domingo, 1 de abril de 2012

As muitas provas incontestáveis do Cristo vivo segundo Lucas

Josivaldo de França Pereira

Lucas declara que Jesus, “depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis...” (At 1.3). “O termo grego aqui traduzido por ‘provas incontestáveis’ expressa um uso técnico que indica certas evidências convincentes e formais, em prova cabal favorável a algum caso”.[1]
As “muitas provas incontestáveis” são todas aquelas apresentadas pelo Cristo ressurreto, e em suas aparições, durante os seus quarenta dias aqui na terra. “Segundo o relato dos quatro Evangelhos, Atos e a Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios, Jesus apareceu dez vezes no período entre a Páscoa e a Ascensão”.[2] Ele apareceu a: Mulheres no túmulo; Maria Madalena; dois homens de Emaús; Pedro em Jerusalém; dez discípulos; onze discípulos; sete discípulos pescando no mar da Galileia; onze discípulos na Galileia; quinhentas pessoas (presumivelmente na Galileia); Tiago, o irmão do Senhor.[3]
Algumas das “muitas provas incontestáveis” do Cristo vivo são relatadas pelo próprio Lucas em seu Evangelho; a saber: o túmulo vazio e os lençóis de linho vistos por Pedro; as marcas dos cravos nas mãos e pés de nosso Senhor e o comer na presença dos discípulos (Lc 24.1-12,36-43). Mateus acrescentaria, ainda, “um grande terremoto; porque um anjo do Senhor desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela” (Mt 28.2). No entanto, nenhuma dessas evidências se compara à maior de todas as provas incontestáveis do Cristo ressurreto: o testemunho das Escrituras.
Isto fica claro quando lemos o último capítulo do Evangelho de Lucas. O anjo disse às mulheres que foram ao túmulo de Jesus: “Ele não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como vos preveniu, estando ainda na Galileia, quando disse: Importa que o Filho do homem seja entregue nas mãos de pecadores, e seja crucificado, e ressuscite no terceiro dia” (Lc 24.6,7). Logo após o relato da ressurreição, Lucas descreve o diálogo de Jesus com dois homens no caminho de Emaús. Os dois estavam preocupados, entristecidos e incrédulos a respeito da ressurreição do Senhor. “Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras” (Lc 24.25-27). Mais adiante eles diriam um ao outro: “... Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras?” (Lc 24.32).
Em seguida, o Mestre apareceu aos discípulos, mostrando suas mãos e pés e comeu na presença deles (Lc 24.36-43). “A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos.[4] Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia” (Lc 24.44-46; cf. 18.31-33).[5] João, após estar com Pedro no sepulcro de Jesus, faz como que uma mea-culpa ao declarar: “Pois ainda não tinham compreendido a Escritura, que era necessário ressuscitar ele dentre os mortos” (Jo 20.9; cf. Lc 18.34).
O apóstolo Paulo (que foi acompanhado por Lucas em diversas ocasiões), ao fazer uma listagem para os coríntios das principais testemunhas do Cristo ressurreto, coloca as Escrituras como a mais importante delas – no topo da lista. Diz ele: “Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1Co 15.3,4). E só depois o apóstolo menciona Cefas (Pedro), o líder da Igreja primitiva e, por último, “o menor dos apóstolos”, como o próprio Paulo se denomina (1Co 15.5-9).
As primeiras testemunhas da ressurreição de Jesus foram as Escrituras. As principais provas incontestáveis do Cristo ressurreto foram aquelas apresentadas pela própria Palavra de Deus!



[1] R. N. Champlin, O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. Vol. 3. São Paulo: Hagnos, 2002, p. 23.
[2] Simon Kistemaker, Comentário do Novo Testamento: Atos. Vol. 1. São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 73.
[3] Idem, p. 74.
[4] “Na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”. Jesus está citando a tríplice divisão da Bíblia Hebraica, ou seja, toda Escritura antes do Novo Testamento.
[5] As palavras de Jesus em Lucas 24 (especialmente os versos 27 e 44) inspiraram Gerard Van Groningen a escrever uma obra monumental intitulada Revelação Messiânica no Velho Testamento (Campinas: LPC, 1995, Prefácio, p. 9). O livro todo é excelente.

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