quinta-feira, 1 de março de 2012

Sábado ou Domingo?

Josivaldo de França Pereira


Muitos crentes vivem a inquirir: “A Bíblia ordena a guardar o sábado e não o domingo. Não estamos quebrando o mandamento de Deus guardando o domingo?”.
Não é exato que a Bíblia toda ordene o que aí se afirma. O quarto mandamento não marca taxativamente o sábado semanal que hoje temos como o dia de descanso. O mandamento exige a separação do sétimo dia semanal depois de seis dias de trabalho como o dia do Senhor. O que não deixa de ser feito com a guarda do domingo. A mudança do dia sétimo para o primeiro da semana foi feita pela igreja apostólica, em comemoração à ressurreição de Cristo.
Não temos um preceito positivo nos Evangelhos dizendo, por exemplo: “Fica mudada a páscoa pela ceia do Senhor”; “fica mudada a circuncisão pelo batismo”; “fica mudado o rito do Templo pelo rito cristão”; “fica mudada a sinagoga pela igreja”, etc. Entretanto, tudo isso foi mudado no cristianismo e assim fazemos. Por quê? Pelo exemplo apostólico. Ora, o mesmo se dá com o domingo. Até Jesus morrer só aparece o dia de sábado como o dia do Senhor. Após a sua ressurreição é o contrário, aparece o domingo como dia dos crentes para o culto cristão.
Além disso, o Espírito Santo desce no dia de pentecostes em um domingo (50 dias após a páscoa) e Paulo espera uma semana inteira em Trôade até chegar o primeiro dia da semana para fazer o culto público e celebrar a ceia do Senhor (At 20.6-11). Por que o apóstolo não fez tudo no sétimo dia, que era sábado, dia próprio para esse fim? Porque a igreja já tinha separado o domingo para os cristãos e deixado o sábado para os judeus. E mais, Paulo ordena que a coleta para socorrer os crentes da Judeia comece no primeiro dia da semana. As coletas são parte do culto e para dias de culto; logo, deviam ser feitas no dia de culto, sábado, não é mesmo? Pois o apóstolo ordena que sejam feitas no primeiro dia da semana, domingo (1Co 16.1,2). Por quê? Porque a igreja desde já guardava o domingo.
O apóstolo João, na ilha de Patmos, recebe ordens especiais de Jesus no domingo, o “dia do Senhor” (Ap 1.10).
No tempo de Cristo, os fariseus faziam do sábado um “fardo” e não um “descanso”. Os fariseus aplicavam a lei do descanso aos atos mais triviais da vida, proibindo muitas obras de necessidade e misericórdia. Acusaram a Jesus por fazer curas em dia de sábado, ao mesmo tempo em que achavam lícito retirar o boi, a ovelha ou qualquer um de seus animais que tivesse caído dentro de um poço. Também julgavam necessário levar os animais para beber água, como em qualquer outro dia da semana (Mt 12.9-13; Lc 13.10-17). Mas não eram somente as curas em dia de sábado que eles condenavam. Quando os discípulos de Jesus passavam pelas searas  colhendo espigas e, machucando-as nas mãos as comiam, porque tinham fome, os fariseus os censuraram, como se fosse essencialmente o mesmo trabalho de fazer colheitas e moer o trigo. A isso nosso Senhor deu uma resposta notável, veja Marcos 2.23-28.
O sábado também foi instituído para benefício do gênero humano. As suas obrigações duram enquanto o ser humano viver e enquanto subsistirem as suas necessidades. O Filho do Homem não é escravo do sábado, e sim, dono dele, e que nele, sábado, é lícito fazer obras de amor e de necessidade. Os judeus o acusavam por causa disso. Faziam o mesmo que muitos hoje, que nos criticam por guardarmos o domingo, dia da vitória de Jesus.
Se o sábado judaico era importante como comemoração da saída do Egito e da redenção do povo de Israel (cf. Dt 5.15), não será mais importante o domingo, símbolo da redenção de judeus e gentios? No sábado Jesus esteve sob o poder da morte. Foi um dia triste, sombrio. Mas, no domingo, Jesus venceu a morte. Logo, esse fato é glorioso e digno de ser lembrado para sempre.
Convém recordar que certa vez o sábado judeu foi mudado por Moisés na páscoa (Ex 12). Na verdade, todos os meses o sábado era mudado, pois o mês começava sempre com a lua nova. Caísse em que dia caísse na contagem da lua nova, era o dia de sábado. Contudo, a guarda do dia específico de repouso dos hebreus (aspecto cerimonial) sofreu perversões tais que Deus chegou a abominar esse dia (cf. Is 1.13,14) e anunciar que lhe daria fim (cf. Os 2.11).
O apóstolo Paulo declara que o sábado judaico era apenas a “sombra” e que Cristo é o “corpo”; e que ninguém pode julgar o crente por não guardar o sábado ou outros ritos dos judeus (Cl 2.16,17). Quando os judeus começaram a criticar os crentes porque estes não guardavam mais o sábado, e sim o domingo, Paulo disse que a diferença entre dias não tem importância, o importante é viver para o Senhor (Rm 14.4-10). Os crentes de Gálatas ainda queriam guardar o sábado e os dias judaicos, contudo, Paulo os repreendeu, dizendo que eles não estavam mais sob a lei, mas sob a graça (Gl 4.4-11).
Concluindo: O quarto mandamento exige a guarda da sétima parte de nosso tempo para Deus e atos de misericórdia para com o próximo. O dia para a guarda do quarto mandamento foi, até Cristo ressurgir, o sábado. Depois de fundada a igreja cristã, passou-se a observar o primeiro dia. Quem fez a mudança foram os apóstolos, pelos exemplos que nos deixaram. Ora, os apóstolos eram inspirados. Jesus, antes de ir para o céu lhes deu muitas instruções (At 1.2,3). Quem sabe não lhes falou também sobre essa mudança? Quem sabe...   

4 comentários:

  1. Cristo ressuscitou no sábado, não no Domingo!
    A ressurreição no Domingo é uma grande mentira

    http://luzdosabado.jimdo.com/

    Markus

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  2. Respostas
    1. Nova Vulgata - Bibliorum Sacrorum Editio do Vaticano
      Mateus 28:1
      Sero autem post sabbatum, cum illucesceret in primam sabbati, venit Maria Magdalene et altera Maria videre sepulcrum.
      http://www.vatican.va/archive/bible/nova_vulgata/documents/nova-vulgata_nt_evang-matthaeum_lt.html#28


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    2. Nova Vulgata - Bibliorum Sacrorum Editio do Vaticano
      Actos dos Apóstolos 20:7
      In una autem sabbatorum, cum convenissemus ad frangendum panem, Paulus disputabat eis, profecturus in crastinum, protraxitque sermonem usque in mediam noctem.
      http://www.vatican.va/archive/bible/nova_vulgata/documents/nova-vulgata_nt_actus-apostolorum_lt.html#20


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