem impedimento algum, ensinava as cousas referentes ao Senhor Jesus Cristo" (At 28.30,31).
A falta de liberdade gerada pela prisão - o direito de ir e vir - representava liberdade em Cristo dentro da prisão. Por mais paradoxal que isso pareça ser, era assim que Paulo via as coisas (cf. Fp 1.12-14). Leia a epístola de Paulo aos Filipenses, escrita também da prisão, e você a achará cheia de alegria, triunfo e confiança no Senhor. É por isso que os cristãos não deviam ficar envergonhados por aqueles que iam para a prisão por causa do evangelho (2Tm 1.8,16).
Depois de dois anos prisioneiro na Palestina (Cesaréia), Paulo foi mandado a Roma numa viagem marítima muito perigosa, que acabou em naufrágio na ilha de Malta. Por conseguinte, ele chegou são e salvo à capital do império, conforme a promessa de Deus (At 27.23,24). Em Roma, Paulo foi prisioneiro de Nero, um dos mais tiranos imperadores, porém, em nenhuma de suas cartas o apóstolo faz referência a si mesmo como sendo prisioneiro de César. Ele sempre diz que é o prisioneiro do Senhor porque, além das correntes, dos guardas e dos processos imperiais de justiça, ele via a mão de Jesus dirigindo todas as coisas. Em momento algum ele se lamenta por estar na prisão, como se dissesse: "Com tanta coisa para se fazer lá fora, e eu perdendo tempo aqui dentro".
Na prisão, Paulo ocupou muito bem o seu tempo com a pregação do evangelho à guarda pretoriana, àqueles que o visitavam e escrevendo suas cartas.
 



[1] Para outras expressões correlatas em Paulo, veja Rm 16.7; 2Co 6.5; 11.23; Ef 4.1; 6.20; Fp 1.7,13,14,17; Cl 4.3,10,18; 2Tm 1.16; 2.9; Fm 10,13,23.

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