domingo, 15 de julho de 2012

“Como a si mesmo”

Josivaldo de França Pereira


A gente deve amar um ao outro “como a si mesmo”, conforme entendeu corretamente o intérprete da lei em Marcos 12.33. Jesus disse que devemos amar ao próximo, ainda que seja nosso inimigo (Mt 5.43-48; Lc 6.32-36). Um comentário estendido de Levítico 19.18: “Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR” (cf. Lv 19.34).
Paulo complementa: “não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira[1]; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.19).
Amar ao próximo envolve uma atitude positiva de coração e mente. O ódio é uma resposta emotiva que somente tem de ser empregado contra os nossos próprios pecados, e nunca contra alguém (Lm 3.39).
Jesus não disse que devemos nos anular em relação ao próximo, por isso, aquilo que somos e temos de bom pela graça e misericórdia de Deus deve ser, igualmente, nosso anseio para com o outro. O Mestre ensinou: “Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles” (Lc 6.31).
Adam Smith (1723-1790), o pai da economia moderna, afirmava que em uma competição a ambição individual serve ao bem comum. Cento e cinquenta anos depois, o matemático e prêmio Nobel, John Nash (1928-), discordaria de Smith, argumentando que o melhor resultado é obtido quando cada um faz o que é melhor para si e para o grupo. Não é cada um por si e Deus por todos. É um pelos outros e Deus por cada um.
O ponto de referência em relação ao próximo somos nós mesmos. Não sou eu fazendo para o próximo o que depois farei a mim. O que farei ao próximo é o bem que faço a mim. O amor que devo ao próximo é o mesmo amor que tenho por mim. Amar ao próximo é uma dívida sem decurso de prazo, como sem fim é o amor que temos para conosco (Rm 13.8-10). Nele, no amor, devemos crescer e nos aperfeiçoar (Cl 3.14; 1Ts 3.12).
Por que é importante servir ao outro em amor? É importante porque tira de nós todo egoísmo e mesquinhez tão prejudicáveis ao ser humano. Além disso, o amor cobre multidão de pecados (1Pe 4.8), seja dos quem amam; seja dos quem são amados.
Como devemos amar ao próximo? Do mesmo modo como amamos a nós mesmos, isto é, uma vez que queremos o melhor para nós, devemos almejar a mesma coisa para o nosso semelhante. O apóstolo Paulo diz (num outro contexto, mas perfeitamente aplicável aqui), que “ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida” (Ef 5.29). E mais (agora em seu devido contexto): “... se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber...” (Rm 12.20).
Quer fazer um enorme bem a você? Ame ao próximo como a si mesmo.

 

[1] Ira; de Deus, subentendido.

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